A Teoria da Guerra de Engels

Trecho retirado do livro “The First Red Clausewitz”: Friedrich Engels and Early Socialist Military Theory, 1848 – 1870”, editora Tannenberg Publishing, escrito por Michael A. Boden.

Tradução por Iago Braga.


A Teoria da Guerra de Engels

Até 1870, a maioria dos trabalhos de Engels consistiam de artigos em revistas e periódicos com alguns pequenos, porém, importantes panfletos intercalados. De seu trabalho, a maioria tratou até certo ponto da questão militar de sua época. Embora não tenha sido um pensador totalmente inovador nesses anos, Engels começou a formular muitas das ideias e concepções que moldaram seu processo de pensamento à medida em que pensava nas questões militares e em como elas se relacionariam com os movimentos revolucionários no futuro. Mesmo que muitos dos elementos a seguir não se relacionem diretamente com movimentos insurgentes e combates de guerrilha, todos eles foram intercalados regularmente com ideias que enquadrariam na estrutura de Engels de tal guerra. Em todas as áreas discutidas a seguir, Engels extraiu lições importantes e formulou pensamentos críticos que desempenharam papéis importantes na determinação de sua concepção das operações de guerrilha.

Velocidade

Na guerra e, particularmente, na guerra revolucionária, a rapidez de ação até que alguma vantagem decisiva seja obtida é a primeira regra.[i]

De todas as ideias e princípios que Engels estabelece em suas observações, um elemento-chave percorre todos os seus comentários. O conceito de velocidade e rapidez em qualquer missão que os exércitos empreendam é de suma importância. Embora Engels continuamente enfatizasse a ousadia e a agressividade na face de um inimigo ativo, a ideia de velocidade unificou essas diferentes peculiaridades e as fizeram parte de uma tática coerente e um todo operacional. Essa concepção de necessidade de velocidade durante a condução de operações reapareceu ao longo dos escritos de Engels e foi trazida em particular pelas façanhas de Napoleão e pelas guerras que ele lutou. Um dos alvos favoritos de Engels na área dos movimentos lentos eram os austríacos e ele olhou para trás, para as batalhas napoleônicas de Eckmühl e de Abensberg como instâncias onde o provérbio austríaco “sempre em frente lentamente” se fez mais crítico e decisivo no destino da operação do que qualquer outra consideração[ii]. Novamente em maio de 1859, durante a Campanha de Solferino, Engels ironicamente comentou: “A campanha continua a se manter preeminente nos anais da guerra moderna pela lentidão. Quase parecemos ser transplantados de volta àqueles tempos antediluvianos de guerra pomposa e sem ação, aos quais Napoleão deu um fim tão repentino e decisivo.[iii]

Em seus escritos sobre as revoltas na Hungria no meio do século, a maioria das observações de Engels trataram sobre a necessidade da tática de velocidade e rapidez. Como os húngaros permaneceram em enorme desvantagem em armamento e em pessoal durante toda a campanha, Engels viu a energia e a “organização rápida” da liderança húngara, particularmente de Kossuth, como vital para se alcançar o sucesso no movimento.[iv] De modo similar, na Campanha do Palatinado, Engels ficou novamente irritado com a liderança prussiana pela falta de iniciativa que eles demonstraram na supressão dos insurgentes. Engels estava intrigado e surpreso pela lentidão apresentada pelos prussianos, contra uma força bem menor e menos treinada que o seu exército profissional, enquanto eles tentavam abafar a revolta.[v]

A frente russo-turca na Guerra da Crimeia forneceu excelentes exemplos de onde tais fortunas vazaram e jorraram na opinião de Engels. Desde o início, Engels não viu outra maneira de os turcos terem sucesso em sua campanha contra os russos, exceto por um movimento ousado, agressivo e rápido. Repetidamente, ele enfatizou esse ponto comentando sobre a disposição das forças russas face aos exércitos turcos, tanto ao longo do Danúbio quanto no Cáucaso, ou sobre as próprias forças turcas. O melhor exemplo de sucesso turco nesse contexto consistiu das práticas do General Ismail Paxá, o comandante do Forte de Kalafat, que conseguiu concentrar rapidamente uma força substancial para manter o posto avançado operacionalmente importante.[vi] Junto aos êxitos, no entanto, Engels reconheceu as falhas de ambos os lados em aproveitar qualquer vantagem pela rapidez do movimento. A lenta ação dos comandantes russos, particularmente o marechal-de-campo Mikhail S. Vorontsov e o general Alexander M. Gorchakov, levou a potenciais desastres russos, mas foram combatidos cada um por desempenhos turcos igualmente trágicos.[vii]

Enquanto a Guerra da Criméia se arrastava, Engels se frustrava ainda mais com as aparentemente intermináveis falhas dos exércitos adversários em obter vantagens. Seguindo a queda de Sebastopol em setembro de 1855, ele escreveu para o New York Daily Tribune que “Toda essa guerra tem sido, aparentemente, uma guerra de fortificações e cercos e tem, para os olhos de observadores superficiais, aniquilado completamente o progresso feito pelas manobras rápidas de Napoleão, levando assim a arte da guerra de volta para os dias da Guerra dos Sete Anos.[viii]” A guerra tinha sido, na sua visão, uma mescla pobre de unidades e líderes sendo “excessivamente cautelosas” e de outras serem muito imprudentes e precipitadas em suas decisões, melhor exemplificada pelo famoso comando de Raglan. Em meio às diversas operações de cerco em que se consistiu a guerra, a única oportunidade para rapidez e velocidade ocorreu quando houveram brechas nos muros ou nos fortes.

Durante as guerras coloniais nos anos seguintes à Guerra da Crimeia, Engels encontrou alguns exemplos de líderes que estavam dispostos e eram capazes de executar uma operação rápida e bem-sucedida. O mais significativo entre eles ocorreu no teatro de guerra que Engels achou mais impressionante, as operações britânicas contra os indianos. Particularmente no Cerco de Lucnau, em janeiro de 1858, Engels encontrou o comandante britânico General Colin Campbell, um excelente líder e estrategista, principalmente porque ele manteve a capacidade de avançar rapidamente quando necessário.[ix] Engels comparou isso com a velocidade e energia dos amotinados indianos, que também conquistaram o respeito de Engels. A respeito de suas operações contra Campbell no verão de 1858, Engels notou que os insurgentes faziam círculos em torno dos britânicos. Ele nota, “eles estavam por toda parte, menos onde ele [Campbell] os procurou, e quando ele esperava encontrá-los na frente, há muito eles haviam ganhado novamente sua retaguarda.”[x] Os britânicos, portanto, para proteger sua retaguarda e manter suas próprias linhas de comunicação, foram obrigados a perseguir essas forças irregulares. Apesar dos problemas que afligiam as forças insurgentes, essas operações exemplificavam melhor a maneira pela qual o exército revolucionário insurgente podia ser mais efetivo contra uma força regular de profissionais treinados.[xi] As outras deficiências que os indianos possuíam, no entanto, negaram as conquistas positivas que eles alcançaram.

Como mencionado acima, a campanha de 1859 representou um outro episódio frustrante na guerra com lenta condução. Enquanto os franceses e os austríacos foram criticados por Engels por causa de seu ritmo lento de operações, os franceses pelo menos tiveram alguns pequenos sucessos que impactaram pelo menos um pouco na campanha. No cerne da Batalha de Solferino em julho de 1859, o Quinto Corpo de exército francês foi capaz de engajar uma pequena parte de sua força na batalha após duas marchas forçadas, uma conquista notabilizada por Engels.[xii] Os austríacos, entretanto, não tiveram essa boa sorte. O general Ferencz Gyulai, que Engels considerava antes das campanhas como um dos melhores generais contemporâneos no campo, deixou escapar inúmeras oportunidades por causa de um desânimo e da lentidão de movimento. Era como se, segundo Engels, a campanha fosse uma corrida para ver qual exército conseguiria concentrar suas tropas e atacar primeiro. Não foi tanto que o mais rápido venceu (os franceses), mas sim que o mais lento perdeu (os austríacos).[xiii]

