Karin L. Stanford – Uma Perspectiva Política de Tupac Shakur

Originalmente publicado no Journal of Black Studies, Vol. 42, No. 1 (JANUARY 2011), pp. 3-22.

Artigo escrito por Karin L. Stanford, professora de Ciência Política e Estudos Afro-Americanos na Universidade do Estado da Califórnia.

Tradução por Guilherme Henrique

Este tradutor optou pela não tradução de certos termos e nomes de organizações, entendendo que poderia prejudicar o sentido e o contexto do artigo. Um claro exemplo é o termo “Thug Life”, que traduzido para o português seria algo como “Vida de Bandido”. A utilização desse termo por Tupac em sua obra e pela autora do artigo, além da sua popularização na mídia e o que ele representa, fez com que o original, em inglês, fosse entendido como a melhor escolha.


Resumo

Com exceção de seus críticos mais incendiários, Tupac Shakur é geralmente visto como um artista socialmente consciente, cuja credibilidade política está localizada em suas críticas líricas ao racismo e à filiação de sua mãe ao Partido dos Panteras Negras. Escritores populares e acadêmicos falharam em examinar as distintas ideias políticas e o identificável ativismo de Tupac. Este artigo serve como prolegômeno para o diálogo necessário sobre a política de Tupac Shakur. A partir de entrevistas, declarações públicas e análises líricas, a autora expande o discurso sobre a contribuição de Shakur para a luta afro-americana contra o racismo e a injustiça.

O fascínio mundial por Tupac Shakur é inquestionável. Embora ele tenha sido assassinado em um tiroteio aos 25 anos, o rapper, que virou ator, foi considerado um dos mais talentosos poetas do hip hop. Em vida, Shakur também era conhecido por seu carisma e personalidade guerreira que desafiou a supremacia branca, discriminação e injustiça. Apesar das críticas que chamaram a atenção para as letras misóginas de Shakur, a exaltação da “Thug Life” e a associação com a violência, milhões de pessoas lamentaram seu falecimento em 13 de setembro de 1996. Durante os 9 anos em que entreteve o público, Tupac Shakur expressou as esperanças, aspirações, preocupações, dores, suspeitas e experiências de jovens vivendo em comunidades desfavorecidas. O status de pessoa amada de Tupac Shakur se refletiu na popularidade de seu trabalho na vida e morte. Ele é uma das estrelas do rap de maior sucesso da história, vendendo mais de 67 milhões de álbuns, 11 dos quais designados como de platina (Evergreen Copyrights, 2009). Tupac foi listado como o MC número um pelos telespectadores da MTV em 2003 e eleito o “maior rapper de todos os tempos” em 2004. Além de produzir discos de sucesso, Shakur foi ator, estrelando sete filmes para os quais ele recebeu elogios da crítica. A importância de Tupac Shakur é confirmada pelos 11 documentários, lançados postumamente, que buscam decifrar o sentido de sua vida, música e morte.

A escrita de Tupac

Mais de 20 livros e centenas de artigos examinaram a complexa vida de Tupac. Usando biografia, análises críticas, fotografia e poesia, surgiram duas perspectivas. Os críticos de Tupac enfatizam seu comportamento impetuoso e imprudente, acentuam seus confrontos com o sistema de justiça criminal e condenam suas letras inflamadas. Eles também desafiam a noção de que a mensagem de Shakur pode fortalecer a comunidade afro-americana (Crouch, 1999; Steyn, 1996; White, 1997). Do outro lado, estão os autores que enfatizam os dons intelectuais de Tupac, o impulso humanitário e a crítica aberta ao racismo e à injustiça. Esses escritores procuram contextualizar o comportamento pejorativo de Tupac chamando a atenção para suas experiências como filho do movimento Black Power e crescendo como um jovem negro desfavorecido (Bastfield, 2002; Dyson, 2001; Joseph, 2006). Um representante desse grupo, o professor Michael Eric Dyson (2001), autor do best-seller nacional Holler If You Hear Me, aspira a explicar os supostamente dois lados do rapper. Ele afirma que o apelo de Tupac se baseava na “divisão em sua mente e alma entre seu pedigree revolucionário e a personalidade de bandido” (p. 14), o que explica apropriadamente porque indivíduos e grupos, especialmente aqueles de comunidades urbanas desfavorecidas, poderiam se identificar com ambos os lados do rapper assassinado. O discurso sobre Tupac Shakur também está localizado em periódicos acadêmicos. A literatura acadêmica tenta determinar o significado da vida de Tupac para as comunidades afro-americanas e para o hip hop. As áreas de discussão incluem a imagem hipermasculina de Tupac, suas ligações e frustrações com o movimento Black Power e interpretações de sua retórica e letras (Brown, 2005; Iwamoto, 2003; Keeling, 1999).

Apesar da ampla cobertura da vida de Shakur, os escritores, em sua maioria, negligenciam a análise de suas crenças políticas e seu ativismo. As consequências desse descaso são muitas. Primeiro, os leitores recebem um retrato deficiente da perspectiva e tendências de Tupac. Em segundo lugar, visto de uma perspectiva apolítica, Tupac Shakur é facilmente caracterizado como um desviado social em vez de um ativista político dedicado à mudança social, que às vezes cometeu erros. Além disso, negligenciar o trabalho político de Tupac pode encorajar a ideia de que foram apenas suas relações familiares que lhe deram credibilidade política. A consequência final de remover a política de Tupac dos estudos sobre sua vida é sua exclusão das análises do ativismo do hip hop. Por exemplo, em The Hip Hop Generation: Young Blacks and the Crisis in African-American Culture e Stand & Deliver, dois dos livros mais importantes sobre hip hop e política, Bakari Kitwana (2003) e Yvonne Bynoe (2004) investigam as tendências políticas e o caráter da “geração hip hop”. Embora vários ativistas sejam discutidos em detalhes, o trabalho político de Tupac Shakur é excluído.

Este artigo serve como um prolegômeno ao diálogo necessário sobre as crenças políticas e o identificável ativismo de Tupac Shakur. Com base em entrevistas, declarações públicas e análises líricas, este ensaio expande o discurso sobre a contribuição de Shakur para a batalha duradoura e inflexível travada pelos afro-americanos contra o racismo e a injustiça. Este artigo é compartimentado em várias seções que incluem uma breve revisão da literatura; uma análise da ideologia política de Tupac, embutida na teoria política negra; e uma discussão contextual de como Tupac usou a cultura para apoiar seu ativismo político. O artigo termina com uma discussão interpretativa da obra política de Shakur.

