Poesias de Luta da América Latina – Jeff Vasques [PDF]

poesia

Disponibilizamos no blog TraduAgindo a versão digital do livro “Poesia de Luta da América Latina” organizado por Jeff Vasques.

Para acessar o livro e baixá-lo, clique aqui.

Primeira edição, 2017, 256 páginas
Organização e tradução de Jeff Vasques.
Revisão de Lucas Bronzatto e Tomás Rosati.
Prefácio de Luis Scapi e Mauro Iasi.

Nas palavras de Jeff sobre o livro:

Esta antologia é, muito provavelmente, a primeira do gênero no Brasil. Ao menos, não tenho conhecimento de qualquer outra como esta. Já foram produzidas antologias similares, mas focadas na poesia brasileira, como as organizadas no livro “Canto Melhor”, por Manoel Sarmento Barata, em 1969, e nos Cadernos do Povo Brasileiro – Poemas para a Liberdade (CPC da UNE), por Moacyr Félix, em 1963. Mas nenhuma abrange a poesia latinoamericana. Há a interessante antologia “Poetas da América de Canto Castelhano” de Thiago de Mello, mas que não está dedicada aos poetas de luta. Mesmo em língua espanhola, nas Américas, não há muitas coletâneas com esse caráter. Ao que tudo indica, a primeira antologia do gênero surge em 1975, impressa pelo governo cubano com o nome de “Assalto aos céus”. Tive conhecimento de apenas quatro outras antologias do gênero, dentre elas a “Poesia Trunca”, organizada por Mario Benedetti, em 1977, importante divulgador e incentivador desses poetas combatentes.

Essa ausência de antologias se dá, em grande medida, pelo apagamento histórico resultante da contra-ofensiva burguesa após o avanço das revoluções socialistas do século e de seus levantes populares pela América. Essa contra-ofensiva impôs a derrota à esquerda revolucionária através das ditaduras instauradas em toda a América, orquestradas pelo imperialismo norte-americano. No Brasil, em específico, esse apagamento se agrava por uma certa postura econômica e cultural imperialista, que se fecha para a produção artística da américa latina. Ainda mantemos uma linha de Tordesilhas que nos separa de nossos irmãos de continente. Não conhecemos a história e cultura das Américas, menos ainda a história e cultura de suas organizações revolucionárias. Espero com esta antologia (e com o projeto Eupassarinho – www.eupassarinho.org) reduzir um pouco esse desconhecimento.

Você encontrará nesta antologia, segundo a classificação de Benedetti, poetas-lutadores (poetas que em certo momento de suas vidas se engajaram nas lutas revolucionárias, como Ferreira Gullar); lutadores-poetas (militantes que lançaram mão da poesia como arma e ferramenta de asculta de si e da história (como Che Guevara, Carlos Marighella) e aqueles, mais raros, que foram igualmente grandes lutadores e poetas, como José Martí (Cuba) e Roque Dalton (El Salvador). São aproximadamente 160 poesias de 80 poetas lutadores de 22 países, abrangendo, centralmente, o período histórico da segunda metade do século XX.

Trata-se de um período único na história das Américas, quando se forjou uma crescente unidade cultural entre os povos, efervescência das artes em luta que, enraizadas nas manifestações tradicionais de seus povos, projetavam o vir-a-ser da classe trabalhadora, época do movimento da Nueva Canción (ou Nueva Trova, como ficou conhecido em Cuba). Período em que foi possível observar os germes da pátria imaginada por Bolívar, a Pátria Grande, que reuniria os povos da América Latina em uma só pátria, que segundo Martí, é a humanidade.

Os poemas selecionados retratam as mais diversas lutas sociais, os anseios, amores, valores de lutadores e lutadoras, em grande medida guiados pelo espírito revolucionário comunista, havendo também posições mais raras na esfera do anarquismo e de campos mais difusos da esquerda. Muitos desses poetas morreram em combate, nos porões, na tortura, ou passaram por intensos períodos presos, nas guerrilhas, desenvolvendo papéis não só de combatentes, artistas engajados em seu tempo histórico, mas também de intelectuais orgânicos de sua classe. Muitos vivenciaram derrotas e, alguns poucos, vitórias revolucionárias. Em geral, foram desprezados ou ridicularizados por seus companheiros de organização, já que a poesia era vista como um desvio burguês. Foi necessário, como diz Benedetti no comovente poema “Estes poetas são meus”, que sacrificassem a própria vida para que suas letras e suas lutas fossem reconsideradas. São, em geral, os militantes mais autocríticos e questionadores, como observamos no poema “Não somos os  melhores” de Thiago de Mello, escrito após vivenciar a derrota de Allende. Não-raro esses poetas-lutadores sofreram repreensões justamente por sua criticidade (como aponta Alex Polari em seu fenomenal “Escusas Poéticas II”, verdadeiro manifesto da poesia de luta). E não podemos deixar de mencionar o caso mais revoltante, o assassinato do poeta salvadorenho Roque Dalton por seus próprios companheiros de organização, que não compreendiam (ou não aceitavam) o caráter heterodoxo de sua personalidade, reflexão e arte. Por tudo isso, a poesia de luta, carregada de crítica e autocrítica, é um importante instrumento de apreensão de nossa história, de nossa época atual e do futuro com que tanto sonhamos.

Advirto que há muitas limitações nesta seleção que precisam ser consideradas: limitações da pesquisa, já que não é fácil, no Brasil, encontrar esse tipo de material; limitações econômicas (foi necessário limitar o número de poetas e poesias para reduzir o tamanho do livro e assim torná-lo economicamente acessível); limitações e preferências várias do organizador (busquei, sempre, favorecer a diversidade). Logo, espero que vejam esta antologia como uma janela aberta para um novo universo, e sigam na pesquisa por essa reconexão com a força de nossa classe latinoamericana, expressa em suas lutas, arte e poesias.

Há ainda um apêndice com mais poetas que não entraram na seleção oficial, com poesias muito utilizadas nos cursos de formação política do 13 de Maio. E, também, uma tradução inédita do único poema de Lênin de que se tem conhecimento. Desejo boa luta com as palavras e boa leitura da realidade!

Jeff Vasques

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