Com o final desse período, Engels localizou duas instâncias de operações militares em que a velocidade estava presente e, comprovadamente, levou a operações bem-sucedidas. Primeiro, foi na Sicília em meio às revoluções italianas que Engels finalmente encontrou um general na Itália que demonstrou sucesso tático por meio de movimentos rápidos, Giuseppe Garibaldi. Para conduzir atividades revolucionárias, “uma ousada ofensiva era o único sistema tático permitido”.[xiv] Em sua campanha no começo da década de 1860, Garibaldi demonstrou a Engels que tinha a capacidade não apenas de comandar pequenas unidades guerrilheiras, mas também de comandar forças convencionais maiores. O principal critério para esse julgamento foi a capacidade de Garibaldi de “repentinamente fazer manobras de flanco e reaparecimento antes de Palermo, do lado onde menos ele era esperado e seu ataque enérgico” que o marcou como um estrategista de primeiro grau.[xv]

O segundo exemplo ocorreu seis anos depois, na campanha prussiana de 1866 contra a Áustria. Apesar de todas as deficiências que Engels viu nos desdobramentos e disposições iniciais da Prússia, ele reconheceu que os prussianos superaram o que ele via como deficiências críticas em seus planos. Embora seu retrocesso permanecesse condicional, ele admitiu em alguns artigos após o interregno das hostilidades que a superioridade (percebida) dos austríacos afundou não apenas através da existência e aplicação dos fuzis Dreyse [fuzil de ignição por agulha], mas também por meio da “terrível energia tática”, do “inesperado arrojo” e da “pontualidade” com que os prussianos conduziram a campanha.[xvi]

Tecnologia

A revolução terá que lutar com a moderna arte da guerra e seus modernos recursos contra a moderna arte da guerra e seus modernos recursos.[xvii]

Introdução

Após a revolução abortada no Palatinado Renano em 1849, Engels escreveu uma série de artigos para o Neue Rheinische Zeitung, Politisch-öconomische Revue intitulada “A Campanha pela Constituição Imperial Alemã” no final de 1849 e início de 1850. Em abril do ano seguinte ele também escreveu um manuscrito sem título sobre as “Condições e perspectivas de uma guerra da Santa Aliança contra a França em 1852”. Nestes artigos, ele dedicou um tempo considerável à discussão da importância do avanço tecnológico e seu papel no futuro não apenas para a guerra, mas também para o movimento revolucionário. Uma das razões continuamente enfatizadas por Engels para a perda dos insurgentes na campanha de 1849 foi o grau em que o exército revolucionário permaneceu em desvantagem numérica e belicamente pelas forças do governo prussiano. No futuro, os movimentos revolucionários quase que universalmente se encontrariam em situações semelhantes e teriam que contar com outros meios para reduzir a correlação de forças contra eles e influenciar o conflito a seu favor. Seria imperativo para as forças revolucionárias, portanto, fazer o uso mais benéfico possível das novas tecnologias para compensar outras desvantagens que as desafiam. Com base em fontes históricas, Engels enfatizou que o uso inovador de novos instrumentos técnicos serviu em guerras anteriores. Especificamente, Engels cita o marechal francês Henri de La Tour d’Auvergne de Turenne e o monarca prussiano Frederik, o Grande, por revolucionar a infantaria por meio da “supressão da cavilha e do fósforo pela baioneta e pederneira”.[xviii] Engels preconiza particularmente Frederik por sua “conquista que marcou época na ciência da guerra” quando “em geral, dentro dos limites da época, ele transformou e desenvolveu as velhas táticas em conformidade com os novos instrumentos [de guerra]”.[xix] Foi esse mesmo tipo de inovação e pensamento que Engels viu como imperativo para que os movimentos revolucionários nascentes tenham sucesso e se concentrem quando escreveu sobre o impacto da tecnologia na guerra.

Na arena da tecnologia, Engels foi capaz de detectar muitas tendências diferentes antes que elas realmente impactassem o campo de batalha, embora seu principal interesse fosse o domínio dos impactos imediatos no poder de fogo. Muito provavelmente devido à sua experiência anterior como artilheiro no serviço prussiano, ele refletiu muito sobre as melhorias naquele serviço de exército entre a época de Napoleão e a Comuna de Paris. No domínio da infantaria, suas principais observações trataram do impacto dos rifles de retrocarga e das vantagens que os soldados portando essas armas carregavam para o combate. Outras formas de avanço tecnológico, mais estratégicas, aparecem também nos escritos de Engels, destacando-se entre elas o impacto do vapor e das ferrovias, principalmente na forma como cada uma delas impacta os aspectos logísticos de uma campanha.

Artilharia

Fundamentais na mente de Engels a respeito do crescente impacto da tecnologia no campo de batalha eram os papéis e funções da artilharia e as melhorias que ocorreram nos últimos séculos. Seus primeiros comentários ocorreram, como na maioria das áreas, durante sua escrita para o Neue Rheinische Zeitung sobre os conflitos de meados do século na Hungria. Suas observações neste momento, no final da década de 1840 e início da década de 1850, não refletem totalmente a considerável atenção aos detalhes que ele desenvolveu mais tarde em sua vida. Em sua maior parte, suas reflexões trataram do fato de o elemento simplista dos húngaros ser superado tecnologicamente pelas forças opostas austríacas. No início de 1849, antes da grande base industrial húngara que podia produzir as quantidades necessárias de canhões de campanha com a qualidade necessária.[xx]

Embora seus primeiros escritos sobre a condição da artilharia, particularmente na campanha húngara, permaneçam bastante simplistas e carentes do nível de análise que aparece nos anos subsequentes, Engels às vezes demonstrou grande parte da atenção aos detalhes e a observação das especificações seus escritos um grau de individualidade e legitimidade no futuro. A maioria desses comentários discutia os problemas dos austríacos no transporte de suas grandes peças de artilharia nas condições climáticas específicas da Hungria central. Durante as manobras de fevereiro de 1849, quando os húngaros começaram a empurrar os austríacos para o oeste, Engels dedica um tempo considerável à discussão dos problemas que o Príncipe de Windisch-Gratz, comandante das forças austríacas, encontrou ao transportar suas pesadas baterias de 12 libras. Engels não apenas notou os problemas envolvidos nesse transporte, mas também reconheceu a razão primária para o problema, sendo o desenho e as dimensões dos aros das rodas da artilharia austríaca. Engels viu esse dilema como um ponto importante na equalização do poder de combate na campanha.[xxi]

Os húngaros usaram vantagens como essas em suas operações bem-sucedidas contra os austríacos por uma série de razões. De uma maneira particular, o impacto dos problemas tecnológicos da Áustria alimentou o sucesso húngaro. Nessas observações está um dos elementos-chave dos aportes militares de Engels –  o uso de manobras rápidas para infligir o máximo de dano a uma força superior. Os magiares usaram “a execução mais ousada e rápida” de suas missões para compensar sua inferioridade tecnológica e numérica em relação aos austríacos.[xxii] Essa tendência continuou na próxima experiência de combate de Engels, a rebelião no Palatinado. Essa experiência, a primeira e única em que Engels lutou pessoalmente, reforçou muitas das ideias rudimentares da mente de Engels a respeito da condução da guerra. O impacto da artilharia nesta ação permaneceu insignificante, pelo menos sob a perspectiva dos insurgentes. O próprio Engels limitou seus comentários à mera observação de que a coleção “heterogênea” de armas que os insurgentes possuíam continha “para toda a artilharia dois ou três pequenos morteiros”.[xxiii] Havia a possibilidade de capturar e usar algumas munições desatualizadas, mas úteis, do Fruchthalle em Kaiserslautern, e Engels criticou a maneira como seus compatriotas desperdiçaram tal oportunidade.[xxiv] Em escritos posteriores para o New York Daily Tribune em março de 1852, Engels tentou usar tais argumentos como desculpa para o mau desempenho dos insurgentes, perguntando para que serviam “algumas peças velhas, gastas, mal montadas e mal servidas de munições tinham os insurgentes para opor a essa artilharia numerosa e perfeitamente equipada”.[xxv] Com exceções, os comentários de Engels sobre as vantagens da artilharia não iam além da observação de que os insurgentes tinham pouco, enquanto os prussianos tinham muito.[xxvi] Embora certamente muito longe do que ele alcançaria mais tarde, nesses comentários simplistas Engels expôs a raiz de sua futura base analítica.