O Príncipe Populista do Gueto

É central para qualquer questionamento do ativismo político de um indivíduo a compreensão de sua ideologia política. Como um conjunto de crenças inter-relacionadas que procura explicar como o mundo funciona e como deve funcionar, as ideologias servem como guia para a ação. De acordo com Kenneth e Patricia Dolbeare, uma ideologia deve: (a) descrever uma visão de mundo, que explica como e para quem o sistema político funciona e porque, (b) estabelecer quais valores são centrais para a ideologia e quais objetivos são desejáveis, e (c) sugerir qual é a visão ou processo para criar a mudança social (Dolbeare & Dolbeare, 1973). No geral, uma ideologia fornece aos adeptos uma “imagem do mundo como é e como deveria ser e, ao fazê-lo, organiza a tremenda complexidade do mundo em algo bastante simples e compreensível” (Sargent, 1975, p. 3).

Usando os componentes da ideologia como um guia de estudo, há ampla evidência para afirmar que o ativismo de Tupac foi enquadrado por seu apoio ao Nacionalismo Negro. Maulana Karenga (1980) define o Nacionalismo Negro como “a crença e prática política dos afro-americanos como um povo distinto, com uma personalidade histórica distinta, que politicamente deve desenvolver estruturas para definir, defender e desenvolver os interesses dos negros como povo” (p. 15). As articulações públicas, as expressões líricas e o trabalho político de Tupac Shakur afirmam sua aliança com as ideias dos nacionalistas negros. Watani Tyehimba, um dos principais membros da New Afrikan People’s Organization (NAPO), que atuou como mentor e gerente de negócios de Tupac, reconheceu as tendências nacionalistas do rapper. Durante uma entrevista, Tyehimba disse que a decisão de Tupac de se juntar ao New Afrikan Panthers, a organização juvenil da NAPO, é um reflexo de sua orientação política (W. Tyehimba, comunicação pessoal, 2008). Outra representação do apoio de Tupac ao Nacionalismo Negro pode ser encontrada em sua poesia. Em “How Can We Be Free“, Shakur (1999b) escreve:

Às vezes eu me pergunto sobre essa raça

Porque devemos ser cegos como o inferno

Para pensar que vivemos em igualdade

Enquanto Nelson Mandela apodrece em uma cela de prisão

Onde às margens de Howard Beach

Estão cheias de cadáveres africanos

E aqueles que vivem até os 18

As pressas juntam-se às Forças Armadas

Esta chamada “Casa dos Corajosos”

Porque ninguém está nos apoiando!

Quando eles veem esses policiais caipiras corruptos

Continuamente nos empilhando

Agora eu aposto que algum vagabundo vai dizer que sou racista

Eu posso dizer pelo jeito que você sorri para mim

Então eu me lembro de George Jackson, Huey Newton

E Geronimo para o inferno com a Lady Liberty (p. 137) [1]

A prosa de Tupac reconhece a subordinação do povo africano e os sacrifícios dos presos políticos negros e rejeita os símbolos patrióticos. Ele também condena o abuso policial e a violência racista que ocorreu em Howard Beach, Nova York, em 1986, que resultou na morte de um jovem negro e no assédio de outros.

É comum subdividir o Nacionalismo Negro por métodos e objetivos (Smith, 1992). Os nacionalistas revolucionários afirmam que a subordinação afro-americana é o resultado do capitalismo colorido com racismo para justificar ainda mais a exploração do trabalho. Para derrotar o perverso sistema econômico, a classe trabalhadora de todas as raças deve trabalhar pela mudança. Alguns nacionalistas revolucionários vislumbram um movimento multirracial, enquanto outros centram seu trabalho entre o povo africano. Essa perspectiva radical baseada na classe foi avançada pelo acadêmico e ativista W. E. B. Du Bois, Huey Newton, do Partido dos Panteras Negras (BPP na sigla original), e Imari Obadele, da Republic of New Afrika (RNA). Tupac incorporou o Nacionalismo Revolucionário em suas letras e escritos. Em “Words of Wisdom” do álbum 2Pacalypse Now, Tupac (Shakur, 1991) canta:

Isso é para as massas, as classes mais baixas

Os que você deixou de fora, empregos eram dados, uma vida melhor

Mas somos deixados de fora

Fomos criados para nos sentirmos inferiores, mas somos superiores

Quebrar as correntes em nossas mentes que nos faziam temer

Nós juramos lealdade a uma bandeira que nos despreza

Honramos um homem que se nega a nos respeitar

Emancipação, proclamação? Por Favor!

Só disseram isso para salvar a Nação

Estas são mentiras e todos nós aceitamos […]

A guerra contra as drogas é uma guerra contra você e contra mim

E ainda dizem que aqui é a Terra da Liberdade

Mas se perguntar pra mim vou lhe dizer que isso é hipocrisia

A constituição, ela não funciona pra mim

A Estátua da Liberdade continua sendo uma vadia, ela mentiu pra mim [2]

As letras de Tupac ressaltam sua recusa em aceitar a desigualdade econômica e oportunidades de emprego inadequadas. Ele também continua seu ataque ao simbolismo patriótico. Em 1992, Tupac discutiu a injustiça do capitalismo na MTV: “Porque eu sinto que há muito dinheiro aqui. Ninguém deveria estar apostando na loteria por 36 milhões e termos pessoas passando fome nas ruas. Isso não é idealista, isso é só a relidade. Isso é simplesmente estúpido” (Shakur, Toffler, Gale, & Lazin, 2003).

