Samora Machel – Recusamos ser Gestores do Capitalismo

Originalmente disponível no site Marxists.

Transcrição por Luana Ferretti.


Recusamos ser gestores do capitalismo

O presidente Samora Machel esteve presente na manhã de ontem num comício de amizade soviético-moçambicana, realizado na cidade de Tasquente. Na ocasião, o dirigente máximo da Revolução moçambicana pronunciou o importante discurso que passamos a transcrever, na íntegra:

Camarada Rashidov, membro suplente do Bureau Político do Comitê Central do PCUS.

Camaradas da Direção do Partido e do Estado da República Socialista de Uzbequistão

Camaradas e amigos:

Obrigado, povo do Uzbequistão, pelas palavras que dirigistes ao Povo moçambicano, ao seu Partido FRELIMO. Obrigado Povo do Uzbequistão, aos seus operários, aos seus camponeses, aos seus intelectuais revolucionários, a todos os trabalhadores uzbeques por vós aqui tão dignamente representados.

Obrigado, comunistas uzbeques, porque soubestes mobilizar o Povo no espírito do internacionalismo proletário, no espírito da amizade e fraternidade entre os povos.

As vossas palavras foram de amizade, foram de solidariedade, foram da camaradagem de armas. As vossas palavras traduzem o sentimento de unidade de classe que une os trabalhadores soviéticos que se tornou e se cimentou pelo nosso passado comum, pelo nosso passado de sofrimento, pela nossa luta comum contra as forças do feudalismo, as forças da reação, as forças do colonialismo, as forças do imperialismo.

Nesta luta comum, os nossos povos juntaram os seus sangues, sangue vermelho, como ideal que os guiou para a vitória, como o ideal que nos guia para novas vitórias na causa do progresso e da paz hoje, continuamos a marchar juntos, unidos, solidários, para que a bandeira do socialismo e do comunismo flutue nas nossas pátrias para sempre libertas da exploração.

Mas vocês, operários, camponeses cooperativistas, intelectuais revolucionários do Uzbequistão, libertaram-se da exploração há 56 anos. Em 1984 celebrarão o 60º aniversário da fundação da República Socialista Soviética do Uzbequistão. Em 1984 celebrarão o 60º aniversário da criação do Partido Comunista do Uzbequistão.

Ao longo destes 56 anos, são exaltantes as vossas vitórias. A vossa indústria conhece um desenvolvimento acelerado e frutuoso. a vossa agricultura cresce a passos gigantescos. Constroem-se mais escolas, constroem-se mais hospitais, mais habitações,  mais casas de cultura, mais canais de irrigação, mais represas, mais vestuário, mais comida. Obrigado, por este exemplo.

Com o fruto do vosso trabalho, criais a vossa felicidade, as vossas mãos trabalhadoras, a vossa inteligência proletária, a vossa política comunista destruiu a face da miséria e criou a face da esperança, trouxe o céu para a terra. E aqui vivemos. Com as vossas mãos, com a vossa inteligência, vivemos o que os idealistas esperam. Nós vivemos aqui nesta terra. Só na felicidade no céu. Vocês construíram a felicidade na terra. Obrigado, por esta experiência. Tivemos ocasião de a ver, de a sentir no rosto feliz das crianças, na alegria espontânea da juventude, no andar livre, firme, da mulher, na certeza da vitória que brilha nos seus olhos.

Quando chegamos, ouvimos que há belas flores no Uzbequistão. E vimos, estão aqui. Estão em toda a parte. Nós constatamos que as mulheres do Uzbequistão são mais belas que as próprias flores. E, obrigado.

Tivemos ocasião de ver, no ar tranquilo e despreocupado dos velhos, um olhar firme e seguro, representando o passado e o presente, mas perspectivando o futuro. Encontramos em cada rosto a inspiração inesgotável da esperança no futuro e na felicidade. 

Vimos tudo isto quando percorríamos as belas e coloridas avenidas desta vossa capital heróica, generosa, hospitaleira. Quando visitamos a fábrica têxtil de Tasquente. 

E vemos tudo isso aqui nesta sala aquecida pelo vosso calor amigo, pela vossa simpatia, pela vossa solidariedade, pelo vosso internacionalismo e pela admiração que vocês têm pelo Povo moçambicano.

Isto só poderia ser visto num país onde brilha o poder dos sovietes, onde os ideais de Lenin se materializam na vida de todos e cada um, graças ao trabalho duro, trabalho paciente, trabalho profundo do Partido Comunista. 

Digamos que os nossos povos se identificam pelo passado, pelo presente e pelo futuro. É verdade. Mas o povo moçambicano não tem 56 anos de socialismo. O povo moçambicano sai de cinco séculos de dominação colonial-capitalista. O povo moçambicano acaba de terminar 16 anos de guerra. Teve de pegar em armas e lutar durante dez anos contra o colonialismo portugês. Teve que pegar em armas e lutar outros cinco anos contra os racistas rodesianos, para conquistar a sua liberdade, a sua independência, para reafirmar a sua personalidade, para manter bem alta a bandeira da solidariedade e do internacionalismo proletário, para reafirmar a sua cultura.

Nos libertamos. Somos livres. Somos independentes. E não lutamos, não nos sacrificamos para ser novos exploradores. Não sabemos gerir o capitalismo. Recusamos aprender como explorar o povo. O sangue que nós derramamos durante a luta armada exige que a felicidade e o bem-estar do nosso povo sejam uma realidade. Felicidade que só o socialismo e o comunismo podem edificar. Vocês devem recordar-se o que foram os primeiros anos, talvez longos anos, iniciais da construção do socialismo no vosso país. Uns, porque ainda viveram esse período. Outros por aquilo que lhes foi contado pelos seus pais, pelos seus avós. Todos, finalmente, conhecem a história de seu povo, a história da Revolução.