As observações mais astutas de Engels começaram quando ele escreveu sobre a Guerra da Crimeia para o New York Daily Tribune. O foco nesses artigos foi além dos simples argumentos de mais versus menos e as pronúncias vagas relativas à qualidade e começou a se concentrar no impacto tático das práticas e procedimentos de artilharia de som no combate. Engels concluiu que os britânicos, longe de seu súdito mais popular, tinham a artilharia de maior sucesso no conflito, citando-os como os mais eficazes para derrubar fortificações e outras obras defensivas. Os britânicos eram capazes, escreveu Engels, de produzir o equilíbrio adequado entre o peso do projétil e a carga para criar o máximo resultado possível quando disparados contra o alvo.[xxvii] Os franceses, observou Engels, não foram tão bem-sucedidos na redução de fortificações devido à falta de morteiros e obuses, mesmo por meio de algumas de suas técnicas, como o método de disparar suas peças horizontalmente em defesas de canhoneiras e portos de tiro, eram dignos de crédito.[xxviii] Na verdade, Engels via os franceses como líderes internacionais no desenvolvimento de práticas e melhorias de artilharia, resultado em grande parte do impacto de Napoleão, mas continuando ao longo do século.[xxix] A única exceção a essa observação ocorreu nos comentários de Engels sobre o advento dos canhões carregados pela culatra, observando que os modelos franceses não correspondiam aos padrões de outras nações, principalmente por causa de problemas de mão de obra.[xxx]

Até este ponto em sua carreira, Engels se limitou principalmente a observações que ilustram a progressão do desenvolvimento até o momento e a sinopse e análise do estado atual das coisas. Após o conflito da Crimeia, ele foi mais longe do que isso e começou a fazer comentários sobre os elementos da guerra que afetariam o futuro do combate. Embora seus escritos tenham permanecido um tanto limitados no final da década de 1850 e início da década de 1860, Engels começou a ver tendências e avanços tecnológicos que impactariam as operações futuras e, com um grau notável de percepção, iniciou uma elaboração sobre exatamente quais seriam ou poderiam ser essas contribuições. Frequentemente ao longo de sua vida até meados de 1860, Engels comentou sobre o impacto de canhões de campanha e armas de carga de culatra. Em 1859, com a publicação de seu panfleto “Pó e Reno”, ele comentou sobre melhorias e desenvolvimentos específicos, como os canhões Armstrong. Essa arma não era apenas significativa por causa do impacto tecnológico que tinha, mas também por causa da maneira como revolucionou as táticas de artilharia, tornando a artilharia leve mais manobrável e ágil no campo de batalha moderno.[xxxi]

Em 1860, Engels escreveu uma série de artigos para o New York Daily Tribune que tratava do impacto dos canhões estriados na guerra. Grande parte de sua exposição tratou do impacto não apenas da artilharia pura no campo de batalha, mas também da maneira como a artilharia afetaria e seria afetada por novos desenvolvimentos no armamento de infantaria. A maior vantagem dos novos tipos de sistemas de artilharia, segundo a análise de Engels, era a maneira como os projéteis disparados por esse canhão tinham um impacto maior por peso do projétil, baseado na capacidade de projeção da força do cano. Dessa forma, os mesmos efeitos poderiam ser produzidos com o uso de canhões de campanha mais leves, aumentando a mobilidade e a flexibilidade das tropas de serviço.[xxxii] Havia algumas inadequações das peças estriadas, que Engels expôs. A maioria dessas críticas, como os problemas de usar detonadores de tempo e estilhaços com canhões estriados, foi corrigida por novos avanços tecnológicos e pela prática nas guerras da década de 1860.[xxxiii] Engels também notou o problema de educar e treinar equipes de artilharia para o serviço com o novo canhão de campanha. Embora certamente fossem mais precisos, o grau de treinamento necessário para apontar e ajustar o tiro estava além das atuais condições dos exércitos na Europa.[xxxiv] Na análise final, no entanto, Engels concluiu que “as vantagens dadas pelos canos dos canhões… ainda são tão grandes que é imperativo para todo exército que nunca lutou com inimigos civilizados acabar com todos os canos lisos, tanto em armas de pequeno porte quanto em artilharia”.[xxxv]

Engels deu continuidade a essa tendência analítica ao contribuir com setenta e um verbetes para a The New American Cyclopaedia. A vasta maioria desses verbetes lidava com itens militares e, dentro deste grupo, vinte e nove termos relacionados à artilharia e ao uso em algum grau.[xxxvi] Historicamente, Engels viu o impacto de Gribeauval e suas melhorias no ramo como crítico e uma das inovações mais importantes que aconteceram no Exército francês pré-revolucionário.[xxxvii] Uma segunda tendência que apareceu nesses verbetes de Engels é a importância dos novos avanços da artilharia para as marinhas do mundo. A principal razão para isso foi o novo advento dos navios revestidos de aço. Canhões novos, poderosos e estriados agora assumiam um papel de vital importância para a penetração dessas novas armadas.[xxxviii]

Esse novo ponto levou ao que possivelmente poderia ser uma das observações mais astutas de Engels na década de 1860 – a importância dos navios com torres para as operações navais. No final da primavera de 1862, Engels comentou sobre a batalha entre o Merrimac e o Monitor na Guerra Civil Americana. Embora reconhecendo a importância do navio de guerra de ferro, Engels olhou para esta batalha da perspectiva oposta, avaliando a melhor forma de lutar contra um desses navios. A este respeito, ele viu a característica mais crucial do futuro combate naval como armar navios de guerra com os canhões mais pesados ​​possíveis. Consequentemente, armas de tal tamanho e peso não podiam ser montadas nas laterais dos navios como era usualmente a prática, mas deveriam ser montadas no meio dos navios para manter o equilíbrio e a estabilidade adequados. O navio deve, no entanto, ainda ser capaz de manter um padrão defensivo de 360 ​​graus em seu entorno, e com o número limitado de armas pesadas que os novos navios de guerra mantiveram a capacidade de montar o método mais eficaz de utilizar essas armas seria nas torres. No raciocínio de Engels, “os navios-torre constituirão, a partir de agora, a força decisiva de qualquer marinha”.[xxxix] Quando montados com os canhões mais pesados possíveis da época (dez a quinze polegadas), os navios-torre são “incomparavelmente os navios mais fortes tanto para a defesa adequada quanto para operações ofensivas nas costas vizinhas”.[xl]

Existem alguns problemas com a nova implantação de navios-torre que Engels reconheceu. Engels observou o problema das ações navais de longa distância e reconheceu a necessidade de navios de guerra tradicionais revestidos de ferro, desde que atendessem a duas condições. Primeiro, a cauda logística para tais operações em mar aberto deve ser suficiente para manter a força. E, em segundo lugar, as forças tradicionais montadas na lateral não devem ser enviadas para uma arena onde iriam se deparar com qualquer navio-torre. Como a Inglaterra apresentava, na mente de Engels, a ameaça mais proeminente aos estados alemães no início da década de 1860, e naquela época estava muito à frente da Prússia na produção de navios de guerra blindados, Engels também pediu uma resposta rápida e forte na construção de defesas costeiras para conter qualquer ameaça britânica. A Prússia “deve agir e se afastar. Qualquer atraso pode nos custar uma campanha”.[xli] Armas com a força, o calibre e o número necessários para tornar a costa alemã invencível estariam disponíveis nas fábricas de Krupp se uma ação rápida fosse tomada.[xlii]

Infantaria

Os principais comentários de Engels sobre o avanço tecnológico do armamento da infantaria trataram do impacto das armas de carregamento pela culatra. Seus primeiros comentários sobre a importância desse novo sistema de armas ocorreram em seus escritos sobre a insurgência palatina quando ele comparou as forças opostas. Não apenas os insurgentes estavam em menor número e com menos armas, mas os prussianos tinham um batalhão inteiro de forças com “fuzis de agulha” engajados na operação.[xliii] Os insurgentes não estavam tecnologicamente superados pelos fuzis dos prussianos, mas estavam armados apenas com mosquetes contra os rifles prussianos. Novamente, neste estágio, pode-se notar a falta de familiaridade de Engels com termos técnicos e especificações dos sistemas, já que ele apenas se referiu aos “rifles de bala alongados” dos soldados prussianos. Ele estava ciente o suficiente, no entanto, para notar o efeito, em termos de alcance de balas e poder de fogo total, desse inimigo tecnologicamente avançado.[xliv] Talvez essa experiência tenha moldado de alguma forma suas opiniões para seus escritos posteriores. Quatro anos depois, ele escreveu depreciativamente sobre o desenvolvimento das pequenas armas na Inglaterra, não tendo nada “remotamente comparável” aos fuzis prussianos ou mesmo ao rifle francês, o Chassepot.[xlv]

