Ho Chi Minh – Ódio Racial

Escrito para Le Paria, em 1 de julho de 1922.

Publicado originalmente no site Marxists.

Tradução por Andrey Santiago


Por ter discursado sobre a luta de classes e a igualdade entre os homens, sob a acusação de ter pregado pelo ódio racial, nosso camarada Louzon foi sentenciado a prisão.

Vejamos como o amor entre os povos tem sido entendido e aplicado na Indochina até o momento. Não vamos falar sobre o atual envenenamento e degradação das massas pelo álcool e ópio, do qual o governo colonial é culpado; nossos camaradas no grupo parlamentar terão que lidar com esse assunto algum dia.

Todos sabem sobre os atrevimentos do administrador-assassino Darles. Entretanto, ele ainda está longe de ter o monopólio da selvageria contra os nativos.

Um certo Purcignon furiosamente avançou contra um anamês que estava ousadamente curioso para olhar para sua casa europeia por alguns segundos. Ele bateu no anamês e ao final alvejou-o com uma bala na sua cabeça.

Um oficial ferroviário agrediu o prefeito de uma vila Tonkinense com uma bengala.

M. Beck quebrou a cabeça de seu motorista com um forte soco de seus punhos.

M. Bres, empreiteiro, chutou um anamês até a morte depois de amarrar seus braços e deixa-lo ser mordido pelo seu cão.

M. Deffis, administrador, matou seu servente anamês com um poderoso chute em seus rins.

M. Henry, um mecânico em Haiphong, escutou um barulho na rua; a porta da sua casa abriu, uma mulher anamesa entrou, sendo perseguida por um homem. Henry, acreditando que era um nativo perseguindo uma “con-gai” [2] empunhou seu rifle de caça e atirou nele. O homem caiu, duro como pedra; era um europeu. Questionado, Henry respondeu, “Eu achei que era um nativo”.

Um francês deixou seu cavalo em um estábulo onde havia uma égua que pertencia a um nativo. O cavalou empinou, levando o francês a uma raiva furiosa. Ele agrediu o nativo, que começou a sangrar pela boca e orelhas; onde depois ele amarrou suas mãos e o enforcou embaixo de uma escada.

Um missionário (ah sim, um gentil apóstolo!), suspeitou que um seminarista nativo teria roubado 1000 paistres dele… amarrou-o a uma viga e bateu nele. O pobre colega perdeu a consciência. Ele estava abatido. Quando ele começou a ter seus sentidos de volta. Ele estava morrendo, e talvez já esteja morto atualmente… etc.

A justiça puniu esses indivíduos, esses civilizadores? Alguns foram inocentados e outros não foram perturbados pela lei de modo algum. Isso ocorreu antes. E agora.

Acusado Louzon, é a sua vez de falar!

Notas da Tradução

[1] Termo utilizado para se referir aos habitantes do atual Vietnã, análogo ao termo “vietnamita”.

[2] Termo vietnamita que se refere a uma mulher solteira.

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