Walter Rodney – Como a Europa Subdesenvolveu a África [PDF]

Principal obra escrita pelo revolucionário guianense Walter Rodney (1942 – 1980), publicada originalmente em 1974. A presente edição foi lançada em 1975, pela Edições Nova Seara de Lisboa, Portugal, com tradução de Edgar Valles.

Prefácio por Walter Rodney

O contexto deste livro é a situação da África dos nossos dias. Rebusca o passado, unicamente porque de outra forma seria impossível compreender o presente e decifrar as linhas de orientação do futuro próximo. Na busca de uma compreensão do que hoje se chama “subdesenvolvimento” africano, os limites de estudo tiveram que ser estabelecidos no século XV por um lado e no fim do período colonial por outro.

O ideal seria que a análise do subdesenvolvimento abrangesse não só 1950, fim da era colonial, mas também o presente. O fenômeno do neocolonialismo exige investigação aprofundada de molde a formular-se as estratégias e táticas da emancipação e desenvolvimento da África. Este estudo não vai tão longe mas, ao menos, certas soluções estão implícitas numa correta abordagem histórica, assim como determinados remédios são, ou não, indicados por um diagnóstico correto da situação do doente. Felizmente, os fatos e a interpretação que se seguem contribuirão de algum modo para reforçar a convicção de que o desenvolvimento africano só se tornará realidade se se romper com o sistema capitalista internacional, o qual tem sido o principal fator do subdesenvolvimento da África nestes últimos cinco séculos.

Como o leitor terá ocasião de verificar, o problema da estratégia do desenvolvimento será abordado na seção final por A. M. Babu, ex-ministro da Economia e do Planejamento do Desenvolvimento, o qual se dedicou ativamente a adotar estas linhas ao contexto tanzaniano. Não foi por acaso que este texto no seu todo foi escrito na Tanzânia, onde a teoria do desenvolvimento tem sido acompanhada por uma prática muito mais positiva que em várias outras partes do continente.

Muitos colegas e camaradas participara na preparação deste trabalho. Especiais agradecimentos aos camaradas Karim Hirji e Henry Mapoulu, da Universidade de Dar-es-Salem, que leram o manuscrito com um espírito de crítica construtiva. Mas, ao contrariamente ao estereotipado de muitos prefácios, não ajuntarei que “todos os erros e incorreções são de minha inteira responsabilidade”. Isso é puro subjetivismo burguês. A responsabilidade em assuntos desse tipo é sempre coletiva, especialmente quando se trata de prevenir omissões. Meu débito para com a Tanzania Publishing House e Boogle & Ouverture Publications pela sua cooperação para que a produção deste volume fosse o mais simples e barato possível. O propósito foi mais o de alcançar africanos que desejem conhecer cada vez mais a essência (natureza) da sua exploração do que satisfazer os padrões de nossos opressores e dos seus porta-vozes no mundo acadêmico.

Walter Rodney
Dar-es-Salem

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