José Carlos Mariátegui – Sou um revolucionário

Texto retirado do livro “José Carlos Mariátegui – Correspondencia”

Tradução por Andrey Santiago


Lima, 30 de abril de 1927

Sr. Samuel Glusberg

Buenos Aires

Caro companheiro:

Por favor, desculpe-me pelo atraso nestas linhas. Queria responder sem demora à sua agradável mensagem de amizade e simpatia. Mas, por algum tempo, fui forçado a negligenciar quase completamente minha correspondência. Tenho uma saúde instável. Me salvei há três anos da morte ao custo de uma amputação. E até agora sofro as consequências daquela crise que me deixou amputado e doente. Felizmente, estou melhorando há alguns meses. Meu trabalho, no entanto, ainda está além de minhas forças.

Recebi os livros que você me enviou. Agradeço o presente. Tenho grande estima por seus autores, Horacio Quiroga e Cano. Sobre ambos, dirá algo Amauta, a revista que dirijo e que regularmente te envio.

Estou politicamente no polo oposto ao de Lugones. Sou um revolucionário. Mas creio que entre os homens de pensamento claro e uma posição definida é fácil se entender e se apreciar, mesmo em uma luta. Acima de tudo, lutando entre si. O setor político que jamais entenderei é o outro: o do reformismo medíocre, o do socialismo domesticado, o da democracia farisaica. Além disso, se a revolução exige violência, autoridade, disciplina, estou a favor da violência, da autoridade, da disciplina. Aceito-as em bloco, com todos os seus horrores, sem reservas covardes. Em Lugones sempre admirei o artista, o pensador que se expressa sem equívocos e sem oportunismo. Ideologicamente, estamos em campos adversos. Lamento que ele fortaleça os conservadores com seu nome e com sua ação. Embora seja sempre uma vantagem enfrentar adversários de sua estatura.

Estou anexando uma cópia de um artigo que publiquei sobre Rehab de Waldo Frank. Com o último número de Amauta vai o artigo que escrevi para o Boletim Bibliográfico da Universidade de Lima. Foi reproduzido pelo Repertorio Americano e outros jornais.

Se eu puder servir para ajudá-lo a divulgar as obras de sua editora em Lima, envie-as para mim como quiser. Podemos estabelecer o intercâmbio com os livros que o Minerva publica.

Amauta oferece suas páginas para ti.

E tenho o prazer de subscrever a você com os sentimentos mais devotados, meu querido, companheiro.

José Carlos Mariátegui

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