Embora o discurso de Tupac não tenha sido enquadrado na retórica nacionalista revolucionária tradicional, suas associações políticas, uso da linguagem, declarações públicas e conteúdo lírico sugerem que ele se identificou com o nacionalismo revolucionário expresso pela NAPO, um grupo central para o New Afrikan Independence Movement. Os Novos Afrikanos acreditam que os negros nos Estados Unidos foram forjados em uma nova nação de vários grupos étnicos africanos e estão ligados por uma história comum e pela experiência de opressão. O New Afrikan Independence Movement defende a terra como a base primária para a libertação nacional. Seu objetivo é criar uma sociedade revolucionária, progressiva e humana. Os Novos Afrikanos prestam homenagem a Malcolm X como seu professor ideológico, apoiam prisioneiros políticos, defendem a autodefesa, constroem instituições para apoiar a nação Negra e desafiam abertamente os EUA pela política externa e agressão neocolonial. Os Novos Afrikanos usam o “k” em Afrika ao invés de “c” para refletir sua identificação com o sistema linguístico Africano. A visão de Tupac para a sociedade estava alinhada com aquela postulada pela NAPO: criar uma sociedade progressiva e humana onde a opressão de classe e raça seja eliminada e a injustiça não seja tolerada. Tupac também reconheceu a importância da nacionalidade, escreveu Afrika com um “k” em seus escritos e reconheceu os presos políticos em seus escritos e letras.

As origens das ideias políticas de Tupac estão bem documentadas. Conforme afirmado por Gwendolyn Pough (2004) em seu artigo, “Seeds and Legacies“, Afeni e Tupac incorporam a ligação entre o movimento Black Power e a cultura hip hop. A base para as crenças políticas de Tupac está fundamentalmente enraizada em conexões familiares. Nascido de Afeni Shakur, membra da filial de Nova York do BPP que foi julgada por conspiração contra o governo dos EUA, Tupac nasceu um mês depois de ser libertada da prisão em 16 de junho de 1971. Embora no nascimento, ele tenha sido nomeado Lesane Parish Crooks, Afeni acabou mudando o nome de seu filho para Tupac Amaru, em homenagem a um revolucionário Inca do século 18 do Peru, morto por padres espanhóis (Joseph, 2006).

A exposição de Tupac a associados políticos de Afeni contribuiu para o desenvolvimento e evolução de suas ideias políticas. Até os 11 anos, Tupac viveu e aprendeu com seu padrasto, Dr. Mutulu Shakur, ex-membro do movimento Revolutionary Action e membro do governo provisório da RNA. Depois de viver na clandestinidade por 4 anos, Mutulu foi capturado e condenado por vários crimes, incluindo conspiração, envolvimento em uma unidade paramilitar clandestina que expropriou fundos de vários bancos e participação na fuga da prisão de 1979 da membra do Black Liberation Army (BLA), Assata Shakur, que fugiu para Cuba depois de ser presa pelo assassinato de um policial (Umoja, 2006, pp. 243-244). Embora Mutulu tenha sido condenado a 60 anos, Tupac manteve contato com ele enquanto estava na clandestinidade e durante sua prisão. Tupac também foi influenciado por seu padrinho, Geronimo Ji-Jaga Pratt, um ex-Boina Verde e veterano de guerra do Vietnã que acabou se tornando ministro da defesa interino da filial de Los Angeles do BPP. Tupac, Afeni e sua irmã Sekyiwa se mudaram para a casa de Linda (Ashaki) Pratt, esposa de Geronimo. Durante esse tempo, Pratt foi preso por um assassinato que não cometeu. Após cumprir 27 anos de prisão, sua condenação foi anulada (Umoja, 2006). Semelhante a Mutulu, Tupac e Geronimo mantiveram seu relacionamento durante todo o encarceramento de Geronimo. De todos os mentores políticos de Tupac, talvez, Watani Tyehimba tenha sido o mais próximo. Tupac morou com a família de Tyehimba em Los Angeles por meses em 1986 e 1987. Depois que a família Tyehimba se mudou para Atlanta em 1989, Tupac voltou a residir em sua casa. Como convidado na casa de Tyehimba, Tupac foi exposto às ideias e ao trabalho político da NAPO.

Um rapper-ativista

Os estudiosos Sidney Verba, Kay Lehman Schlozman e Henry E. Brady definem atividade política voluntária como “fazer política” em vez de “estar atento à política” (Verba, Schlozman, & Brady, 1995, p. 38). Os autores argumentam ainda que o ativismo político não é obrigatório, sem remuneração recebida pelo envolvimento. Esta definição pode ajudar a fornecer uma linha de demarcação entre Tupac Shakur e outros que são considerados “gangsta rappers“, como Ice Cube ou Ice T, que defendem suas letras, muitas vezes rudes e violentas, insistindo que seu papel é meramente relatar a natureza perversa do sistema político e econômico dos EUA e a crueldade da vida do gueto. Tupac também usou linguagem grosseira e rude, no entanto, ele se diferencia dos outros por se envolver em ativismo autêntico, tentando desenvolver ideias orientadas para soluções e motivando seus ouvintes a também “fazer política”.

A obra política de Tupac pode ser dividida em cinco períodos, que corresponde à cronologia de sua vida. Embora flexível, segmentar seu ativismo em períodos ilustra como as mudanças em suas circunstâncias pessoais afetaram suas ações. O primeiro período do ativismo de Tupac começou durante seus anos de formação, aos 7 anos de idade, quando ele falou e se apresentou em um comício do lado de fora do State Building, em Nova York. A apresentação de Tupac foi em apoio a Geronimo Ji-Jaga Pratt. Outro exemplo de seu ativismo ocorreu enquanto ele ainda era aluno do ensino fundamental. Neste caso, Tupac organizou estudantes em apoio ao seu professor, Sr. Lincoln, que foi demitido por problemas financeiros da escola; Tupac organizou um boicote na Lower Eastside School para reintegrar o cargo do professor. Embora o Sr. Lincoln não tenha sido recontratado na escola, ele acabou lecionando na casa de Tupac (Monjauze, Cox, & Robinson, 2008).

Em 1986, Tupac se mudou para Baltimore com sua família. Imediatamente, ele percebeu as terríveis circunstâncias dos negros que residiam na cidade. Tupac disse: “Assim que cheguei lá, sendo a pessoa que sou, disse: ‘Não, não, vou mudar isso.’ Então eu comecei uma campanha, Stop the Killing, uma campanha de sexo seguro e uma campanha de prevenção da AIDS e tudo mais” (Jones & Spirer, 2002). Como estudante do ensino médio na Baltimore School for the Performing Arts, Tupac escreveu e interpretou letras socialmente conscientes, rimou sobre gravidez na adolescência e desencorajou a violência armada (Bastfield, 2002). Demonstrando seu apoio às estratégias com base na classe para melhorar a vida das pessoas, Tupac também se afiliou à Liga dos Jovens Comunistas.

