O que aconteceu com Harry Whyte? O Comunista Gay que desafiou Stálin

Harry Whyte, que nasceu em Edimburgo em 1907, tem principalmente uma reivindicação à fama: em maio de 1934, quando empregado pelo Jornal Diário de Moscou, escreveu a Joseph Stalin para indagar se era possível uma pessoa ser homossexual e membro do Partido Comunista. O que motivou o apelo de Whyte a Stalin foi a decisão do estado soviético de recriminalizar os atos homossexuais tomada no ano anterior. Whyte era homossexual e um fervente comunista, tendo sido membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha antes de se mudar para Moscou. Sem dúvida, foi seu compromisso com a causa política levou a essa mudança de país pelo poliglota Whyte (ele sabia falar fluentemente russo e francês e demonstrou um conhecimento de trabalho de alemão e espanhol).

Quando eu li sobre Whyte no livro “Desejo Homossexual na Russia Revolucionária” de Dan Haley, desenvolvi uma enorme curiosidade sobre este homem, como e por que ele foi parar na União Soviética e, talvez o mais importante para mim, o que aconteceu com ele. A curiosidade colocou desencadeou uma série de eventos que culminaram em estabelecer contato com alguns de seus parentes que estavam vivos, os quais foram extremamente úteis ao me fornecer fragmentos de informações sobre seu enigmático parente. Para eles, Whyte era um mistério; eles não tinham nenhuma fotografia de seu tio Harry e qualquer informação sobre sua vida era obtida através de rápidas conversas em eventos de família.

De acordo com essas conversas ele teria sido um espião; viajando pela Europa Oriental sob a direção do serviço secreto britânico. Seu trabalho de espionagem teria acabado dramaticamente na Turquia, no lado errado de uma pistola. Mas essas histórias eram precisas?

Whyte foi criado em Edimburgo, filho do pintor de casas nascido em Brechin, William e sua esposa Harriet. No entanto, em poucos anos, a posição financeira de William Whyte melhorou e o jovem Harry foi enviado para a escola independente de George Heriot, no centro histórico de Edimburgo. Algo deve ter ocorrido na vida do jovem Harry, pois ele adotou uma forte ideologia política que permaneceu razoavelmente firme ao longo de sua vida adulta. O despertar político de Whyte despertou o interesse dos serviços de segurança britânicos, que mantiveram um arquivo ativo sobre ele até meados da década de 1950.

Antes da viagem de Whyte para a União Sovíetica, ele viveu em Chelsea, e em 1931, tinha se filiado e se tornado um membro do Partido Comunista. Pouco tempo depois que ele entrou no partido, foi para a União Soviética trabalhar no Jornal Diário de Moscou. Desde o momento em que ele chegou a Moscou, o serviço secreto britânico começou a monitorar suas atividades, com a assistência de “residentes” americanos na cidade. A estadia de Whyte em Moscou foi relativamente curta; sua partida foi acelerada por seu admirável, porém imprudente, envolvimento com Stalin, que achou a indagação de Whyte desagradável, rabiscando famosamente na carta “Para os Arquivos!”.O parceiro russo de Whyte havia sido preso como parte de uma repressão às atividades homossexuais na cidade no início de 1934, e as incertezas de Whyte sobre o destino de seu amante sem dúvida desempenharam um papel importante em sua decisão de apelar a Stalin.

Mas o que aconteceu com Harry?

De acordo com os serviços de segurança britânicos, Whyte foi expulso do Partido Comunista por “delitos morais” e, após deixar a União Soviética, estava envolvido com o Comitê Espanhol de Assistência Médica como um oficial de publicidade. Em 1938 mudou-se para Rabat, no Marrocos, onde trabalhou para a Reuters – ocasionalmente socializando com Michael Childers Davidson – no entanto, seu “comportamento desonroso” (dito por alguns como espionagem, por outros, sua homossexualidade) levou à sua expulsão, e ele desembarcou em Glasgow via Gibraltar em julho de 1941. O Ministério das Relações Exteriores, naquele mesmo ano, emitiu uma circular afirmando que Whyte não deveria “receber facilidades para viajar para qualquer território britânico além do Reino Unido…” Tchau! Lá se foram quaisquer sugestões de que ele era um agente secreto britânico.

Nos anos imediatamente seguintes à guerra, Whyte manteve sua ligação com o comunismo, escrevendo para a Socialist Review, com seus artigos criticando o pagamento das forças armadas, e apelando para um corpo militar internacional. No final da década de 1940, Whyte estava vivendo em Londres e, em maio de 1947, sofreu ferimentos relativamente graves quando foi “severamente espancado em uma briga com alguém que invadiu sua casa” – se isso foi o resultado de uma luta com um ladrão ou um envolvimento imprudente com algum “comércio bruto” está em aberto para debate. Sua surra foi tão severa que ele quase perdeu a visão de um olho.

Em 1950, Whyte estava viajando novamente, desta vez para a Turquia, onde continuou sua relação parcial com a Reuters, escrevendo sobre uma gama diversificada de histórias de notícias, desde a política externa turca e o Oriente Médio até o movimento de “jovem democracia”. Em 1953, sua associação com a Reuters chegou ao fim. Mas o anteriormente peripatético Whyte parecia ter encontrado alguma forma de contentamento em Ancara, onde permaneceu, trabalhando para uma gama diversificada de agências de mídia ocidentais.

O relatório final do MI5 sobre Whyte afirmou que “bebe muito, é homossexual e não é um personagem envolvente”. Tendo visto algumas de suas comunicações com comunistas americanos, a última descrição parece se encaixar. Ele parece ter sido um tipo caprichoso, ansioso para se envolver em uma discussão, operando com uma espécie de ressentimento. No entanto, apesar dessas falhas de caráter, eu meio que o admirava; sua dedicação às suas inclinações políticas e sua disposição de colocar sua segurança em risco por causa de seus princípios e amores. Intrigantemente, a última vez que alguém ouviu falar de Harry foi em meados da década de 1960, em um casamento de família, onde abundavam histórias – talvez apócrifas – de que Harry havia encontrado um fim trágico na Turquia. Traçar seus movimentos, suas ações e sua história é algo em que tenho trabalhado há algum tempo e, espero, em breve estarei em posição de contar a história de Harry. Harry, era sem dúvidas, um homem corajoso ao apelar a Stalin, mas parecia ser uma alma inquieta, sempre viajando, sempre buscando algum grau de segurança e contentamento e, em última análise, parece que nunca encontrou isso.

Quem sabe ele não teria falecido antes, se não fosse pela graça de Deus, como dizem.


Artigo originalmente escrito por Jeff Meek, disponível neste link.

Tradução por Andrey Santiago

2 thoughts on “O que aconteceu com Harry Whyte? O Comunista Gay que desafiou Stálin

  1. Eu amo o trabalho de vocês, de verdade. Mas essa tradução ficou muito ruim!

    1. Vamos revisar! Essa é uma das traduções mais antigas que temos, obrigado pelo comentário!

Deixe uma resposta para AnônimoCancelar resposta

Descubra mais sobre TraduAgindo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close