Ensaio de Amanda Brown.
Originalmente disponível em seu Substack.
Tradução por Andrey Santiago.
Eu fui à minha primeira festa universitária em setembro de 2023 – em um apartamento lotado de corpos e risadas, havia um ar denso com leve cheiro de perfume doce e suor. Havia uma mesa com shots de vodca e misturas. A música pulsava pelas paredes, com graves intensos, uma mistura de nostalgia dos anos 2010 e rap que fazia o chão tremer. Minha colega de quarto e eu afundamos no sofá, cantando “Party in the USA” o mais alto que podíamos, quase inaudíveis por conta do rugido das conversas. Jogamos pong com estranhos e abraçamos pessoas que nunca tínhamos visto antes. Bebemos, conversamos, rimos, cantamos, dançamos e cruzamos um limiar invisível: nossa primeira verdadeira noite fora. Tão adultas.
Quando finalmente estávamos andando e tropeçando na volta para o dormitório, liguei para meu namorado, com a voz pesada de cansaço e álcool. “Senti muito a sua falta”, murmurei, dizendo a verdade, sentindo aquilo pulsar no meu peito.
“Não acho que isso seja verdade”, ele disse, com uma voz mais ríspida do que eu esperava. Bêbada, ri do absurdo daquilo tudo. “Ah, claro.” Não era óbvio?
“Você diz que sentiu minha falta, mas não me mandou uma única mensagem.”
Franzi a testa. “Estou te ligando agora. Me perdi conversando. Esqueci até que tinha um celular. Você não consegue entender isso?”
“Então você não podia mandar uma única mensagem?” ele insistiu, implacável.
Ficamos indo e voltando, cada um se recolhendo na própria mágoa, sem nos entendermos. Ele via o silêncio como negligência, enquanto eu não conseguia compreender a relação dessas duas coisas. Aquela noite terminou com intensas lágrimas escorrendo pelo meu rosto, soluços abafados no travesseiro. Eu não queria acordar minha colega de quarto. Não queria que ela soubesse. Não queria a pena dela.
Até hoje, me pergunto quantas pessoas senti falta sem dizer isso para elas. Quantas vezes deixei um momento passar sem buscar alguém, sem dizer o que ansiava para ser dito? E ainda assim, não é simplesmente suficiente guardar alguém na mente, deixar que a saudade de alguém seja uma coisa interna, silenciosa e privada?
O mundo moderno tornou a conexão algo fácil, especialmente com a conexão instantânea. Afinal, todos estão acessíveis hoje em dia. Todos estão a uma ligação, uma mensagem ou um e-mail de distância. Há alguma desculpa para não dizer que ama alguém no exato segundo em que sente isso? Com a conexão cada vez mais imediata dos tempos atuais, veio também uma exigência não dita – uma pressão para estar sempre disponível, sempre respondendo. Há um senso de direito à comunicação constante. Mesmo quando não se pode falar, é esperado que se diga isso. E se isso não for dito, o que significa? Que você não se importa? Que não ama o suficiente? Rejeito essa ideia.
Muitas das minhas amigas, presas a seus relacionamentos, suspiram ao ver mais uma notificação de mensagem do namorado. “Ele simplesmente não para de me mandar mensagem”, dizem, revirando os olhos antes de desligar o celular. O que começa como um doce cuidado acaba se transformando em algo mais pesado – um ressentimento silencioso, nascido do peso da comunicação constante. O amor exige um fio sem fim de atualizações? Precisamos sempre saber onde a pessoa está, a que velocidade está dirigindo, o percentual exato da bateria do celular? Minha resposta é um firme: não.
Nem todo relacionamento precisa do gotejar contínuo de informações, do relato minuto a minuto de cada hora que passa. Alguns prosperam assim. Outros sufocam. Depois de passar um tempo sozinha, aprendi a amar minha independência, a valorizar o silêncio entre as mensagens, o espaço para existir sem precisar me explicar.
E ainda assim, em algum lugar além da minha solidão cuidadosamente protegida – eu sei que minhas paredes não são inquebráveis. Com a pessoa certa, eu gostaria de ver os pratos que ela cozinha e ouvir as músicas que ela repete sem parar. Mas o amor verdadeiro nunca deve parecer vigilância. Deve ser um tipo de saber que não exige prova. Um tipo de presença que não demanda validação constante. Quero viver minha vida e quero que a pessoa viva a dela – mas nunca de um modo que me faça sentir que estou me perdendo.
Em algum ponto do caminho, o apego ansioso se infiltrou no tecido dos relacionamentos modernos, subindo ao topo das preocupações das pessoas. A necessidade de validação constante – provas de amor em forma de mensagens, checagens e atenção ininterrupta – tornou-se uma expectativa, não uma exceção. Porque, se uma pessoa não responde imediatamente, se não toma a iniciativa, se não oferece reafirmação sob demanda, então essa pessoa realmente não te ama?
Parece que as pessoas esqueceram que os relacionamentos existem para enriquecer nossas vidas, não para consumi-las. O amor deveria ser algo que te fortalece, não algo que te faz sentir uma sombra de si mesmo, esvaziado pelo peso das expectativas do outro. Em vez de permitir que o amor seja um espaço de confiança, ele se tornou, para muitos, uma performance – uma constante demonstração, um medo de não ser o suficiente.
Vivemos em uma epidemia de comunicação constante. O amor, que antes era medido pela presença e pelo entendimento, agora é quantificado pelo tempo de resposta e frequência de mensagens. O amor não deveria ser uma disputa silenciosa sobre quem se importa mais. Deveria ser sentido nos espaços entre as palavras, na confiança que permanece mesmo no silêncio – mesmo a quilômetros de distância. A pessoa certa não vai exigir provas de amor; ela vai saber que ele está ali – não dito, mas inabalável.

necessário! como cansa a cobrança de estar presente em todos os momentos de qualquer lugar para todos.
li isto em um momento oportuno, como se fosse um tapa na cara que eu precisava levar
Muito bom.
Hoje em dia muitas pessoas acreditam que o amor é estar sempre com a pessoa, não as dando espaço e não se dando também. Mas para amarmos o outro também temos que nos amarmos e nos cuidarmos.