Darren Bastfield, um amigo de Tupac, que relatou seu ativismo em Baltimore, reconheceu que, mesmo naquela época, o ativismo de Tupac não estava enraizado nos canais normais do governo estudantil ou nos clubes padrão após a escola. Segundo Bastfield (2002),

No ensino médio, Tupac começou a formalizar sua política e ativamente participou em várias organizações de base às quais deu sua plena energia e criatividade. Ele falaria das atividades dessas organizações livremente, ocasionalmente ostentando bottons relacionados em suas roupas e exibia vários folhetos, panfletos e outros materiais. Alguns de nós da escola nos encontramos em reuniões em mais de uma ocasião, (p. 66)

Também nesse período, Tupac ficou conhecido por sua capacidade de planejar eventos, organizar pessoas e aumentar sua consciência política. Tupac eventualmente emprestou sua voz para a política mais convencional, como demonstrado por seu envolvimento na corrida para prefeito de Baltimore e seu desempenho em um comício: “Jesse Jackson for President“, durante a histórica primeira corrida de Jackson para a Casa Branca (Bastfield, 2002).

Durante esses anos de formação, o ativismo de Tupac iluminou sua fidelidade às ideias de seus pais e mentores. Ele também abraçou seu pragmatismo, como destacado pelos Programas de Sobrevivência do BPP, que incluíam programas de café da manhã gratuitos, clínicas jurídicas gratuitas e outros serviços gratuitos para suas comunidades locais. A disposição dos membros do BPP de se afirmarem nas lutas cotidianas do povo, sem apego à pureza ideológica, demonstrou seu compromisso com a elevação da qualidade de vida do povo negro. Da mesma forma, Tupac apoiou a nacionalidade negra e a redistribuição de riqueza como soluções de longo prazo, enquanto, ao mesmo tempo, trabalhava para resolver problemas imediatos.

O segundo período do trabalho político de Tupac ocorreu quando ele era um jovem adulto. Nesse período, o ativismo de Tupac não estava tão intimamente ligado ao de Afeni, o que é evidenciado pelas decisões independentes que tomou sobre sua vida política (Umoja, 2006). Começou em 1988, depois que Tupac, aos 17 anos, mudou-se para Marin County, Califórnia. A vida doméstica de Tupac estava em turbulência como resultado do vício em drogas de sua mãe. No entanto, ele recebeu apoio e orientação de Lelah Steinberg, que acabou se tornando sua mentora, confidente e primeira gerente. Eventualmente, Tupac e seu amigo Ray Luv se mudaram para a casa de Steinberg. Ray Luv e Steinberg documentaram as tendências ativistas de Tupac enquanto moravam no norte da Califórnia. Steinberg observou que Tupac ajudava em seus programas de arte depois da escola e “queria passear pela baía com câmeras de vídeo para monitorar a polícia” (Jones & Spirer, 2002). Ray Luv afirmou que Tupac educou ele e outros amigos sobre o BPP e a necessidade do ativismo político (Jones & Spirer, 2002)

Periodicamente, Tupac deixava Marin County para ficar com Watani Tyehimba e sua família em Los Angeles. Como convidado na casa Tyehimba, Tupac foi exposto à NAPO, que operava fora do Center for Black Survival. A NAPO realizou aulas de educação política e angariação de fundos e se engajou no trabalho comunitário. O trabalho da NAPO inspirou Tupac a se tornar um apoiador do New Afrikan Independence Movement. Tupac participou de várias atividades organizacionais, mas sua maior contribuição foi a arte. Ele produziu peças e esquetes e deu performances ao hip hop. Tupac também começou a treinar no Afrikan Institute of Martial Arts no sistema conhecido como Kupigani Ngumi, o New Afrikan Combat System. Tupac treinou diretamente com Tyehimba e seu filho Yakhisizwe Sekou Umoja Tyehimba (W. Tyehimba, comunicação pessoal, 2008). Yakhisizwe e Tupac acabaram desenvolvendo uma amizade ao longo da vida.

O trabalho político de Tupac também foi moldado por suas experiências pessoais como um jovem negro vivendo nos Estados Unidos e atingindo a idade adulta durante a era do hip hop, da epidemia de crack e da administração presidencial do presidente Ronald Reagan. Aderindo à ideologia conservadora, o governo Reagan cortou o financiamento para a educação, tornou os requisitos de elegibilidade para assistência pública mais difíceis, enfraqueceu as leis e instituições de direitos civis, aumentou os gastos com defesa e forneceu cortes de impostos para os ricos (Walters, 2003). Em meio a essas mudanças políticas devastadoras, a comunidade afro-americana sofreu com a sanção do governo Reagan de insultos que difamavam seu caráter. A conversa nacional mudou o uso do sistema de bem-estar como uma ferramenta para apoiar famílias necessitadas para ver seus beneficiários como dependentes, preguiçosos e à procura de esmolas.

Tupac compartilhou as experiências de muitos jovens negros durante a presidência de Ronald Reagan e os governos dos presidentes George Bush (Pai) e Bill Clinton, eleitos, respectivamente, em 1988 e 1992. Através de suas letras, ele falou diretamente com o gabinete da presidência (Shakur, 1999a):

Uhh… Caro Sr. Presidente

O que está acontecendo? […]

Nada mudou

Todas as promessas que você fez, antes de ser eleito…

…elas não se tornaram realidade

[…] Todo mundo está dopado, mano, o que você está fumando?

Eles acham que se estivermos chapados, eles podem nos controlar

Mas a América é uma merda e ela é a culpada

Eu acho que por sermos negros somos o alvo

[…] eu sei que você me entendeu porque você está muito perto de mim para não me ouvir

Então por que você não nos ajuda? Disseram que você cortou a Assistência Social

Isso faz os manos na rua se perguntarem, pensando quem diabos se importa? [3]

Como observado, a perspectiva ideológica de Tupac e as experiências em primeira pessoa crescendo em desvantagem serviram como ponto de referência para seu ativismo político. O declínio econômico e social que ele testemunhou definiu o contexto político.