Novamente, começando com a Guerra da Crimeia, Engels começou a desenvolver uma mente mais analítica a respeito do uso de termos e tendências tecnológicas. Ele agora chamou os novos “rifles de bala alongada” mais apropriadamente de fuzil Minié, e Engels notou seu impacto nos campos de batalha ao redor do Mar Negro, particularmente nas áreas de tiro e escaramuça. Até mesmo o exército turco parecia ter capacidades avançadas com a incorporação dessas armas.[xlvi] Essas observações começaram a ser corroboradas por fatos, como quando Engels estudou a Batalha de Inkerman em novembro de 1854 e marcou as diferenças entre o poder do mosquete do exército russo e as balas Minié dos franceses e ingleses. Embora os detalhes da comparação permaneçam um tanto vagos (e Engels provavelmente não estava acima de exageros como citar uma única bala Minié penetrando e “muitas vezes matando quatro ou cinco [homens]”), a base para comparação não estava enraizada em uma quantidade mensurável –  grau de penetração ou força da arma.[xlvii] Os russos, sob essas circunstâncias, “não tinham chance contra as tropas ocidentais em uma luta equilibrada, nem mesmo com as probabilidades que ela tinha em Inkerman”.[xlviii] Engels enfatizou este ponto novamente quando ele contribuiu com o artigo “Alma” para The New American Cyclopaedia, comentando sobre o impacto dos fuzis Minié, destruindo todas as linhas russas durante a Guerra da Crimeia.[xlix]

Muitas dessas tendências e comentários logo foram confirmados pelos acontecimentos, quando Engels notou a transição dos outros exércitos da Europa dos mosquetes para os fuzis. Os britânicos armam todo o seu exército com os fuzis Minié (Pritchett) e os prussianos com os fuzis Dreyse, enquanto transformam seus mosquetes em bons fuzis capazes de disparar balas Minié e até mesmo desenvolvendo planos para transformar suas reservas em tais unidades equipadas.[l] Da mesma forma, cinco anos depois, Engels criticou os prussianos por não seguirem com esse plano, censurando-os por manter uma “variedade quase incalculável de calibres para armas pequenas”.[li] O plano inicial prussiano, “que ofereceu uma ocasião tão esplêndida para equalizar os calibres em toda a Alemanha, não só foi vergonhosamente negligenciado, mas tornou as coisas piores”.[lii] Comparando os dois, Engels postulou sobre a possibilidade da Prússia parcialmente equipada (um batalhão de cada regimento) com o alcance expandido de fuzis Dreyse lutando contra os britânicos, armadas em toda a linha com rifles Lee–Enfield, disparando distâncias mais longas do que quaisquer outros mosquetes atualmente em uso.[liii] Engels deu a entender, embora não tenha se manifestado e dito abertamente, que favorecia os britânicos nesse embate, pelo menos durante os primeiros meses de luta.

Em seus artigos para a The New American Cyclopaedia, Engels continuou este comentário sobre o impacto dos rifles e o distanciamento dos mosquetes em muitos de seus artigos. Por exemplo, em “Infantaria”, ele escreveu sobre esta nova tecnologia mudando completamente a guerra com base em “uma razão matemática muito simples”.[liv] Em um comentário que seria validado várias vezes na Guerra Civil Americana, Engels citou essa nova mudança como dando à defesa “uma vantagem imensa, de 1000 a 300 jardas, sobre a força de ataque”.[lv] Junto com essa capacidade defensiva adicionada aos exércitos pelo uso e incorporação crescentes de rifles, Engels deu aos franceses, especificamente aos caçadores franceses, o crédito pela criação de um método de instrução e abordagem científica para o uso e disposição dessas forças.[lvi]

O ponto culminante dos escritos de Engels pré-1870 sobre o impacto da nova tecnologia de pequenas armas foram seus comentários sobre a Guerra Austro-Prussiana de 1866. Seus comentários foram particularmente perspicazes, dada a vasta divergência de sua previsão com o resultado real dos eventos. Antes do início do conflito, no final de junho de 1866, Engels escreveu que “apesar do fuzil Dreyse, as chances são contra os prussianos”.[lvii] Mesmo durante o curso da campanha, Engels era cético quanto às chances prussianas de sucesso, principalmente decorrentes da suposta superioridade austríaca nas áreas de liderança, organização, tática e moral. Mesmo após a Batalha de Gitschin, uma vitória prussiana, Engels permaneceu cético, embora tenha citado o fuzil de agulha como um dos principais aspectos que contribuíram para a derrota austríaca na batalha.[lviii] Ele atribuiu tanto do sucesso prussiano durante o curso da campanha à arma Dreyse que até mesmo minimizou outros elementos da campanha em andamento, escrevendo que, “ao mesmo tempo, devemos atribuir a maior parte de qualquer sucesso que eles [os prussianos] sofreram com os seus carregadores de culatra; e se nunca chegarem às dificuldades em que os seus generais tão desenfreadamente os colocaram, terão de agradecer ao fuzil de agulhas por isso”.[lix] O que é mais notável sobre a campanha de 1866 – e as reminiscências de Engels sobre ela – é o fato de que, quando os eventos provaram que as ruminações de Engels estavam incorretas, ele admite graciosamente seu erro de julgamento. Quando ele comentou sobre as razões dos sucessos prussianos, no entanto, ele não concedeu ao fuzil Dreyse o mesmo grau de responsabilidade que seus comentários anteriores parecem indicar.[lx]

Rede de transporte, ferrovias e vapor

Logo no início, Engels reconheceu o impacto que novos desenvolvimentos tecnológicos sobre o transporte teriam nas operações futuras. Em um de seus primeiros escritos sobre operações militares, em janeiro de 1848, quando ainda era relativamente pouco qualificado e analfabeto na abordagem científica e estudiosa da análise militar, ele abordou a importância da construção das primeiras ferrovias pela Inglaterra em 1831.[lxi] Logo depois, em junho do mesmo ano, ao comentar os levantes de Vestfália, calculou a força prussiana na região com base na capacidade de reforçar as tropas existentes com dois regimentos (o 13º e o 15º) em poucas horas com base na disponibilidade de transporte ferroviário.[lxii]

Engels permaneceu calado sobre o impacto e as potenciais consequências de uma rede de transporte ferroviário durante sua discussão sobre a insurreição húngara, possivelmente devido à sua ênfase na falta de avanços tecnológicos que os húngaros possuíam em comparação com os austríacos. Ele, no entanto, gastou uma quantidade considerável de tempo discutindo operações na Itália entre os franceses e os austríacos. De importância crítica para Engels era a capacidade dos exércitos de se desdobrar rapidamente para o teatro de guerra e reforçar as operações com base nas capacidades de movimento relativamente novas presentes na década de 1850. Não só o transporte ferroviário, que permitiu resposta rápida e oportuna e reforço de Paris para os franceses com suas excelentes redes ferroviárias, mas também as novas estradas pavimentadas sobre os Alpes que permitiram manobras ampliadas, além do que foi possível durante as guerras de Napoleão.[lxiii] O transporte movido a vapor, que ajudou os franceses a realizar tais manobras, foi um dos “dois novos elementos” que Engels citou como tendo “mudado a guerra significativamente” desde a época de Napoleão.[lxiv] Surpreendentemente, Engels não deu muita atenção ao impacto do transporte no rápido avanço prussiano na Prússia, levando à rápida vitória em 1866.

Operações de Retaguarda

Em seus escritos, Engels se devotou ao conceito de suporte de serviço. Para ele, a ideia de conduzir operações com um suporte prolongado de vida não era apenas perigosa, mas também traidora. Muitos dos comentários de Engels consideram a ligação dessas linhas de comunicação e o apoio correspondente dos exércitos no campo como a prossecução de alguma forma de guerrilha ou guerra irregular. Em sua maioria, os movimentos revolucionários permaneceram na extremidade inicial do espectro para tais operações e tinham a intenção de atingir essas linhas quando e onde fossem mais vulneráveis, com as forças mais apropriadas. Para os exércitos regulares que tinham que proteger suas próprias linhas de comunicação, era de vital importância que eles não permitissem que tais tentativas irregulares afetassem os elementos de manobra no campo.

