Como andam os bissexuais?

O casamento entre pessoas do mesmo sexo agora é lei! Obrigado #SCOTUS (Suprema Corte)! Ainda sim acadêmicos e especialistas igualmente alertam os norte-americanos LGBTQ que o casamento igualitário não vai produzir uma sociedade “pós-gay”. Em vez disso, o novo estado das coisas exige que reconheçamos simultaneamente a correlação entre o casamento igualitário e uma crescente aceitação social dos indivíduos LGBTQ e que nossa comunidade é composta de pessoas que, por razões práticas ou ideológicas, não se beneficiarão da mesma forma que a principal parte da população LGBTQ será com o casamento igualitário.

Quem são tais pessoas? Um grupo inclui as pessoas bissexuais, que para muitos parecem invisíveis, especialmente, já que 84% daqueles que estão em um relacionamento, estão em um relacionamento com um indivíduo do gênero oposto. Uma pesquisa social nos mostra por que devemos nos atentar para abordar as preocupações dos bissexuais em nossa comunidade. Embora as pessoas bissexuais não se apresentem necessariamente como queer, a orientação sexual é uma característica definidora de relacionamentos próximos em que um indivíduo é bissexual. Bifobia e estereotipagem são centrais para os desafios do relacionamento.

A bifobia é uma causa direta dos baixos números (28%) de bissexuais “fora do armário”. Um estudo recente mostra que a compreensão dos entrevistados sobre a prevalência de bifobia e monossexismo desempenha um papel direto na relutância dos bissexuais em se assumirem. Além disso, pessoas identificadas como bissexuais enfrentam o mesmo heterossexismo e homofobia enfrentados pelo restante da comunidade LGBTQ. Ao contrário de gays e lésbicas, devido à sua capacidade percebida de se apaixonarem e se comprometerem com alguém do sexo oposto, os bissexuais precisam lidar frequentemente com as persistentes esperanças dos membros da família de que acabarão se conformando a um casamento heterossexual monogâmico.

Uma das principais fontes de conflito nos relacionamentos em que um membro é bissexual é a disjunção entre as suposições sobre bissexuais e a variedade de maneiras pelas quais os bissexuais se envolvem em relacionamentos. Heather L. Armstrong e Elke D. Reissing relataram que os estereótipos bissexuais funcionavam para causar problemas relacionais que pioravam à medida que os níveis de comprometimento aumentavam. Questões comuns incluíam inveja, competição entre (em muitos casos imaginários) amantes em potencial e rígidas expectativas de comportamento específico, incluindo (mas não se limitando a) monogamia, não-monogamia, aventureirismo sexual e sexualidade restrita. Não foram os comportamentos do parceiro bissexual que causaram essas perturbações, mas sim a expectativa de instabilidade do parceiro não-bissexual e a dependência de estereótipos que foram o catalisador para problemas de relacionamento.

Alguns bissexuais cumprem estereótipos. Mas mesmo isso é uma função mais da resposta de um indivíduo bissexual à bifobia do que de qualquer coisa inerentemente patológica sobre uma pessoa bissexual. Em um estudo com mulheres heterossexuais que tinham relações sexuais com pessoas do mesmo sexo em sigilo, um pesquisador descobriu que elas faziam isso porque sentiam que era a única maneira de reconciliar seus desejos sexuais entre pessoas do mesmo sexo e seu compromisso com o casamento e a família. Em outras palavras, eles se envolvem nesses comportamentos em segredo para manter seus relacionamentos de longo prazo.

Indivíduos bissexuais, especialmente aqueles com parceiros do sexo oposto, eram significativamente mais propensos do que lésbicas, gays e heterossexuais a serem vítimas de violência por um parceiro íntimo. As mulheres bissexuais tiveram as taxas mais altas de todas as formas de vitimização, e os homens bissexuais foram significativamente mais propensos do que homens homossexuais e heterossexuais a sofrer violência por um parceiro intimo. Bissexuais esmagadoramente (78,5 por cento dos homens e 89,5 por cento das mulheres) sofreram essa violência em um relacionamento misto. Um estudo qualitativo investigou a violência física e psicológica cometida por um parceiro intimo contra bissexuais e descobriu que, em muitos casos, a violência era motivada por bifobia.

Apesar do fardo da bifobia, ainda há muito potencial para as pessoas bissexuais se engajarem em relacionamentos satisfatórios. Pesquisadores demonstraram como uma redução no binarismo de gênero e em expectativas heteronormativas nos relacionamentos levam ao sucesso. Um novo estudo sobre satisfação em relacionamentos entrevistou 26 casais de sexo misto em que, pelo menos, um dos parceiros era abertamente bissexual e nenhum dos parceiros estava em aconselhamento. Metade desses casais tinha um membro que se envolvia sexualmente fora do relacionamento principal. Esses casais tinham relacionamentos amplamente satisfatórios, e isso acontecia independentemente de “renda, educação, tempo de revelação, atividade sexual e níveis de comunicação”. O autor observou que as descobertas significam a importância da “compaixão, compromisso, amor e compreensão” para relações satisfatórias em que um membro é bissexual.

Repetidamente, a pesquisa mostra que, quando os bissexuais não se sentem estigmatizados, julgados ou limitados por suas identidades bissexuais, eles têm um potencial muito maior de relacionamentos satisfatórios e estáveis. Enquanto a comunidade LGBTQ se une em torno de metas comuns, será importante lembrar que nosso trabalho não estará completo até que o status LGBT não aumente a probabilidade de resultados negativos para a vida pública ou pessoal de qualquer membro de nossa comunidade.

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Artigo originalmente escrito por Braxton Jones para o Conselho sobre Famílias Contemporâneas, disponível no original, aqui.

Tradução por Andrey Santiago.

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