Aos 18 anos, Tupac decidiu se tornar um membro ativo do New Afrikan Panthers. Esse grupo de 7 a 10 jovens, com idades entre 13 e 25 anos, engajados no controle comunitário, trabalhavam contra o abuso policial, educavam o público sobre a NAPO e defendiam a libertação de presos políticos. De acordo com Akinyele Umoja, membro da NAPO e mentor de Tupac Shakur, “o grupo de jovens operava de forma autônoma em relação à organização-mãe. Eles administravam suas próprias campanhas e construíam suas próprias redes” (A. Umoja, comunicação pessoal, 2007). Tupac nomeou-se como presidente e ganhou a eleição. Ele imediatamente começou a construir a capacidade da organização atuando como porta-voz, vendendo jornais organizacionais, organizando reuniões e trabalhando para alcançar os jovens através de aparições no rádio, apresentações em sala de aula e performances de hip hop (A. Umoja, comunicação pessoal, 2007). Durante uma entrevista de rádio com Bomani Bakari na estação WRFG em Atlanta, Tupac foi questionado sobre seu papel como presidente do New Afrikan Panthers. Tupac afirmou que queria ajudar os jovens a implementar o programa em suas vidas cotidianas. Ele afirmou ainda: “Eu acredito que os New Afrikan Panthers são sobre liberdade séria. Os Panthers são sobre fornecer uma alternativa, um movimento para você mergulhar” (De Tupac Shakur Speaks [CD], em Joseph, 2006). Tupac cruzou o país para participar de reuniões e eventos da organização sediada em Atlanta. A posição formal de Tupac com os New Afrikan Panthers terminou quando ele se tornou roadie e dançarino do grupo de hip hop Digital Underground, mas Tupac permaneceu afiliado ao New Afrikan Independence Movement. Os New Afrikan Panthers, por exemplo, compareceram aos shows do Digital Underground e Tupac continuou a arrecadar fundos para a organização.

O terceiro período do ativismo de Tupac começou depois que ele se tornou um músico profissional aos 19 anos. Este período se distingue pelo uso de Tupac de seu status profissional e seus acúmulos para apoiar e implementar suas ideias políticas. 2Pacalypse Now, o primeiro álbum de Tupac, foi lançado em 12 de novembro de 1991. Com o certificado de ouro, o álbum era uma mistura de comentários sociais e raps de batalha, com sucessos como “Trapped“, uma diatribe contra o assédio policial; “Brenda’s Got a Baby“, que detalha a exploração sexual; e “Words of Wisdom“, uma canção que reconhece a discriminação racial. O álbum também contou com músicas regressivas, como “Tha Lunatic“, que promove a promiscuidade. 2Pacalypse Now atraiu atenção positiva e negativa. Os cabeças do hip hop apoiaram as letras de vanguarda e comentários sociais. Do outro lado estavam os críticos que variavam, chegando até mesmo ao governo, como o vice-presidente Dan Quayle, que declarou publicamente que a produção e distribuição de 2Pacalypse Now era “um ato corporativo irresponsável”. Quayle então concluiu que não havia “absolutamente nenhuma razão para um disco como este ser publicado por uma gravadora respeitável” (Ayres, 1992).

Apesar das denúncias, Tupac utilizou sua fama como ferramenta política. Ele formou um grupo de rap, Underground Railroad, como um grupo em evolução de jovens que usariam seu talento para fazer música, em vez de se envolver em atividades criminosas. Por sua vez, os membros dedicariam suas vidas a apoiar suas comunidades. Underground Railroad foi nomeado como uma homenagem à liderança de Harriet Tubman de escravos fugitivos. Os membros do grupo vieram de várias partes do país, incluindo Oakland, Nova York, Richmond e Baltimore. Durante uma entrevista com Davey D. em 1991, Tupac disse:

O conceito por trás disso é o mesmo conceito por trás de Harriet Tubman, pegar meus irmãos que podem estar no tráfico de drogas ou o que quer que seja ilegal ou que são marginalizados pela sociedade de hoje. Eu quero trazê-los de volta transformando-os em música. Pode ser R&B, hip hop ou pop, desde que eu consiga envolvê-los. Enquanto estou fazendo isso, estou ensinando-os a encontrar um amor por si mesmos para que possam amar os outros e fazer a mesma coisa que fizemos por eles aos outros.

A Underground Railroad acabou se transformando no grupo Thug Life. Os membros incluíam Trench da Naughty by Nature, o meio-irmão de Tupac, Mopreme, Big Sykes e outros. Tupac patrocinou Thug Life e viajou com eles pelo país. Mesmo não tendo mais um cargo oficial na NAPO, Tupac estava comprometido em trabalhar com profissionais da New Afrikan. Muitos de seus advogados eram afiliados à National Conference of Black Lawyers (NCBL), uma organização fundada em 1968 como o “braço legal da revolução negra”. Foram os advogados da NCBL que representaram com sucesso a professora Angela Davis no ataque ao tribunal de Marin County em 1970 e defenderam indivíduos acusados ​​de atividades associadas ao BLA. O presidente da NAPO, Chokwe Lumumba, advogado e membro da NCBL, atuou como conselheiro principal e consultor jurídico de Tupac por vários anos.

Tupac não apenas utilizou os serviços profissionais dos advogados da New Afrikan, ele também contratou a New Afrikans para liderar sua equipe de gestão. O gerente de Tupac era Watani Tyehimba, enquanto Yaasmyn Fula, mãe de Kadifi, membro do Outlawz, foi nomeada chefe da Euphenasia, gravadora e produtora de filmes de Tupac (Bruck, 1997). Fula também é a esposa de Sekou Odinga, um revolucionário negro que está preso desde outubro de 1981 após uma condenação por tentativa de assassinato e por ajudar na fuga da prisão de Assata Shakur (The Talking Drum, 2008). A retenção de conselheiros e profissionais da New Afrikan por Tupac, mesmo depois de se tornar uma celebridade, proclamou seu respeito e solidariedade contínuos.

