Carlos Marighella – A Luta contra os Bandos Integralistas em 1935

Publicado em 9 de janeiro de 1950, no jornal Voz Operária.

Transcrição por Andrey Santiago.


A luta contra os bandos integralistas sempre constituiu uma tarefa permanente dos nacional-libertadores e de todas as forças democráticas e progressistas com os comunistas à frente, desde que surgiu o integralismo em nosso país.

Mas foi no ano histórico de 1935 que a luta contra os bandos integralistas chegou ao seu apogeu.

Os integralistas, que contavam com o apoio dos homens das classes dominantes e representavam os interesses da grande burguesia brasileira e dos latifundiários, submissos todos eles aos imperialistas, sofreram sérios reveses impostos pelas massas populares, influenciadas pela Aliança Nacional Libertadora ou agrupadas sob a sua gloriosa bandeira.

Os integralistas tomavam abertamente a defesa do imperialismo alemão e eram utilizados pelo governo do ditador Vargas como tropas de choque contra o movimento reivindicatório da classe operária e a organização sindical, contra as manifestações populares e o crescente movimento nacional-libertador.

Para ganhar influência sobre as massas, o integralismo – forma de que se revestiu o fascismo em um país semi-colonial como o nossos – fingia-se inimigo de tudo quando humilhava os sentimentos nacionais de nosso povo. Não poucos brasileiros se deixaram iludir pela estudada aparência anti-imperialista do integralismo e só mais adiante, através da própria experiência, se puderam dar conta do terrível engano.

Mas era com essa máscara nacionalista que os bandos integralistas desempenhavam o seu papel como força da reação feudal-burguesa, para massacrar o povo e tentar sufocar as aspirações das grandes massas, ansiosas pela libertação nacional.

Sob a direção dos comunistas as grandes massas puderam derrotar os bandos integralistas.

Mas qual foi a grande arma empregada pelos comunistas para o combate a estes terríveis inimigos do povo e de nossa independência?

A arma empregada foi a frente única. Os comunistas brasileiros compreenderam a tempo que só a unidade de ação do proletariado no plano nacional e internacional, a aliança com os camponeses e as demais camadas da população, a frente única, enfim, dirigida contra integralismo e os seus lacaios, seria capaz de deter o braço do fascismo.

Pondo em prática a tática de frente única foi possível derrotar os bandos integralistas em outubro de 1934, quando pela primeira vez eles tentaram no Brasil uma demonstração de força, com um desfile monstro em plena Praça da Sé, na capital de São Paulo.

Comunistas, anti-fascistas, progressistas, democratas de todas as tendências se uniram então em face do perigo. Através de um ardente chamado ao povo e ao proletariado paulista e de um intenso trabalho de organização, conseguiram mobilizar amplamente as massas, que dissolveram à bala a manifestação dos camisas-verdes, pondo-os em fuga na mais esmagadora derrota que já sofreram em todos os tempos entre nós e que até hoje vive na memória do povo.

Este exemplo de unidade de ação frutificou. No ano de 1935, o Partido Comunista do Brasil, mais experimentado e ligado às massas, depois de uma onda de greves que abalou o país inteiro no ano de 1934, tornou-se “o organizador e o dirigente do glorioso movimento da Aliança Nacional Libertadora, frente única dos patriotas e democratas que em todo o Brasil se uniram para impedir a fascistização de nossa terra”, conforme bem acentuou o camarada Prestes ao entrar o PCB na legalidade em 1945.

Os integralistas, que, em outros lugares do Brasil sofreram revezes idênticos ao da Praça da Sé, como aconteceu na cidade fluminense de Campos, onde foram também postos em fuga pelo povo, passaram a sofrer derrotas sobre derrotas com o aparecimento da Aliança Nacional Libertadora em 1935. Foi por isto que nesse ano atingimos o apogeu na luta contra os bandos integralistas.

Sob a influência da ANL, o mais poderoso movimento de massas anti-fascista e anti-imperialista até então surgido no Brasil, os integralistas e seu chefe Plínio Salgado foram escorraçados de Porto Alegre, repelidos em Mossoró e Natal no Rio Grande do Norte, enfrentados de armas na mão pelo povo em Petrópolis, na grande passeata aliancista em que tombou sob as balas dos bandidos nazi-integralistas o operário Cantú.

Tremenda derrota infligida nos integralistas foi, porém, quando eles pretenderam em outubro de 35, um ano depois de sua espetacular fuga da Praça da Sé, realizar uma série de congressos nas várias capitais e em algumas cidades do interior do Brasil. Apesar do apoio aberto de Vargas e dos governadores estaduais, Plínio Salgado e seus asseclas foram expulsos de toda a parte. Destacou-se nessa oportunidade a ação do proletariado da Bahia. O Congresso integralista na cidade de Salvador foi garantido pelas armas pelo governador, o atual nazi-ianque Juraci Magalhães. O proletariado baiano, porém, lançou-se a uma memorável greve de massas, que frustrou o plano dos integralistas. Os ferroviárias recusaram-se a transportar os delegados camisas-verdes do interior, os carregadores recusaram-se a carregar suas malas, os trabalhadores de hotéis alojá-los, os garçons a servi-los nos restaurantes, os trabalhadores em transportes urbanos a levá-los. A Federação dos Trabalhadores da Bahia dirigiu o movimento, que contou com apoio de todo o povo. Sob a hostilidade geral da população e com a vida da cidade paralisada, o congresso integralista foi levado ao mais absoluto fracasso.

Foi isto em outubro, um mês depois, a 23, 24 e 27 de novembro deflagrava-se a gloriosa insurreição da Aliança Nacional Libertadora, que havia de por termo às tropelias dos bandos integralistas. Eles ainda procuraram erguer a cabeça em 36, 37 e 38, mas já estavam totalmente desmascarados. O povo já os conhecia de sobra. Durante a guerra patriótica contra o nazi-fascismo, os integralistas revelaram abertamente mais uma vez a sua fisionomia repelente de traidores da pátria. Eles foram dentro de nossa terra a espinha dorsal da quinta coluna e davam informações aos submarinos de Hitler e Mussolini para torpedeamento dos navios brasileiros.

Hoje, os bandos integralistas atuam disfarçados dentro dos partidos políticos das classes dominantes e de grupos de provocadores que sob a direção da polícia se entregam à tarefa de espalhar o terror entre o povo, assaltando as residências dos comunistas, atacando-os à traição ou entregando-se a uma suspeita campanha de pinturas murais, onde não é difícil enxergar o dedo do imperialismo ianque.

Para derrotá-los não é preciso mais do que repetir o exemplo de 35, levar avante a frente única. O que se tonará realidade pondo em prática o Manifesto de Prestes de 1ª de Agosto, unificando as amplas forças populares na luta pela paz e a independência nacional, estruturando a partir das organizações de base a grande e poderosa FRENTE DEMOCRÁTICA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL, lutando pelo seu programa e por um governo da democracia popular.

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