Há um problema de definição que obscurece o exame desses conceitos em todos os escritos de Engels. Ele usa os termos “linhas de comunicação” e “bases de operação” quase que indistintamente e depende do contexto com que cada um é usado para determinar até que ponto o papel da logística está ou não em jogo. Na maioria das vezes, no entanto, os elementos importantes de comunicação e logística ocorrem uniformemente em suas notas, independentemente dos termos usados. Em seus primeiros escritos, particularmente cobrindo os levantes de Paris de junho de 1848, Engels continua preocupado principalmente com a coordenação dos insurgentes e escreveu criticamente sobre os trabalhadores parisienses por não levarem em consideração todos os distritos de Paris ao estabelecer suas operações. Mas as bases que os rebeldes mantinham eram bem protegidas e bastante fortes, fato que Engels notou.[lxv]

Os primeiros comentários de Engels sobre operações de retaguarda ocorreram em seus artigos para o Neue Rheinische Zeitung sobre o levante húngaro de 1848 e 1849. Ao longo de seus escritos durante este período, ele dedicou considerável atenção à importância dos levantes camponeses e esforços de guerrilha na retaguarda das posições austríacas. Outros aspectos da campanha que se relacionam diretamente com essa análise dizem respeito às estradas existentes e às condições meteorológicas na Hungria. A liderança húngara, particularmente os generais Bem e Görgey, merecem grande crédito, de acordo com Engels, por usarem os recursos e as circunstâncias disponíveis para tornar a vida o mais miserável possível para os atacantes austríacos. Enquanto os húngaros comandados pelo Bem defendiam o Debrecen Heath, os magiares fizeram duas coisas simultaneamente. Primeiro, eles concentraram seus exércitos sem medo de se tornarem suscetíveis em sua própria retaguarda. Em termos modernos, o Bem possuía linhas interiores defensáveis. Em segundo lugar, ao forçar a campanha a ser conduzida no terreno de sua própria escolha, os húngaros ditaram onde e com que frequência o reabastecimento austríaco ocorreria e poderia ocorrer. Embora os austríacos tenham avançado bastante dentro do território húngaro, eles permaneceram sob o risco de duas ameaças muito significativas durante a campanha.

Primeiro, a posição tática exigia reabastecimento em alguns dos terrenos mais traiçoeiros da Hungria, particularmente em condições chuvosas, para forças amplamente dispersas, como foi o caso durante grande parte da campanha. Em março de 1849, antes de algumas das grandes vitórias húngaras, Engels nota os problemas que esses fatores causam ao comando austríaco.[lxvi] Até mesmo o reabastecimento de forças de Viena a Peste, onde Windisch-Gratz baseava suas operações, provou ser excepcionalmente difícil para os austríacos. Embora uma linha férrea percorra parte do caminho, como observou Engels, “quando se trata de transportar 30.000 homens junto com sua artilharia, cavalaria, trem de bagagem, etc., as ferrovias não aceleram muito”.[lxvii] Embora a apreciação total deste comentário nunca tenha sido questionada, Engels pelo menos reconheceu as dificuldades de reabastecer um exército em terreno pobre a uma distância tão grande.[lxviii] Segundo, os comandantes austríacos no campo tiveram que comprometer grande parte de suas forças para manter a segurança na área de retaguarda austríaca não apenas contra os insurgentes camponeses, mas também contra as verdadeiras forças de campo húngaras. Essas distâncias não são insignificantes, e Engels comenta em várias ocasiões sobre o tamanho e a importância das forças necessárias na área de retaguarda para evitar grandes interrupções logísticas.[lxix] Essas forças não apenas eram muito reais e ameaçadoras para os austríacos, mas também países de toda a Europa perceberam o impacto, e Engels citou jornais britânicos que divulgavam a eficácia dessas ações húngaras e a preocupação que causaram aos austríacos.[lxx]

Os movimentos de insurgência, por outro lado, precisavam de muito menos detalhes no manejo das operações. Embora eles certamente precisassem de uma base de operações e precisassem basear suas operações em um centro comum de comunicações e logística, eles também precisavam estar preparados para tomar qualquer ação necessária para manter suas forças. Enquanto lutava no Palatinado na primavera e verão de 1849, Engels lamentou os problemas logísticos das forças revolucionárias. A única maneira de manter o exército revolucionário, em muitos casos, era por meio do contrabando de suprimentos pela fronteira entre Baden, o Palatinado e outros estados alemães, incluindo a Suíça.[lxxi] Sempre é preciso estar preparado para o inesperado. Como escreveu Engels, “os estoques são adequados se bastam apenas para contingências imprevistas; eles são continuamente esgotados e reabastecidos”.[lxxii]

Essas preocupações não se aplicavam apenas aos exércitos insurgentes. Prenunciando algumas das ações da Guerra Civil Americana, Engels enfatizou a importância de prover um exército do interior. Comentando sobre o exército russo no início da Guerra da Crimeia em janeiro de 1855, Engels observou, “um exército que pode destacar fortes grupos de cavalaria para procurar mantimentos, e as numerosas caçambas e carroças do país, pode facilmente fornecer-se com tudo o que for necessário na forma de comida; e não é provável que Moscou queime uma segunda vez”.[lxxiii] Engels também advertiu, no entanto, que para toda a coleta de alimentos e sua importância, um exército precisava de balas e armas para lutar, e um equilíbrio adequado deve ser atingido para precipitar o sucesso.[lxxiv]

Engels demonstrou menos conforto ao examinar os problemas logísticos dos aliados contra os russos na Guerra da Crimeia. Embora as distâncias extremas entre a Inglaterra e a França e a península da Crimeia certamente tenham servido um elemento crítico nessa campanha, Engels recusou-se a insistir muito nesse aspecto da luta. Em vez disso, ele se concentrou no combate russo e nas operações logísticas contra os turcos e outros grupos na fronteira russa. Adequando-se à tendência que Engels tinha de denegrir os russos em todas as oportunidades, a maioria das situações em que se concentrou diz respeito aos problemas que os russos enfrentam para derrubar qualquer resistência turca, regular ou irregular. O desafio mais significativo a esse respeito dizia respeito aos Bálcãs, onde existiam muito poucas rotas transitáveis ​​pelas quais um exército russo pudesse manobrar para enfrentar os turcos. Embora Engels visse a possibilidade de um exército baseado em uma mistura muito específica de artilharia leve, cavalaria leve e infantaria rompendo uma operação de condução, ele não via possibilidade de tal força reter a capacidade de receber apoio ou manter comunicações com sua retaguarda ao longo uma rota hostil.[lxxv] Em 1858, os russos enfrentariam problemas semelhantes ao conduzirem a campanha contra as tribos da Ásia Central. Nesta campanha, os russos prestaram atenção especial aos problemas potenciais de manutenção da segurança ao longo de suas linhas de comunicação e suporte. Como parte dos aproximadamente 10.000 combatentes, o comandante da expedição, General Vasily A. Perovsky, incluiu várias cavalarias de cossacos, basquires e quirguizes irregulares para apoiar a infantaria. Além disso, segundo Engels, 15.000 camelos estiveram presentes para manter o abastecimento do exército.[lxxvi]

Na campanha contra os britânicos e os franceses, Engels observou que a maior esperança de sucesso da Rússia estava no fato de os britânicos e os franceses estarem dispersos e distantes de qualquer ponto central ou base de operações. Se os aliados pudessem ter mantido uma base significativa de operações mais perto de Sebastopol, então, Engels previu, a situação teria se deteriorado imediatamente para os russos. Depois de uma distância de 120 milhas, no entanto, Engels se perguntou até que ponto os Aliados seriam eficazes nas operações contra os russos.[lxxvii] Infelizmente, Engels não desenvolveu essa análise em um grau maior durante seus escritos sobre a Guerra da Crimeia. Quando os russos foram finalmente reprimidos em Sebastopol, Engels citou de maneira simplista o motivo do sucesso dos Aliados como a baixa moral russa e a falta de suprimentos na cidade sitiada. Embora esses elementos certamente tenham desempenhado um papel, Engels os agrupou amplamente como uma solução abrangente.[lxxviii] Dez anos depois, em 1866, Engels abordou sucintamente o sistema de abastecimento prussiano, citando-o como “decididamente melhor” do que os austríacos, embora se recusasse a elaborar os detalhes de sua operação.[lxxix] É interessante porque, apenas sete anos antes, em seu panfleto “Pó e Reno”, Engels anteriormente comentou sobre a importância das ferrovias que correm em tão grande número entre o Sena e o Reno, sugerindo a premeditação significativa dos prussianos neste âmbito.[lxxx]

