Nise da Silveira – Gatos Co-terapeutas

Capítulo do livro “Gatos, a Emoção de Lidar” de Nise da Silveira.

Originalmente publicado em 1998, por Léo Christiano Editorial.

Transcrição de Andrey Santiago.


Nosso projeto de trabalho no Centro Psiquiátrico Pedro II não tinha a intenção de proteger o animal. Nosso propósito visava relacioná-lo com o homem. Doar afeto àqueles seres solitários aos quais muitos poucos homens ou mulheres sequer dirigiam uma palavra ou um gesto amigo.

A história do animal como co-terapeuta no nosso serviço foi o motivo central de meus maiores sofrimentos como psiquiatra naquele Centro. Distinguiram-se nestes trabalhos de co-terapeutas com animais, as colaboradas: Maria de Nazareth Rocha e Dalva de Araújo.

Observei que os resultados terapêuticos das relações afetivas entre o animal e o doente eram excelentes. Mas era difícil que essa ideia tivesse campo para desenvolver-se. No Brasil a aproximação entre doente e animal, infelizmente, ainda não era cultivada. A preocupação dos terapeutas, ao contrário, afastava o animal do doente, sob alegações inconscientes. Compensadoramente, amigos distantes foram solidários: o prof. Boris Levinson, psicanalista americano, comentou por carta esses fatos ocorridos no Brasil, como a expulsão, o envenenamento e a morte contra os animais. Eis um trecho da carta: “Sem dúvida, para muitos desses doentes, os animais eram sua única linha de vida para a saúde mental”.

Outro pesquisador, da Universidade do Estado de Ohio, prof. S. Corson, enviou-nos resultados de pesquisas com esquizofrênicos e cães desenvolvidas por ele e sua equipe “com extremo rigor para estabelecer princípios e limites no uso de animais em psicoterapia”. Apenas dois não melhoraram, dentre trinta casos citados.

O que se tem observado é que animais como cães, gatos, peixes e pássaros são requisitados como novos terapeutas em hospitais franceses, canadenses, americanos e suíços, depois de ter constatado que eles são indispensáveis à melhora ou cura dos portadores de várias doenças.

Há animais que permanecem no hospital em sua função de co-terapeutas e outros que participam de visitas organizadas a hospitais afim de levar vida e calor a esses frios lugares.

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