Igualmente importante para Tupac era envolver indivíduos encarcerados. Tupac visitou e se apresentou em prisões para divulgar ideias políticas e elevar os espíritos. Talibah Mbonisi, ex-presidente do New Afrikan Panthers que acabou se tornando parte da equipe profissional de relações públicas de Tupac, ajudou a organizar algumas das apresentações de Tupac. Durante uma entrevista, Mbonisi apontou que nem todos os compromissos de Tupac na prisão foram tranquilos. Em uma ocasião, ele aceitou a oportunidade de se apresentar na prisão de Lompoc, na Califórnia, onde Mutulu Shakur estava encarcerado. Tupac cantou uma música que criticava o sistema de justiça criminal e que não havia sido aprovada anteriormente pelos funcionários da prisão. Como Tupac se recusou a terminar a música imediatamente, ele foi forçado a interromper sua apresentação e deixar a prisão. Mutulu foi enviado para a solitária por um mês após o desastre (T. Mbonisi, comunicação pessoal, 2009). Tupac também se envolveu em filantropia e voluntariado para apoiar organizações políticas e comunitárias. Ele organizou campanhas de arrecadação de fundos e um show e até enviou cartas pessoais de angariação de fundos para A Place Called Home, um programa de jovens com sede em Los Angeles que forneceu aconselhamento, tutoria e outros serviços importantes para jovens em risco (Big Sykes, comunicação pessoal, 2008; Jones & Spirer, 2002; Joseph, 2006).

As opiniões de Tupac sobre violência, autodefesa e abuso policial começaram a receber intenso escrutínio durante esse período, pois seu ativismo para combater crimes policiais contra negros o levou à prisão. Talvez, o incidente mais infame tenha ocorrido em 31 de outubro de 1993. Nesse caso, Tupac e sua equipe estavam dirigindo em Atlanta, Geórgia, quando notaram dois homens brancos embriagados atacando um pedestre negro. Quando Tupac e sua comitiva pararam para intervir, um dos agressores se aproximou do carro enquanto brandia uma pistola. Tupac respondeu atirando nos dois homens. Foi só depois que ele foi preso que se descobriu que os dois homens brancos eram os irmãos Mark e Scott Whitwell, policiais de folga, bêbados depois de uma noite de celebração. Tupac foi preso e acusado, mas o caso foi arquivado depois que testemunhas relataram que os dois policiais eram os agressores em todos os momentos (Bruck, 1997). Embora Tupac fosse conhecido por defender os negros, alguns comentaristas enquadraram o incidente de Whitwell como um exemplo de sua propensão a um comportamento irracional ou violento (Jones, 1993; White, 1997). Em sua análise, esses comentaristas negaram a história de brutalidade policial contra os negros e a história de ativismo político de Tupac. Situar Tupac no contexto do ativismo político exige que se considere esses tipos de envolvimentos fora da perspectiva usual de “bandido” e abre espaço para considerar explicações alternativas para suas interações com as autoridades policiais.

O quarto período do ativismo de Tupac requer uma discussão sobre o contexto cultural de sua obra. Certamente, Shakur não era um praticante do nacionalismo cultural tradicional como foi defendido e praticado durante a década de 1960 por seus teóricos Maulana Karenga e Amiri Baraka. No entanto, Tupac utilizou a cultura dos jovens que vivem em áreas urbanas, que atingiram a idade adulta durante a década de 1980 como uma ferramenta de organização para atividades comunitárias e políticas. Os afro-americanos certamente não são estranhos à ideia de usar a cultura como ferramenta de organização. Durante a escravidão, a música e a dança foram usadas como fonte de rebelião e, em todo o movimento dos direitos civis, canções gospel motivaram ativistas. Durante a era Black Power, gravações de artistas, incluindo Gil Scott Heron e James Brown, serviram como uma expressão externa da crescente consciência política entre os afro-americanos.

Tupac Shakur deve ser considerado um trabalhador cultural. Durante uma entrevista em 1993, ele articulou o valor da cultura no ativismo político. Tupac disse: “Não estou dizendo que vou dominar o mundo, ou que vou mudar o mundo, mas garanto que vou acender o cérebro que vai mudar o mundo e esse é o nosso trabalho” (Shakur, Toffler, Gale e Lazin, 2003). A cultura hip hop, a forma de arte dominante da geração de Tupac, foi a principal ferramenta em seu arsenal político. Tupac entendeu que faltava a ele e a outros ativistas o apoio de um movimento social para motivar os jovens; assim, ele exagerou estrategicamente a importância das características da cultura hip hop para capturar e reter sua atenção. Jeans largos grandes e camisetas brancas para mostrar solidariedade com os jovens presos era o traje padrão de Tupac; suas 26 tatuagens foram outra indicação de sua imersão na cultura hip hop e desvio dos costumes da sociedade convencional. Tupac também era conhecido por erguer o dedo do meio no ar e cuspir para comunicar sua falta de respeito pela aplicação da lei, segmentos da grande mídia e aqueles que desejavam silenciar sua geração. Com certeza, o comportamento descarado de Tupac atraiu críticas (Dyson, 2001). No entanto, ele conseguiu atingir seu público de jovens urbanos, que o amava por seus raps descarados, “dizer como ele é “. O jornalista de hip hop Dream Hampton (1997) postula,

Porque somos uma geração que ganhou milhões em meio a indústria bilionária do crack, porque somos uma geração que enterrou nossos namorados e namoradas. Corpos crivados de balas, porque nós somos uma geração que chama o diabo pelo primeiro nome, uma geração que criou uma revolução musical caótica para servir de trilha sonora para o fim de um milênio violento e desumano, os poucos eleitos que nos representam no sentido mais sinônimo, devem necessariamente encarnar a contradição, frustração, paixão e fogo que nós somos. Esse era o destino de Tupac, e ele o cumpriu. (págs. 62-63)

Tupac também se esforçou para gerar ativismo entre os jovens do centro da cidade, desenvolvendo uma ideologia que não era estranha às suas circunstâncias e poderia criar um desejo de engajamento político. O resultado desse processo de desenvolvimento foi chamado de “Thug Ideology“. De acordo com Mutulu, Tupac se chamava de bandido (Thug) porque era assim que os adultos o chamavam e a seus amigos (Potash, 2007). A filosofia Thug life foi moldada pelas experiências de Tupac de viver em um lar disfuncional, com uma mãe viciada em drogas e sem apoio de um pai. Essas experiências levaram Tupac a buscar refúgio nas “ruas”, onde seu sistema de apoio incluía trapaceiros, cafetões e traficantes de drogas. Em sua música, “The Streetz R Deathrow“, Tupac Shakur (1993) relembra sua infância:

