György Lukács – “Marx e o Problema da Decadência Ideológica”

Para baixar o artigo de 54 páginas escrito em 1934, com a tradução publicada pelo Instituto Lukács no seu Anuário de 2015, clique aqui.

Para um breve apresentação sobre o artigo, leia o texto abaixo:

Em “Marx e o problema da decadência ideológica”, Lukács, analisando o processo de decadência ideológica da burguesia, afirma que a principal característica dos defensores da ordem (os apologetas) é a mitigação ou obscurecimento das “contradições do desenvolvimento social” em conformidade com as “necessidades econômicas e políticas da burguesia”. Tal processo de falsificação usualmente ocorre por meio de uma construção a “bel-prazer” de uma “pseudo-história”, “interpretada superficialmente” ou deformada em sentido subjetivista” (1968, p. 51).

Outra característica marcante do agir apologético é a redução da atividade científico-filosófica a “disputas formais e verbais com doutrinas precedentes” – que nada mais são do que a substituição da realidade por simples fraseologias (“frases vazias”) (p. 51-52). Para exemplificar tal situação, Lukács traz as reflexões de Marx a respeito de Stuart Mill, cujo pensamento consiste em uma das manifestações teóricas que promove a eliminação da realidade concreta. “Em parte a oposição teórica dos adversários da nova teoria, em parte a relação quase sempre paradoxal desta teoria com a realidade, incitam-no a tentar refutar os primeiros e eliminar a segunda” (MARX apud Lukács, 1968, p. 53). Portanto, “trata-se, simplesmente, da tentativa de apresentar como existente o que não o é. Mas é por meio desta forma imediata que Mill busca resolver o problema”. Ou seja, em seu sistema teórico “não é possível nenhuma solução real, mas tão somente uma característica abolição das dificuldades através do raciocínio, ou seja, uma solução apenas escolástica” (p. 53-54).

No entanto, a decadência ideológica da burguesia não é um processo homogêneo. Lukács identifica que, enquanto na Alemanha a trajetória decadente do pensamento burguês se inicia com a “dissolução do hegelianismo” (LUKÁCS, 1968, p. 50), na Inglaterra tal processo se materializa na “dissolução da escola ricardiana” (p. 54). Neste caso, “com o triunfo da orientação apologética, a linha de Ricardo é deformada e rebaixada a uma apologética direta e vulgar do capitalismo”.

A apologia direta é aquela que “transforma a unidade das contradições em identidade imediata destas contradições” (MARX apud. LUKÁCS, 1968, p. 55). Na economia ela “se limita a uma mera reprodução dos fenômenos superficiais”, culminando numa “exaltação vazia da ‘harmonia’”. Portanto, se trata “de um processo espontâneo de decadência científica”, que está “em estreito contato com a apologia consciente e venal da economia capitalista” (LUKÁCS, 1968, p. 55).

No outro extremo, Lukács (p.55) localiza a “crítica romântica do capitalismo”. Contudo, aqui é importante mencionar como Marx afasta a crítica romântica da concepção ricardiana, uma vez que a concepção ricardiana apresenta uma “cínica franqueza”. Mas tal cinismo é considerado, por Marx, uma virtude do trabalho de Ricardo, posto que se trata de um “cinismo que está implícito nas próprias coisas”. Portanto, Ricardo enxerga o cinismo da própria realidade econômica.

Já a crítica romântica – como a de Carlyle – “padecia (…) da tendência a buscar o caminho da salvação da barbárie da civilização” capitalista “não na direção do futuro”, mas sim “no passado” (LUKÁCS, 1968, p. 59). Dessa forma, a ela abre caminho para uma “apologia indireta”, “mais perigosa” (p. 56), “complicada e pretensiosa, mas não menos mentirosa e eclética” do que a apologia direta e vulgar (p. 55).

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Resumo originalmente publicado na página “Estudando Lukács“.

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