As quatro vezes que Stálin tentou renúnciar

Josef Stálin foi eleito Secretário-geral do Comitê Central (CC) do PCUS em abril de 1922 durante o 11º Congresso do Partido. Entre este dia e até sua morte, ele pediu para ser dispensado de suas funções enquanto Secretário-geral num total de quatro vezes – todas as quais foram rejeitadas.

Por moção de Lênin, o Plenário do Comitê Central, em 3 de abril de 1922, elegeu Stálin … [como] Secretário Geral do Comitê Central, cargo em que permaneceu desde então.

Alexandrov, G. F. Joseph Stálin; uma breve biografia. Moscou: FLPH, 1947, p. 74

A primeira tentativa de Stálin de renunciar (provavelmente em 1925) do cargo de Secretário-geral foi em uma reunião do Comitê Central após o 13º Congresso (realizado em maio de 1924). Esse pedido foi rejeitado por unanimidade por todas as delegações, incluindo a de Trotsky. Stálin comentou sobre isso mais tarde em 1927 em um discurso feito durante uma reunião do Comitê Central:

É dito que nesse “testamento” o camarada Lênin sugeriu ao congresso que, em vista da “grosseria” de Stálin, se deveria considerar a questão de colocar outro camarada no lugar de Stálin como Secretário-geral. Isso é verdade.

Sim, camaradas, sou grosseiro com aqueles que de forma grosseira e pérfida destroem e dividem o Partido. Eu nunca escondi isso e não escondo agora. Talvez seja necessário um pouco de suavidade no tratamento de divisores, mas sou péssimo nisso.

Logo na primeira reunião do plenário do Comitê Central após o 13º Congresso, pedi ao plenário do Comitê Central que me liberasse de minhas funções enquanto Secretário-geral. O próprio congresso discutiu esta questão. Foi discutido por cada delegação separadamente, e todas as delegações por unanimidade, incluindo Trotsky, Kamenev e Zinoviev, obrigaram Stálin a permanecer em seu posto.

O que eu poderia fazer? Abandonar meu posto? Isso não é da minha natureza; Nunca abandonei nenhum posto e não tenho o direito de fazê-lo, pois isso seria deserção. Como já disse antes, não sou um agente livre e, quando o Partido me impõe uma obrigação, devo obedecer.

Um ano depois, apresentei novamente ao plenário um pedido de renúncia, mas fui novamente obrigado a permanecer no meu posto. O que mais posso fazer?

As duas tentativas seguintes de renunciar ao cargo de secretário-geral foram um ano depois, em 1926 e, posteriormente, em 1927. O historiador britânico Robert Service, especializado em história russa, escreveu sobre isso em sua biografia de Stálin:

Em 27 de dezembro de 1926, ele escreveu ao presidente do Sovnarkom, Alexei Rykov, dizendo: “Peço-lhe que me liberte do cargo de Secretário-geral do Comitê Central. Afirmo que não posso mais trabalhar neste cargo, que não estou em condições de trabalhar mais neste cargo.” Ele fez uma tentativa semelhante de renúncia em 19 de dezembro de 1927.

Todas as três tentativas anteriores foram rejeitadas. A última tentativa de renúncia foi em 1952, cerca de cinco meses antes da morte de Stálin, durante uma reunião do Comitê Central onde ele instou o Comitê Central a liberá-lo de suas funções. Este pedido também foi rejeitado.

Em um discurso que ele proferiu ao Comitê Central onde criticava principalmente Molotov por algumas de suas decisões, ele foi interrompido perto do final do discurso por alguém do plenário.

VOZ DE ALGUÉM NO PLENO – Precisamos eleger o camarada Stálin como Secretário-geral do CC do PCUS e Presidente do Conselho de Ministros da URSS.

STÁLIN – Não! Estou pedindo que me isentem dos dois postos!

MALENKOV – vindo à tribuna: Camaradas! Devemos todos pedir unanimemente ao camarada Stálin, nosso líder e nosso professor, que seja novamente o Secretário Geral do CC do PCUS.


Texto originalmente publicado em inglês no blog Socialist Musings, disponivel neste link.

Tradução por Andrey Santiago.

Um comentário em “As quatro vezes que Stálin tentou renúnciar

  1. Esse texto foi meio pesado, agora eu tô imaginando o stalin chorando, realmente cansado, se sentindo incapaz, mas obrigado a continuar, serio, eu tô começando a chorar,isso é muito triste, meu deus, duraram cada gota do homem e depois botaram pra Cristo. Na Mirandinha Cara, esse texto me deixo pra baixo

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