Crescendo como um irmão do centro da cidade

Onde todos os outros tinham um pai e uma mãe

Eu era o produto de um amante apaixonado

Ninguém sabia o quão profundamente isso me ferrou

E já que que meu pai nunca me conheceu

Minha família não sabia o que fazer comigo

Eu era alguém que eles desprezavam

Olhar curioso em seus olhos

Como se eles se perguntassem se estou vivo ou morto

Pobre mamãe não pode me controlar

Pare de tentar salvar minha alma, eu quero vazar com meus manos [4]

Com base em suas experiências de viver a “Thug Life”, Tupac desenvolveu um acrônimo para explicar melhor o termo. “The Hate U Gave Little Infants Fucks Everybody” [5] era uma expressão simbólica das experiências difíceis que as crianças que cresciam no gueto enfrentavam (Joseph, 2006, p. 32). Ele explicou ainda porque os jovens rappers e seus fãs repreendiam abertamente os valores e a moral da sociedade convencional. Quando confrontado com uma pergunta sobre as origens do termo, Tupac observou: “Eu não criei a Thug Life, eu a diagnostiquei” (Shakur, Toffler, Gale, & Lazin, 2003).

Semelhante ao lumpemproletariado, o grupo de massas desorganizadas de classe baixa com potencial revolucionário que o BPP procurava organizar, Tupac também acreditava que os “bandidos” poderiam ser transformados e preparados para o ativismo político. Perspicazmente, ele entendeu que Thug Life como um conceito era mais acessível para sua geração do que lumpemproletariado, uma vez que o termo já era aceito no vernáculo de seu tempo. Sem dúvida, Tupac, assim como o BPP, tinha uma visão dicotômica dos bandidos. Eles eram uma classe de guerreiros em potencial que podiam lutar por sua comunidade, mas se não fossem organizados adequadamente, também poderiam destruir a raça. Foi por essas razões que Tupac ajudou a formular uma filosofia para aqueles que vivem a Thug Life. A filosofia foi construída como uma ferramenta educativa e organizadora.

Com o conselho e apoio de Mutulu Shakur, Geronimo Pratt, Watani Tyehimba e membros de gangues, o “Código da Thug Life” foi desenvolvido e Tupac concordou em se tornar seu porta-voz (entrevista com W. Tyehimba, 2008). O Código tinha como premissa o reconhecimento de que as condições sociais dos bandidos não mudariam em breve e que a Thug Life era predatória. O Código também reconhecia que a vida das gangues às vezes incluía violência, atividades criminosas e disputas entre os membros. De forma apropriada, o Código conclamava os membros de gangues para proteger as pessoas mais vulneráveis ​​da comunidade negra. Usando a linguagem da comunidade hip hop, alguns dos princípios da Thug Life foram os seguintes (Joseph, 2006):

  • Atirar em crianças é contra o Código
  • Ter crianças atirando é contra o Código
  • Sem tiros nas escolas
  • O líder do grupo e a patrulha devem selecionar um diplomata e devem trabalhar formas de resolver disputas
  • Os Garotos de Azul [6] não comandam nada; nós comandamos. Controle o bairro e faça as esquinas seguras
  • Não atirar em irmãs gravidas. Isso é matar bebês; isso é genocídio
  • Os civis não são alvos e devem ser poupados
  • Nossos idosos não devem ser abusados (p. 37)

O Código da Thug Life foi projetado para politizar os membros de gangues e prepará-los para a rebelião armada para se opor à opressão racista e econômica (“Entrevista com Ícones do Hip-Hop”, 1996). Tupac promoveu o Código viajando para grandes cidades, com seu grupo Thug Life, e encontrando-se com líderes de gangues para defender sua aceitação. Além de promover o Código, Tupac também pediu aos membros de gangues que estabelecessem “Fundações do Código” locais, como um veículo para arrecadar fundos para os jovens. Tupac frequentemente alertava seu público de membros de gangues que, para desafiar efetivamente o sistema e fornecer apoio aos jovens, era necessária uma redução na violência.

Há evidências de que o conceito e a estratégia Thug Life resultaram na transformação de alguns membros de gangues. “Monster” Kody Scott, um ex-líder da gangue Crips de Los Angeles, mudou seu nome para Sanyika Shakur e se juntou ao New Afrikan Independence Movement. Após a rebelião de Los Angeles em 1992, os Bloods, uma gangue rival, se juntaram aos Crips para assinar o Código da Thug Life. Mais tarde, eles trabalharam juntos para desenvolver planos de melhoria da comunidade (S. Shakur, 1994). “No Brooklyn, uma cúpula de gângsteres e bandidos também concordou em honrar o código” (Joseph, 2006, p. 38).

Em meio à campanha Thug Life de Tupac, o rapper ativista foi condenado por agressão sexual e sentenciado a 1 ano e meio a 4 anos de prisão, com fiança fixada em US$3 milhões. Tupac começou a cumprir sua sentença na Penitenciária de Nova York Riker’s Island em14 de fevereiro, mas depois foi transferido para a Clinton Correctional Facility. Enquanto estava preso, Tupac recebeu uma oferta de Suge Knight, cofundador e CEO da Death Row Records, para se juntar à sua gravadora, em troca de assistência no pagamento de sua fiança. Suge Knight era conhecido por sua afiliação na Bloods Street Gang de Los Angeles e práticas comerciais desagradáveis, que incluíam ameaças físicas e brigas com artistas para reter uma parte maior dos lucros (Ro, 1999). Os camaradas de Tupac da New Afrikan pediram que ele não assinasse com a Death Row Records, mas Tupac aceitou o acordo. Depois de cumprir 8 meses de sua sentença, Tupac foi libertado sob fiança por US$ 1,4 milhão (Joseph, 2006).

A associação com Suge Knight provou ser prejudicial. Depois que Tupac foi dispensado, ele se envolveu em intermináveis ​​​​confrontos e altercações públicas. Ele lançou uma música, “Hit Em Up“, na qual ele cospe letras vingativas e mesquinhas sobre um suposto caso com a esposa de Notorious B.I.G. e defende a violência contra seus rivais da Costa Leste, especificamente Puffy Combs e Notorious B.I.G., ambos os quais ele acreditava serem responsáveis ​​por um ataque contra sua vida. Em 4 de setembro de 1996, Tupac também se envolveu em uma briga em Nova York em um show do MTV Music Awards. Alguns dias depois, na noite do tiroteio que acabou levando à sua morte, Tupac iniciou uma briga com o membro da gangue Crips, Orlando Patterson.

