Mao Zedong – “O lugar de Stálin na História”

Extraído do editorial do jornal Diário do Povo, 5 de abril de 1956

Após a morte de Lênin, Stálin enquanto líder dirigente do Partido e do Estado criativamente aplicou e desenvolveu o Marxismo-Leninismo. Na luta para defender o legado do leninismo de seus inimigos – trotskistas, zinovievistas e outros agentes burgueses – Stálin expressou a vontade e o desejo do povo e provou ser um excepcional militante marxista-leninista. A razão pela qual Stálin conquistou o apoio do povo soviético e teve um importante papel na história foi primariamente porque ele, junto de outros líderes do Partido Comunista da União Soviética, trouxe o triunfo do socialismo na União Soviética e criou as condições para a vitória da União Soviética na guerra contra Hitler; estas vitórias do povo soviético se conformaram aos interesses da classe trabalhadora e progressistas do mundo todo. Era então bastante natural que o nome de Stálin seria honrado de grande modo em todo o mundo. Mas tendo conquistado tão grande honra entre o povo de sua terra e no exterior por conta de sua correta aplicação da linha leninista, Stálin erroneamente exagerou o seu próprio papel e contrapôs a sua autoridade individual à liderança coletiva, e como o resultado certas de suas atitudes foram opostas aos conceitos fundamentais do Marxismo-Leninismo que ele propagou…

Marxista-Leninistas acreditam que líderes tem um grande papel na história. O povo e os seus partidos necessitam de precursores que estão aptos a representar os interesses e a vontade do povo, estarem na vanguarda de suas lutas históricas e servir como seus líderes. Mas quando qualquer líder do Partido ou do Estado se coloca acima do Partido e das massas, em vez de se colocar entre elas, quando se afasta das massas, ele deixa de ter uma ampla e penetrante visão dos assuntos do Estado. Enquanto este for o caso, até mesmo uma personalidade notável como a de Stálin não poderia evitar tomar decisões irrealistas e errôneas sobre certos assuntos importantes… Durante o último período de sua vida, Stálin teve cada vez mais prazer neste culto ao indivíduo e violou o sistema de centralismo democrático do Partido e o princípio de combinar a liderança coletiva com responsabilidade individual. Como resultado, ele cometeu alguns erros graves: por exemplo, ele ampliou o escopo da supressão da contrarrevolução; faltou a ele vigilância necessária às vésperas da guerra antifascista; ele falhou em dar a devida atenção ao desenvolvimento da agricultura e ao bem-estar material do campesinato; ele deu alguns conselhos errados sobre o movimento comunista internacional e, em particular, tomou uma decisão errada sobre a questão da Iugoslávia. Nessas questões, Stálin vítima total do subjetivismo e da unilateralidade se divorciou da realidade objetiva e das massas.

O culto ao indivíduo é uma herança podre da longa história da humanidade. O culto ao indivíduo está enraizado não só nas classes exploradoras, mas também nos pequenos produtores. Como se sabe, o patriarcalismo é produto da economia do pequeno produtor…

A luta contra o culto do indivíduo, que foi lançada pelo XX Congresso, é uma grande e corajosa luta dos comunistas e do povo da União Soviética para remover os obstáculos ideológicos que impedem seu avanço…

Deve ser apontando que os trabalhos de Stálin devem, como antes, serem estudados seriamente e devemos aceitar tudo que há de valioso neles, como um importante legado histórico, especialmente os vários trabalhos em que ele defendeu o Leninismo e corretamente sumarizou a experiência de construção da União Soviética. Mas há dois modos de estudar suas obras – o modo marxista e o modo doutrinário. Algumas pessoas tratam os escritos de Stálin de modo doutrinário e, portanto, não consegue analisar o que é correto e o que não é, tudo que é correto consideram uma panaceia e aplicam indiscriminadamente e logo, inevitavelmente cometem erros. Por exemplo, Stálin apresentou uma formula em que em diferentes períodos revolucionários o golpe principal deve ser dirigido de modo a isolar forças sociais e políticas intermediárias da época. Esta fórmula de Stálin deve ser tratada de acordo com as circunstâncias e de um ponto de vista crítico e marxista. Em certas circunstâncias, pode ser correto isolar as forças intermediárias, mas não é correto isolá-las em todas as circunstâncias. Nossa experiência nos ensina que o golpe principal da revolução deve ser dirigido ao inimigo chefe e isolá-lo, enquanto com as forças médias deve-se adotar uma política de união e luta contra elas, para que pelo menos sejam neutralizadas; e, se as circunstâncias permitirem, esforços devem ser feitos para transferi-las de sua posição de neutralidade para uma de aliança conosco, a fim de facilitar o desenvolvimento da revolução. Mas houve um tempo – os dez anos de guerra civil de 1927 a 1936 – em que alguns de nossos camaradas aplicaram grosseiramente essa fórmula de Stálin à revolução chinesa, voltando seu ataque principal contra as forças intermediárias, destacando-as como o inimigo mais perigoso; o resultado foi que, em vez de isolar o verdadeiro inimigo, nos isolamos e sofremos perdas em proveito do inimigo real. À luz deste erro doutrinário, o Comitê Central do Partido Comunista da China, durante o período da guerra anti-japonesa, formulou uma política de desenvolvimento das forças progressistas, conquistando as forças intermediárias e isolando os teimosos pelo propósito de derrotar os agressores japoneses…

Algumas pessoas consideram que Stálin errou em tudo. Este é um grave equívoco. Stálin foi um grande marxista-leninista, mas ao mesmo tempo um marxista-leninista que cometeu vários erros grosseiros sem perceber que eram erros. Devemos ver Stálin de um ponto de vista histórico, fazer uma análise adequada e completa para ver onde ele estava certo e onde estava errado e tirar lições úteis disso. Tanto as coisas que ele fez certo quanto as coisas que ele fez errado foram fenômenos do movimento comunista internacional e trouxeram as marcas da época. Considerado como um todo, o movimento comunista internacional tem apenas pouco mais de cem anos e se passaram apenas trinta e nove anos desde a vitória da Revolução de Outubro; a experiência em muitos campos do trabalho revolucionário ainda é inadequada. Grandes conquistas foram feitas, mas ainda existem lacunas e erros…

Forças reacionárias em todo o mundo estão ridicularizando este evento: eles zombam do fato de que estamos superando erros em nosso campo. Mas o que acontecerá com todo esse ridículo? Não há a menor dúvida de que esses escarnecedores se encontrarão diante de um ainda mais poderoso, para sempre invencível, grande campo da paz e do socialismo, liderado pela União Soviética, enquanto as empresas assassinas e sugadoras de sangue desses escarnecedores estarão em uma difícil situação.


Texto originalmente publicado em inglês no site marxists.org, disponível neste link.

Tradução por Andrey Santiago

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