Esse período é idêntico àquele que atravessa hoje o povo moçambicano, que ainda sofre a fome; que ainda é vítima da doença endêmica; que ainda luta para liquidar o analfabetismo; que ainda não tem habitação condigna. Que ainda não tem hospitais, médicos, enfermeiros, parteiras. Que ainda não tem escolas, não têm professores, que ainda anda descalço, que ainda não tem roupa suficiente para vestir. 

Tal como o povo do Uzbequistão há 56 anos, também hoje, a guerra do povo moçambicano é contra a fome, é contra a miséria, é contra a doença, é contra o analfabetismo, é contra a ignorância, é contra a superstição. Hoje, a nossa luta é para todos terem comida, é para todos terem vestuário, é para todos terem sapato para calçar, é para todos terem habitação, é para que as nossas crianças nasçam e vivam, vivam com escolas, vivam com creches, vivam também com alegria, do brinquedo e do rebuçado, com balão, com triciclo, com uma bola. Tudo isto é alegria para a criança. Desenvolve a criança, desenvolve a inteligência da criança. É isto que vocês já fizeram no vosso povo. Obrigado, Camarada Rashidov.

Hoje, a nossa luta é para que as nossas mulheres, nossas mães e irmãs sejam, realmente, mulheres livres, saudáveis, elegantes, belas como as mulheres da União Soviética, como as mulheres do Uzbequistão. É para que os nossos velhos possam viver felizes; é para que todos tenham hospital e medicamentos; é para que a nossa cultura floresça ainda mais.

Por isso, decidimos, no nosso país, fazer da década de 1980 a década da vitória sobre o subdesenvolvimento, a década em que completaremos a socialização da agricultura, a mecanização relativamente avançada, a década em que se formará a nossa base industrial. E, com vosso apoio, venceremos. Com a vossa solidariedade, com o vosso apoio, amizade e cooperação, temos a certeza que venceremos. Estamos certos da vitória, porque temos o nosso povo unido na decisão de construir a felicidade, porque o nosso povo é generoso, o nosso povo é trabalhador, o nosso povo não teme dificuldades e não teme sacrifícios, porque o nosso país é rico, tem grandes potencialidades. Porque a vitória se organiza, e nós organizamos a vitória. 

Estamos certos da vitória pelos laços de cooperação fraternal, baseados no internacionalismo proletário, que desenvolvemos com a União Soviética e outros países socialistas irmãos. 

Viemos à União Soviética em visita de amizade. Regressamos ao nosso país com resultados altamente positivos. A nossa amizade saiu mais reforçada. A nossa cooperação mutuamente vantajosa vai alargar-se. Encontramos nesta visita a plena compreensão do camarada Leonid Ilitch Brejnev; comunista consequente, militante internacionalista e dedicado, amigo seguro do povo moçambicano e dinamizador da nossa unidade e cooperação. A cooperação entre os nossos dois povos, o povo moçambicano e o povo soviético, entre os nossos Partidos e Estados, deu um salto qualitativo. A nossa visita foi um êxito. E estamos certos que muitos trabalhadores uzbeques virão brevemente a Moçambique, para nos ensinar a cultivar o algodão, para nos ensinar como cultivar o trigo, para nos ensinar como cultivar a seda, para nos ensinar como cultivar o arroz, para nos ensinar como produzir o milho, como andar bem vestido, como ficarmos elegantes como vós. Estamos seguros disso.

Estamos certos que os camaradas uzbeques saberão combinar a sua inteligência, a sua energia, com seus irmãos de armas moçambicanos, em vários setores de atividade.

Em nome do povo moçambicano, em nome do Partido FRELIMO, em nome da República Popular de Moçambique, dizemos: serão bem vindos. Estarão em vossas próprias casas como nós nos sentimos aqui. Serão da nossa família, a família socialista. 

É certo que não ireis encontrar as mesmas condições materiais e de vida que gozais no vosso país, mas encontrareis amizade e carinho, encontrarão compreensão e alegria, encontrareis solidariedade e fraternidade, encontrareis trabalho e certeza da vitória.

À vossa chegada a Moçambique, iremos ver em vós os trabalhadores desse Uzbequistão, parte desta grande pátria de Lenin. 

Levarão convosco estímulo, o elevado significado das três ordens de Lenin e de outras ordens com que vocês souberam prestigiar o vosso trabalho abnegado e pelas quais vos felicitamos. 

Para terminar, queríamos transmitir-vos e, através de vós, a todos os trabalhadores do Uzbequistão, as saudações fraternais dos comunistas moçambicanos, da classe operária, dos camponeses cooperativistas, dos intelectuais revolucionários, de todos os trabalhadores moçambicanos, patriotas engajados na construção do socialismo na República Popular de Moçambique, e afirmar, mais uma vez, que estamos convosco, pelos sucessos do 26º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, pelos sucessos da consolidação das bases material e técnica da sociedade comunista, na luta pela libertação dos povos oprimidos, na luta pela paz, pelo progresso social, pelo socialismo e pela vitória do comunismo. 

Levemos conosco este vosso calor humano, este vosso olhar de certeza e esperança, um olhar que perspectiva o futuro, este olhar de confiança, e levaremos a beleza de vossas mulheres para as nossas.

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