Armas Combinadas

Eu lido com o sistema moderno de guerra como totalmente desenvolvido por Napoleão. Seus dois pivôs são: o caráter em massa dos meios de ataque em homens, cavalos e armas, e a mobilidade desses meios de ataque.[lxxxi]

Uma das maneiras mais significativas pelas quais Friedrich Engels manteve sua importância como teórico militar de primeiro grau foi sua capacidade de enfatizar não apenas a necessidade, mas também os papéis apropriados para as operações de armas combinadas ao longo do século XIX. Começando com descrições simples da maneira como os três ramos da infantaria, cavalaria e artilharia eram organizados juntos, até o final da década de 1860, ele desenvolveu seu pensamento longe o suficiente para que ele estivesse regularmente analisando a mistura de combate de todos os principais exércitos europeus e apresentar teorias sobre como a utilização de todas as armas pode ser mais bem integrada para fornecer o efeito máximo no campo de batalha.

O primeiro comentário registrado por Engels sobre as operações de armas combinadas ocorreu em junho de 1844, quando ele escreveu sobre a rebelião dos tecelões na Silésia, notando que as forças do governo usaram uma mescla de infantaria, rifles, cavalaria e artilharia para sufocar os desordeiros. Digno de nota é a distinção de Engels entre infantaria regular e as forças especiais que usam rifles.[lxxxii] A primeira tentativa de Engels de reconhecer e comentar sobre a utilização de armas combinadas em uma escala maior surge durante os levantes de 1848. A maioria de seus comentários e observações permanecem bastante mundanos, concernentes principalmente aos números e tipos de unidades e armas envolvidas. Ele dedicou vários artigos à discussão dos números e designações das unidades alemãs enviadas para suprimir revoltas em Vestfália.[lxxxiii]

Durante seus comentários sobre os combates em Paris durante as Jornadas de junho, entretanto, Engels demonstrou alguns aspectos muito reveladores de sua mente analítica que figuraram com destaque nos anos seguintes e o marcaram como um observador militar astuto por seus próprios méritos. Por meio de sua descrição da luta de barricadas, particularmente a maneira como a artilharia foi usada na redução dos pontos fortes dos insurgentes, ele indicou um apreço por suas habilidades, sem, no entanto, respeitar as forças que a utilizam. Em resposta à prática insurgente de transformar edifícios e cavalos em “fortalezas genuínas”, o líder das forças governamentais francesas, Cavaignac, colocou em uso uma grande quantidade de artilharia. Engels foi além e distinguiu entre os tipos de canhões e munições usados: metralhas, pelouros, capsulas e foguetes Congreve em particular.[lxxxiv]

Além disso, Engels não se limitou às ações governamentais, mas também discutiu a maneira como os insurgentes tentaram desenvolver a luta. Em um artigo escrito imediatamente após as Jornadas de Junho de 1848, Engels detalhou o desenvolvimento insurgente de diferentes colunas, movendo-se concentradamente por distritos dominados por trabalhadores, originando-se de bases de operações bem desenvolvidas. Entre as colunas estavam outros elementos conduzindo missões de reconhecimento e mantendo a comunicação entre as forças. Engels percebeu as atividades relativamente menores desse grupo de insurgentes menos treinado.[lxxxv] Infelizmente, Engels não desenvolveu esses conceitos em sua extensão máxima. Embora ele reconhecesse os diferentes aspectos do uso de diferentes funções da força para diferentes propósitos, ele nunca se aprofundou em detalhes sobre como eles realmente seriam empregados como parte de um grande grupo. Além de comentários singulares posteriores sobre a luta de 1848,[lxxxvi] na maior parte, quando Engels fez alguns comentários finais sobre o fracasso da insurgência e o sucesso final das forças de Cavaignac, ele regrediu ao raciocínio simplista de números e aos meios brutais utilizados para ser o responsável, sem qualquer análise detalhada.[lxxxvii]

Dois elementos, entretanto, surgem a partir dessa análise inicial. Em primeiro lugar, Engels demonstrou uma apreciação pela brutalidade e complexidade da luta na cidade quando poucos reconheceram este aspecto anteriormente, não apenas através de sua discussão sobre os homens nas muralhas da cidade, mas na transformação de estabelecimentos civis, como casas e empresas, em fortificações militares. Esse tema apareceu em seus exames em vários momentos no futuro. Em segundo lugar, Engels possuía um olho aguçado para as incidências minuciosas que indicavam eventos maiores. Em 1848, a maioria dessas observações resultou principalmente de sua experiência anterior específica como artilheiro no serviço prussiano, quando comentou sobre a importância dos artilheiros recebendo rifles com baionetas em seu artigo sobre o levante de Vestfália. O fato de os artilheiros prussianos não receberem treinamento com essas armas era um indicador do grau de força e do tipo de combate que seria usado para conter a insurreição.[lxxxviii]

A capacidade analítica de Engels aumentou à medida que escrevia seus artigos para o Neue Rheinische Zeitung sobre o levante húngaro de 1848-1850. É nesses artigos que se vê pela primeira vez um exame mais avançado do pensamento e da prática militar. Na luta por Debrecen Heath, Engels fez comparações com a luta de cavalaria entre a cavalaria leve húngara e os couraceiros austríacos e a luta entre a cavalaria francesa e os cavaleiros leves árabes na Argélia. O comandante austríaco, Príncipe Windisch-Gratz, comentou pessoalmente sobre os problemas que os austríacos tinham com a cavalaria leve húngara.[lxxxix] Em seus comentários finais sobre o levante húngaro, Engels dedicou tempo não apenas à mistura geral de infantaria, cavalaria e artilharia, mas também usou informações de despachos oficiais austríacos e outros jornais pró-austríacos para examinar as proporções de força específicas e a mistura para determinar exatamente quais atividades e eventos ocorreram.[xc]

Na primavera de 1849, Engels ganhou a reputação de ser, se não um comandante militar, pelo menos alguém que, dentro da escola de pensamento socialista, entendia de assuntos militares. Portanto, quando a cidade de Elberfeld, na Vestfália, começou sua insurgência contra o governo prussiano, os líderes da cidade chamaram Engels para atuar como conselheiro em seus preparativos. Embora suas atividades durassem apenas alguns dias antes que os elementos da cidade exigissem sua remoção, o grau em que recebeu autoridade destaca sua reputação. A cidade não apenas lhe deu autoridade para inspecionar as barricadas, mas também para terminar de preparar as fortificações dentro da cidade e instalar a artilharia. Para conseguir isso, Engels usou “sapadores” em grande medida.[xci]

Nas atividades no Palatinado em 1849, Engels repetidamente lamentou os problemas da falta de poder de fogo do insurgente, principalmente na artilharia e cavalaria. Ele não ficou frustrado, mas um tanto honrado pelo fato de que um grupo tão grande e heterogêneo de militares prussianos foi enviado para reduzir sua expedição. Em seu panfleto “A Campanha pela Constituição Imperial Alemã”, ele escreveu: “Ainda me lembro com alegria do espanto que me causou quando descobri… a notícia da concentração de 27 batalhões prussianos, 9 baterias e 9 regimentos de cavalaria, juntamente com sua localização exata entre Sarbruque e Kreuznach”.[xcii] Parte de seu último pensamento, levando a algumas de suas primeiras formulações de teoria pessoal, veio dessa campanha, particularmente no fato de que os prussianos tiveram muita dificuldade em acabar com a insurreição. Engels permaneceu um tanto crítico das forças prussianas por sua conduta não profissional da operação, escrevendo que “um regimento de cavalaria com alguma artilharia a cavalo teria sido suficiente para soprar toda a alegre companhia aos quatro ventos e dispersar totalmente o ‘exército de libertação’ do Palatinado Renano”.[xciii] Foi a partir de experiências como essa que Engels começou a formular suas ideias sobre a prática militar, como a citada no início desta seção. Embora poucos desses missais fossem inteiramente originais neste ponto, ele pelo menos começou a demonstrar sua afinidade por tal pensamento.

