Kaysone Phomvihane – Revolução no Laos

Trecho do livro Revolution in Laos: Practice and Prospects de autoria de Kaysone Phomvihane.

Tradução por Ian Cartaxo.


INTRODUÇÃO – NOTA BIOGRÁFICA SOBRE KAYSONE PHOMVIHANE

Kaysone Phomvihane, Secretário Geral do Comitê Central do Partido Popular Revolucionário do Lao e Primeiro Ministro da República Democrática Popular do Laos, nasceu em 13 de dezembro de 1920, em Savannaket, no sul do Laos. Filho de um funcionário público do Lao, ele foi educado em Hanoi, onde estudou em um liceu e depois ingressou na  Faculdade de Direito da Universidade de Hanoi.

Em 1942 Kaysone Phomvihane se juntou à luta militante do povo do Lao contra os colonialistas franceses e os invasores japoneses. Em agosto de 1945 ele tomou parte na libertação de Savannaket dos japoneses e em 1947-1949 conduziu a guerra de libertação contra os colonialistas franceses no nordeste do Laos, formando um exército popular que, em 20 de janeiro de 1949, se tornou o Exército Popular de Libertação do Laos (EPLL).

Em 1949 Kaysone Phomvihane se tornou membro do Partido Comunista da Indochina.

No primeiro Congresso dos Representantes do Povo do Laos (13-15 de agosto de 1950), ele foi eleito para o Comitê Central da Frente de Libertação do Lao (Neo Lao Istala), e foi indicado ministro da defesa no governo de resistência nacional.

No Segundo Congresso do Partido Comunista da Indochina (11-19 de fevereiro de 1951), foi decidido que cada país das antiga Indochina Francesa deveria fundar um partido independente. Em 22 de março de 1955 o Primeiro Congresso do Partido Popular Revolucionário do Lao (PPRL) (Constituinte) elegeu Kaysone Phomvihane ao posto de Secretário Geral de seu Comitê Central. No mesmo ano ele também foi indicado comandante-chefe do EPLL.

Kaysone Phomvihane também foi um dos organizadores da Frente Patriótica do Lao (Neo Lao Haksat), fundada em 6 de janeiro de 1956 pelo PPRL. Em 1959 ele foi eleito presidente do Comitê Central.

Em fevereiro de 1972 Kaysone Phomvihane foi reeleito Secretário Geral do Comitê Central do Partido em seu Segundo Congresso e, em 2 de dezembro de 1975, o Congresso Nacional dos Representantes do Povo do Laos, tendo desmantelado o sistema monárquico, proclamou a República Democrática Popular do Laos, ao promulgar o programa pelo desenvolvimento do socialismo, apontou-o Primeiro Ministro da RDPL.

Liderado pro Kaysone Phomvihane, o PPRL teve sucesso na tarefa da etapa democrático-nacional da revolução ao aplicar criativamente os princípios do marxismo-leninismo nas condições do contexto do Laos. Sob essa direção, o Comitê Central do PPRL e o governo da RDPL estão conduzindo a importante tarefa de eliminar todos os rastros do colonialismo, neocolonialismo e do sistema feudo-monárquico, e estão estabelecendo as bases da sociedade socialista, pulando a etapa do desenvolvimento capitalista.

Ele também devota a maior parte de seu tempo e energia em organizar o revide às tentativas do imperialismo e da reação mundial de prejudicar os ganhos revolucionários do povo do Lao, e também para fortalecer os órgãos do poder popular.

Kaysone Phomvihane visitou a União Soviética em várias ocasiões. Ele encabeçou a delegação do PPRL no vigésimo-segundo, vigésimo-quarto e vigésimo-quinto congressos do PCUS e também as delegações que compareceram às celebrações que marcaram o quinquagésimo e sexagésimo aniversários da Grande Revolução Socialista de Outubro. Seus encontros com Leonid Brezhnev em 6 de setembro de 1976, 16 de maio de 1977 e 26 de setembro de 1979 foram grandes marcos no desenvolvimento dos laços fraternos e de cooperação geral entre o PCUS e o PPRL, entre a URSS e a RDPL e entre os povos de ambos países.

SOBRE O PROCESSO REVOLUCIONÁRIO DO LAOS, POR KAYSONE PHOMVIHANE

Após quase cem anos de luta incessante contra os agressores imperialistas, sendo que destes os últimos trinta foram difíceis, mas gloriosos, sob a liderança de nosso Partido, todo o povo do Lao tomou o poder após a insurreição nacional no histórico mês de maio de 1975 que, como um furacão, varreu a força política e militar da burguesia compradora, da burocracia militar e dos feudalistas reacionários em serviço do imperialismo americano. Em 2 de dezembro de 1975 o Congresso Nacional dos Representantes do Povo aboliu o regime feudal e colonial e inaugurou a República Democrática Popular do Laos. Isso marcou a vitoriosa consumação da democracia nacional e o início da revolução socialista em nosso país.

Isso foi um sinal da vitória sem paralelos na história de nosso país. Graças a ela o povo do Lao se livrou para sempre da opressão imperialista e feudal. Desde aquele dia, com o país saindo da sombra sinistra do domínio usurpatório, o povo do Lao se libertou pela primeira vez em sua história das amarras da escravidão, ignorância e sofrimento, se tornando o verdadeiro mestre de seu país, de suas vidas e de seu futuro. Como consta na Declaração do Congresso Nacional dos Representantes do Povo de 2 de dezembro de 1975, essa vitória “significou uma mudança fundamental no destino de nossa nação e sociedade, abrindo uma nova era de rápido e vigoroso progresso para nossa terra-mãe no caminho da independência, união e prosperidade, ao garantir a qualidade de vida, liberdade e felicidade de todos os grupos étnicos, para sempre.”  

  A vitória da revolução no Laos e as vitórias dos povos fraternais do Vietnã e Kampuchea constituem uma vitória comum de significado histórico, de inauguração de uma nova era. Essa grande vitória representa o fracasso da contra-ofensiva mesquinha da potência imperialista reinante contra o movimento revolucionário global, desde a Segunda Guerra Mundial, uma redução da esfera imperialsita e a expansão da socialista, um rompimento das posições do imperialismo americano em uma área importante do sudeste asiático, e a destruição de sua estratégia global contra-revolucionária. Significou o fim do neocolonialismo americano na Indochina e confirmou vivamente que o neocolonialismo iria inevitavelmente morrer no resto do mundo. Essa grande vitória foi um estímulo importante para a luta das nações progressistas, substancialmente mudou o alinhamento global das forças em favor da paz, da independência nacional, da democracia e do socialismo, e deu novo ímpeto à ofensiva contra o imperialismo e a reação.

A vitória da nossa revolução também mostrou claramente, mais uma vez, que hoje em dia é possível para qualquer nação, ainda que pequena, sair vitoriosa contra os agressores imperialistas, garantido que seja conduzida por uma vanguarda – o Partido da classe trabalhadora que sabe como aplicar o marxismo-leninismo corretamente e criativamente às condições do país, e que é capaz de organizar e unir as forças da nação em conjunto às forças revolucionárias contemporâneas, com o auxílio do sistema socialista. Nós entendemos que as conclusões preliminares, reunidas a partir da experiência partidária ao aplicar seu método revolucionário estratégico e tático durante sua longa e complicada luta, têm significâncias práticas para nossa revolução na etapa atual, sendo ela a de consolidação da democracia popular em transição para o socialismo, e que vai possivelmente contribuir para a rica bagagem de experiências na aplicação do marxismo-leninismo nas revoluções de libertação de hoje.

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