A Palestina é a verdadeira vencedora da Copa do Mundo de 2022

Publicado em 15 de dezembro de 2022.

Originalmente disponível no site Liberation News.

Escrito por Sameena Rahman.

Tradução por Andrey Santiago.


A Copa do Mundo FIFA de 2022 tem sido o maior evento internacional de esporte do ano. Mais de 3 milhões de ingressos foram vendidos para as partidas no Catar, e dezenas de milhões de pessoas assistiram o mês de jogos de futebol pela TV.

A Palestina é a verdadeira vencedora da Copa do Mundo de 2022 mesmo não participando de nenhum jogo. Em demonstrações de solidariedade, a bandeira da Palestina foi levantada em praticamente todos os jogos. E Marrocos, o primeiro time africano a chegar até as semifinais, se tornou um símbolo da habilidade e dignidade dos oprimidos, levantando os espíritos daqueles sujeitos ao neocolonialismo em todo os lugares.

Vários vídeos de Doha, capital do Catar, capturaram centenas de torcedores ecoando gritos pela Palestina livre. Os visitantes também levantaram uma enorme faixa da Palestina durante o jogo entre Tunísia e Austrália. Outras gravações mostraram pessoas usando diversos acessórios pró-Palestina, desde bandeiras até braçadeiras, de keffiyehs até lenços.

Haviam diversos gritos de “Palestina livre”, e outros gritos e canções para a Palestina – nas arquibancadas, nas zonas dos torcedores, nas ruas, e nas mídias sociais. Essa gigante solidariedade deu um enorme impulso para os Palestinos que estão vivendo sob ocupação.

Times vencedores também carregaram a bandeira da Palestina junto das suas bandeiras nas comemorações. Tão universal era o sentimento pró-Palestina que a Palestina foi declarada o trigésimo terceiro time da Copa do Mundo.

Outros vídeos pequenos mostraram torcedores de países ocidentais ecoando seu apoio à Palestina e facilmente utilizando a bandeira da Palestina. Palestinos entrevistados em Gaza e Belém compartilharam. “A coisa mais feliz é ver a Palestina fortemente representada, mesmo que a nossa seleção não faça parte da competição. Mas vemos que todos os torcedores, sejam árabes ou estrangeiros, estão apoiando a Palestina”, e “Esperava ver a bandeira da Palestina presente na Copa do Mundo, só porque ela está sendo realizada no Catar, um país árabe. Mas não esperava ver esse nível de solidariedade.”

Seleção de Marrocos torna-se símbolo de resistência

Este torneio, oferecendo um vislumbre da ampla solidariedade árabe, culminou em seus últimos dias com um apoio esmagador à seleção marroquina, que avançou para as semifinais depois de derrotar gigantes do futebol como Espanha e Portugal. Fãs de todo o mundo foram rápidos em apontar o simbolismo anticolonial dessas vitórias, o triunfo do Marrocos sobre os ex-colonizadores africanos – Bélgica, Espanha e Portugal.

Marrocos se tornou o primeiro país da África e o primeiro país árabe a avançar para as semifinais. Os sucessos da seleção marroquina geram comemorações espontâneas em toda a África, nos mundos islâmico e árabe e nas muitas comunidades de imigrantes da diáspora.

Marrocos também se tornou o portador da tocha da Palestina. Após a derrota da equipe para a Espanha, ela posou para a foto da vitória na mídia segurando não a bandeira marroquina, mas a bandeira palestina.

Seleção palestina reprimida por Israel

A manifestação de apoio também levantou questões sobre por que a seleção palestina não participou da Copa do Mundo, apesar de ser disputada no Oriente Médio. Sob o apartheid israelense, times e jogadores de futebol palestinos são sistematicamente reprimidos e até mortos, e outros meios de recreação são rotineiramente destruídos. Por exemplo, ataques aéreos israelenses em Gaza mataram Ahed Zaqout em 2014, que era amplamente considerado uma lenda do futebol palestino que jogou contra a França na Copa do Mundo da FIFA em 1994. Outros assassinatos e ataques de atletas palestinos também apontaram para uma política israelense deliberada de ataques voltados para esportistas.

Jornalistas israelenses disseram: “Não há Israel, apenas a Palestina”.

Houve uma rejeição clara e direta a Israel, aos jornalistas israelenses e ao apartheid israelense durante os jogos. Vídeos virais mostram torcedores se recusando a falar com jornalistas israelenses e jornalistas israelenses mentindo sobre de onde são, chegando a afirmar que são do Equador e da Alemanha apenas para entrevistar torcedores de futebol. Não apenas fãs árabes, mas fãs de países como Japão e Brasil também foram vistos rejeitando o apartheid israelense. Jornalistas israelenses foram expulsos de restaurantes e táxis depois que as pessoas descobriram de onde eram. Um torcedor saudita deixou claro o recado a um jornalista israelense: “Você não é bem-vindo aqui… Não existe Israel, apenas a Palestina”.

Enquanto os governos reacionários normalizaram as relações com Israel por meio dos Acordos de Abraão em 2020 – incluindo a monarquia reacionária que governa o Marrocos e oprime o povo – a Copa do Mundo de 2022 e o povo árabe demonstraram que essa não é sua postura. Os israelenses estavam anteriormente iludidos sobre como seriam bem-vindos nesses países, mas eles foram e continuam a ser recebidos com um rude despertar – que o coração do povo está com a Palestina e nunca haverá qualquer aceitação do apartheid israelense.

Riyad Mansour, embaixador palestino e observador nas Nações Unidas, resumiu melhor: “A Copa do Mundo no Catar foi um golpe decisivo nas ilusões de Israel. O vencedor desta Copa do Mundo já é conhecido, é a Palestina – com sua bandeira carregada por pessoas de todos os cantos do mundo árabe e do resto do globo, presente em todas as partidas e nos cânticos populares. Pergunte aos jornalistas israelenses na Copa do Mundo e eles dirão que nada pode normalizar a ocupação israelense e nada pode arrancar a Palestina dos corações e mentes das pessoas”.

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