Em seus comentários sobre o conflito da Crimeia, Engels reverteu até certo ponto, focando predominantemente em números e tipos específicos de unidades envolvidas na luta. Os únicos pensamentos verdadeiramente progressistas que ele tinha neste momento diziam respeito à redução das fortificações, principalmente decorrentes do Cerco de Sebastopol. A esse respeito, Engels enfatizava a necessidade de colocar, tanto quanto possível, todas as peças de artilharia necessárias na posição necessária para demolir o trabalho e desmoralizar os defensores, pensamento dificilmente inspirado ou particularmente original.[xciv]

Na década de 1860, Engels começou a utilizar uma estrutura mais inovadora e a discutir suas ideias a respeito da guerra de armas combinadas. Foi nessa época que ele começou a formular a aplicação de tais forças na condução da guerra revolucionária. Do final da Guerra da Crimeia até a Guerra Franco-Prussiana, o foco de tais discussões resistiu nos conflitos coloniais conduzidos pelos principais exércitos europeus. Os britânicos receberam especial adulação de Engels por administrar as operações na Índia. Engels citou o General Campbell por seu uso hábil de artilharia e infantaria no alívio de Lucnau em janeiro de 1858.[xcv] Engels até fez alusão aos primeiros esforços no que os médicos modernos chamariam de operações “conjuntas”. Na guerra espanhola com os mouros em 1859 e 1860, as forças espanholas conduziram operações contra a costa da Argélia. Para cumprir as tarefas aqui, a luta era “conduzida principalmente pela infantaria em ordem de escaramuça e uma bateria ou duas de artilharia de montanha, apoiada aqui e ali pelo efeito –  mais moral do que físico – do fogo de algumas canhoneiras e navios a vapor”.[xcvi]

Engels discorreu sobre o impacto histórico das operações de armas combinadas em alguns de seus artigos para a The New American Cyclopaedia. O exército romano, ele postulou, foi o primeiro a desenvolver tal conceito com certo grau de sucesso. Em seu artigo “Exército”, ele escreveu: “O exército romano nos apresenta o mais perfeito sistema de táticas de infantaria inventado durante o tempo em que o uso da pólvora era desconhecido. Ele mantém a predominância de infantaria pesada e corpos compactos, mas aumenta a mobilidade dos corpos menores separados, a possibilidade de lutar em terreno acidentado, a disposição de várias linhas uma atrás da outra, em parte como suporte e alívio, em parte como uma reserva poderosa e, finalmente, um sistema de treinamento de um único soldado que era ainda mais útil do que o de Esparta”.[xcvii] O conceito de treinamento foi aquele que, na década de 1850, existia em seus estágios iniciais para Engels, mas que figurou com destaque no futuro. Engels escreveu sobre a importância do treinamento moderno em armas combinadas em suas análises dos métodos de treinamento em inglês para o The Volunteer Journal em 1860, citando a importância de construir locais de treinamento que ofereçam aos membros de todos os ramos a oportunidade de treinar juntos.[xcviii]

Em algumas ocasiões, certamente, Engels obteve um pouco de pompa em suas pronúncias e chegou a conclusões bastante rebuscadas. Por exemplo, ao comentar sobre as operações russas na Turquia durante a Guerra da Crimeia, ele escreveu que “a passagem de um grande rio, mesmo na presença de um exército hostil, é um feito militar tantas vezes realizado durante as guerras revolucionárias e napoleônicas, que todo o tenente de hoje pode dizer como isso deve ser feito. Alguns movimentos simulados, um trem flutuante bem equipado, algumas baterias para cobrir as pontes, boas medidas para proteger a retirada e uma vanguarda corajosa, são quase todos as condições exigidas”.[xcix] Embora isso possa parecer simples, o próprio Engels em muitas ocasiões reconheceu as dificuldades de fazer todos esses elementos funcionarem juntos. Ele visivelmente se absteve de comentar sobre o período de tempo que transcorreu desde que qualquer força substancial executou tal operação. De fato, durante 1870, Engels não fez nenhum comentário sobre qualquer operação real do tipo que ele descreveu aqui. A única aproximação disso envolveu a travessia turca do rio Danúbio em 1853, e Engels atribuiu isso principalmente ao fato de que os russos lhes permitiram fazer isso, sem oposição, para permitir uma melhor chance de atacá-los quando as disposições turcas estavam menos focadas.


[i] Friedrich Engels, “The Storming of Vienna. The Betrayal of Vienna”, New York Daily Tribune #3425, 9 April 1852, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 11:61.

[ii] Engels, “Conditions and Prospects”, 10:548.

[iii] Friedrich Engels, “The War – No Progress”, New York Daily Tribune #5647, 27 May 1859, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 16:327.

[iv] Engels, “The Magyar Struggle”, 8:237.

[v] Friedrich Engels, “To Die for the Republic!” The Campaign for the German Imperial Constitution, August 1849-Frebruary 1850, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 10:208.

[vi] Friedrich Engels, “The Progress of the Turkish War”, New York Daily Tribune #3934, 25 November 1853, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 12:455-6; Friedrich Engels, “Retreat of the Russians from Kalafat”, New York Daily Tribune #4040, 30 March 1854, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 13:66-7.

[vii] Engels, “Retreat of the Russians”, 13:68.

[viii] Engels, “Crimean Prospects”, 14:528.

[ix] Friedrich Engels, “The Relief of Lucknow”, New York Daily Tribune #5236, 1 February 1858, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 15:437.

[x] Friedrich Engels, “The Indian Army”, New York Daily Tribune #5381, 21 July 1858, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 15:581.

[xi] See Chapter 5, Section III.

[xii] Friedrich Engels, “The Italian War [Retrospect]”, Das Volk #12, 23 July 1859, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 16:425.

[xiii] Engels, “The War – No Progress”, 16:329; Friedrich Engels, “A Chapter of History”, New York Daily Tribune #5678, 2 July 1859, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975),16:378.

[xiv] Friedrich Engels, “Garibaldi in Sicily”, New York Daily Tribune #5979, 22 June 1860, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 17:388.

[xv] Ibid., 17:389.

[xvi] Friedrich Engels, “Notes on the War in Germany”, The Manchester Guardian #6204, 6 July 1866, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 20:179, 182.

[xvii] Engels, “Conditions and Prospects”, 10:556.

[xviii] Ibid.

[xix] Ibid.

[xx] Engels, “The Magyar Struggle”, 8:237.

[xxi] Friedrich Engels, “Bulletin N°. 23 – From the Theater of War”, Neue Rheinische Zeitung #230, 24 February 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 8:425-6.

[xxii] Friedrich Engels, “The War in Hungary”, Neue Rheinische Zeitung #265, 6 April 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:232.

[xxiii] Friedrich Engels, “Rhenish Prussia”, The Campaign for the German Imperial Constitution, August 1849-February 1850, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 10:154.

[xxiv] Friedrich Engels, “The Palatinate”, The Campaign for the German Imperial Constitution, August 1849-February 1850, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 10:194.

[xxv] Engels, “The Storming of Vienna”, 11:59.

[xxvi] Engels, “Rhenish Prussia”, 10:154.

[xxvii] Friedrich Engels, „The Capture of Bomarsund (Article II)”, New York Daily Tribune #4182, 13 September 1854, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 13:385.

[xxviii] Ibid., 13:387.

[xxix] Friedrich Engels, “The Armies of Europe”, Putnam’s Monthly #32, August 1855, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 14:415.

[xxx] Friedrich Engels, “On Rifled Cannon”, New York Daily Tribune #5926, 21 April 1860, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 17:361.

[xxxi] Engels, “Po and Rhine”, 16:220.

[xxxii] Friedrich Engels, “On Rifled Cannon”, New York Daily Tribune #5950, 19 May 1860, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 17:365.

[xxxiii] Ibid., 17:366.

[xxxiv] Friedrich Engels, “Lessons of the American War”, Volunteer Journal #66, 6 December 1861, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 18:527.

[xxxv] Engels, “On Rifled Cannon”, New York Daily Tribune #5950, 19 May 1860, 17:366.

[xxxvi] Por exemplo, os seguintes são alguns dos verbetes: Bastion, Ammunition, Battery, Blindage, Bosquet, Bomb, Bomb Ketch, Bomb-Proof, Bomb Vessel, Bombardier, Bombardment, Artillery, Cannonade, Carronade, Case Shot, Catapult, Fortification, Navy.

[xxxvii] Engels, “Army”, 18:115.

[xxxviii] Friedrich Engels, “Navy”, The New American Cyclopaedia, vol. 2, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 18:372.

[xxxix] Friedrich Engels, “Artillery News FromAmerica”, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 19:291.

[xl] Ibid.

[xli] Ibid., 19:295.

[xlii] Friedrich Engels, “England’s Fighting Forces as Against Germany”, Allgemeine Militär-Zeitung #27, 6 July 1864, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 19:324.

[xliii] Engels, “Rhenish Prussia”, 10:154.

[xliv] Engels, “To Die for the Republic!” 10:228.

[xlv] Friedrich Engels, “England”, 23 January 1853, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 11:199.

[xlvi] Friedrich Engels, “Progress of the Turkish War”, New York Daily Tribune #3944, 7 December 1853, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 12:476.

[xlvii] Engels, “The Battle of Inkerman”, 13:532.

[xlviii] Ibid., 13:534. A força russa no início da batalha era de 60.000, significativamente menos que seus oponentes. Os russos perderam aproximadamente 12.000 homens em Inkerman, enquanto os aliados perderam pouco mais de 3.000 soldados.

[xlix] Friedrich Engels, “Alma”, The New American Cyclopaedia, vol. 1, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 18:18.

[l] Engels, “The Armies of Europe”, Putnam’s Monthly #32, August 1855, 14:420; Friedrich Engels, “The Armies of Europe”, Putnam’s Monthly #33, September 1855, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 14:435-6.

[li] Friedrich Engels, “Military Reform in Germany”, New York Daily Tribune #5582, 12 March 1859, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 17:348.

[lii] Ibid.

[liii] Friedrich Engels, “German Resources for War”, New York Daily Tribune #5582, 12 March 1859, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 16:180.

[liv] Friedrich Engels, “Infantry”, The New American Cyclopaedia, vol. 9, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 18:363.

[lv] Ibid.

[lvi] Friedrich Engels, “The French Light Infantry”, The Volunteer Journal #7, 20 October 1860, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 18:428.

[lvii] Friedrich Engels, “Notes on the War in Germany”, The Manchester Guardian #6190, 20 June 1866, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 20:168.

[lviii] Friedrich Engels, “Notes on the War in Germany”, The Manchester Guardian #6201, 3 July 1866, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 20:178.

[lix] Ibid.

[lx] Engels, “Notes on the War in Germany”, The Manchester Guardian #6204, 6 July, 1866, 20:181.

[lxi] Friedrich Engels, “The Beginning of the End in Austria”, Deutsche-Brüsseler-Zeitung #8, 27 January 1848, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975),6:533.

[lxii] Friedrich Engels, “Cologne in Danger”, Neue Rheinische Zeitung #11, 11 June 1848, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 7:69.

[lxiii] Engels, “Po and Rhine”, 16:223.

[lxiv] Engels, “The Campaign in Italy”, 16:346. O outro elemento era a melhorada da defesa por grupos de fortes e campos entrincheirados.

[lxv] Friedrich Engels, “The June Revolution [The Course of the Paris Uprising]”, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 7:158.

[lxvi] Friedrich Engels, “The Military Reports of the Kölnische Zeitung”, Neue Rheinische Zeitung #240, 8 March 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:15.

[lxvii] Friedrich Engels, “From the Theater of War”, Neue Rheinische Zeitung #237, 15 April 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:280.

[lxviii] Friedrich Engels, “The Struggle in Hungary”, Neue Rheinische Zeitung #212, 3 February 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 8:291.

[lxix] Engels, “From the Theater of War [Italy]”, Neue Rheinische Zeitung #259, 30 March 1849, 9:166; Friedrich Engels, “From the Theater of War – Windischgrätz’s Comments on the Imposed Constitution”, Neue Rheinische Zeitung #271, 13 April 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:261.

[lxx] Friedrich Engels, “The Frankfurt Assembly Debates the Polish Question”, Neue Rheinische Zeitung #81, 20 August 1848, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 7:351.

[lxxi] Engels, “The Palatinate”, 10:189.

[lxxii] Engels, “Conditions and Prospects”, 10:550.

[lxxiii] Friedrich Engels, “The Progress of the War”, New York Daily Tribune #4276, 1 January 1855, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 13:549.

[lxxiv] Friedrich Engels, “Critical Observations on the Siege of Sevastopol”, Neue Oder Zeitung #37, 23 January 1855, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 13:594.

[lxxv] Friedrich Engels, “The Russians in Turkey”, New York Daily Tribune #3900, 17 October 1853, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 12:337.

[lxxvi] Friedrich Engels, “Russian Progress in Central Asia”, New York Daily Tribune #5471, 3 November 1854, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 16:61.

[lxxvii] Friedrich Engels, “The Situation in the Crimean”, Neue Oder Zeitung #155, 2 April 1855, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 14:138; Friedrich Engels, “Napoleo’s Apology” New York Daily Tribune #4377, 30 April 1855, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 14:148.

[lxxviii] Engels, “Crimean Prospects”, 14:526.

[lxxix] Engels, “notes on the War in Germany”, The Manchester Guardian #6190, 20 June 1866, 20: 167.

[lxxx] Engels, “Po and Rhine”, 16:245.

[lxxxi] Engels, “Conditions and Prospects, 10:550.

[lxxxii] Friedrich Engels, “Further Particulars of the Silesian Riots”, The Northern Star #346, 29 June 1844, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 3:533.

[lxxxiii] Engels, “Cologne in Danger”, 7:69. Além disso, há a maior parte das 7ª e 8ª brigadas de artilharia, das quais pelo menos metade já está mobilizada (ou seja, cada bateria de artilharia a pé tem agora 121 cavalos em vez de 19, ou 8 em vez de 2 canhões puxados por cavalos).

[lxxxiv] Friedrich Engels, “The 23rd of June”, Neue Rheinische Zeitung #232, 27 February 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 7:132; Engels, “The 24th of June”, Neue Rheinische Zeitung #28, 28 June 1848, 7:134.

[lxxxv] Engels, “The June Revolution”, Neue Rheinische Zeitung #31, 1 July 1848, 7:157-8.

[lxxxvi] Friedrich Engels, “The Russians in Transylvania”, Neue Rheinische Zeitung #232, 27 February 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 8:433.

[lxxxvii] Friedrich Engels, “The June Revolution [The Course of Paris Uprising]”, Neue Rheinische Zeitung #32, 2 July 1848, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 7:161.

[lxxxviii] Engels, “Cologne in Danger” 7:70.

[lxxxix] Friedrich Engels, “From the Theater of War”, Neue Rheinische Zeitung #258 (supplement), 29 March 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:155; Friedrich Engels, “An Austrian Defeat”, Neue Rheinische Zeitung #272, 14 April 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:274.

[xc] Friedrich Engels, “From the Theater of War”, Neue Rheinische Zeitung #279 (supplement, 22 April 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:316; Friedrich Engels, “From the Theater of War”, Neue Rheinische Zeitung #279 (2nd edition), 22 April 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:319; Friedrich Engels, “From the Theater of War”, Neue Rheinische Zeitung #284, 28April 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:350.

[xci] Friedrich Engels, “Elberfeld”, Neue Rheinische Zeitung #300, (2nd edition), 17 May 1849, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 9:447-8.

[xcii] Engels, “The Palatinate”, 10:193.

[xciii] Engels, “To Die for the Republic!” 10:209-10.

[xciv] Friedrich Engels, “The War on the Danube”, New York Daily Tribune #3952, 16 December 1853, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 12:519-20.

[xcv] Engels, “The Relief of Lucknow”, 15:437.

[xcvi] Friedrich Engels, “The Moorish War”, New York Daily Tribune #5863, 8 February 1860, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 16: 553.

[xcvii] Engels, “Army”, 18:96.

[xcviii] Friedrich Engels, “Volunteer Engineers: Their Value and Sphere of Action”, The Volunteer Journal #12, 24 November 1860, in Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1975), 18:462.

[xcix] Engels, “The Russians in Turkey”, 12:337.

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