Mesmo assim, enquanto se engajava em comportamentos destrutivos, Tupac continuou seu trabalho político. Enraizado no ativismo de seu passado, Tupac uniu entretenimento com política durante este quinto e último período. Ele também trabalhou para consertar alguns de seus relacionamentos e acabar com a rixa com artistas de rap da Costa Leste, enquanto crescia para entender a natureza destrutiva do conflito para a comunidade hip hop e a juventude urbana.

Em 1995, Tupac fundou o Outlawz, um grupo de rap, com um propósito semelhante ao Thug Life. O termo Outlawz significa Operating Under Thug Laws as Warriors. [7] Big Sykes, um membro do grupo, comentou sobre como a influência de Tupac o motivou a se tornar mais educado, afirmando: “Sinto que o que Pac deu a mim e a muitos desses manos é que você pode ser da rua, mas pode ser inteligente… Foi isso que me fez começar a ler livros. Eu não estava lendo nenhum livro, mas quanto mais eu começava a dissecá-lo, mais eu começava a ver de onde vinha todo o seu jogo” (Dyson, 2001, p. 100). A habilidade de Tupac de persuadir se espalhou além dos membros de seu novo grupo. O rapper Snoop Dogg juntou-se a Tupac em Los Angeles em um comício patrocinado pela Brotherhood Crusade para pedir aos fãs de hip hop que votem e lutem contra uma iniciativa de ação antiafirmativa. Durante o comício, Tupac disse: “Minhas vendas de discos, temos 6 milhões, Snoop tem 4 milhões… Se pudéssemos representar tantos votos, temos que deixar esses políticos terem medo de nós” (“Tupac Shakur Urges “, 1996). Ele também embarcou no projeto “One Nation“, projetado para se tornar uma frente unificada de artistas de vários gêneros musicais. Shakur começou a organizar um álbum que incluiria grupos da Costa Leste e Costa Oeste, mas morreu antes que o projeto fosse concluído (Joseph, 2006). Tupac também fez outros esforços para enfraquecer a hostilidade entre as duas Costas. Sobre seu conflito com Biggie, Tupac disse a Kevin Powell (1998): “Independentemente de todas essas coisas… Não importa o que ele diga, o que eu digo… Biggie ainda é meu irmão. Ele é negro. Ele é meu irmão. Nós apenas temos um conflito de interesses. Temos uma diferença de opinião” (p. 80). Então, depois de ser perguntado se o desacordo entre ele e os rappers da Costa Leste poderia levar à violência, Tupac afirmou:

Não quero que seja sobre violência. Eu quero que seja sobre dinheiro. Eu disse a Suge minha ideia: Bad Boy faz um disco com todos os manos da Costa Leste. Death Row faz um disco com todos os manos da Costa Oeste. Soltamos os registros no mesmo dia. Quem vender mais discos, esse é o bombástico. E então paramos de lutar. Poderíamos pagar por visualizações para caridade, para a comunidade (p. 80)

Tupac também procurou o rapper Nas, considerado outro rival. No pós-festa do MTV Awards de 1996, Tupac disse a Nas que eles precisavam acabar com sua “picuinha”, que resultou da crença errônea de Tupac de que Nas o havia atacado em registro. Logo depois, os dois rappers começaram a se atacar publicamente. No entanto, naquela noite, Tupac rompeu o impasse dizendo a Nas: “Eu e você, nós irmãos. Eu e você, não devemos nunca ir para isso” (Monjauze et al., 2008, p. 121). Então, Tupac disse que removeria as críticas sobre Nas de seu álbum Makaveli e trabalharia para reuni-los. De acordo com Nas, “Ele falou sobre talvez se encontrar em Vegas no fim de semana da luta de Tyson para que pudéssemos continuar conversando porque ele acreditava que éramos os dois para juntar tudo” (p. 121). Nas descreveu Tupac como uma pessoa da comunidade e disse: “Se ele ainda estivesse aqui, ele teria me inspirado a me tornar mais ativo” (p. 121). Em Las Vegas, em 7 de setembro de 1996, Tupac foi baleado várias vezes enquanto andava de carro com Suge Knight. Após uma luta de 6 dias por sua vida, Tupac morreu em 13 de setembro de 1996.

Conclusão

O objetivo deste artigo foi explorar o ativismo político de Tupac Shakur. Ao descompactar suas ideias políticas e autêntico ativismo dos registros de sua vida, esta análise complica as caracterizações anteriores de Tupac como simplesmente um rapper gangster. Tupac Shakur foi importante para a comunidade hip hop e a juventude urbana, não apenas por seu estilo lírico ou contribuições musicais. Tupac tornou-se seu defensor político, educador e motivador. Pode-se argumentar que sua maior contribuição foi educar e motivar seus pares a se tornarem ativistas em defesa de si mesmos. Certamente, os problemas da vida real de Tupac, incluindo abuso de drogas e álcool (Jones & Spirer, 2002), interferiram em seu esforço para se tornar um ativista consistente. Também é possível que a instabilidade de sua infância tenha apresentado obstáculos adicionais. No entanto, a vida e a defesa política de Tupac provam que a música hip hop e o ativismo não são mutuamente exclusivos. Ao contrário do exemplo dado por muitos rappers “conscientes” e orientados para gangstars, o trabalho político de Tupac revela sua aspiração por mudança social. Tupac, sem dúvida, entendeu que a sociedade não abordaria as preocupações dos pobres, empobrecidos e despossuídos porque uma música de rap consciente foi produzida. Certamente, muitas críticas de Tupac têm mérito. Algumas de suas letras eram ofensivas e muitas de suas ações questionáveis. Apesar de suas falhas, é importante que o discurso sobre Tupac Shakur inclua todo o seu corpo de trabalho e experiências.

Declaração de interesses conflitantes

A autora declarou não haver potenciais conflitos de interesse com relação à autoria e/ou publicação desse artigo.

Financiamento

A autora não recebeu apoio financeiro para a pesquisa e/ou autoria desse artigo.

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Biografia da autora:

Karin L. Stanford, PhD, é professora associada de ciência política no Departamento de Estudos Pan-Africanos da California State University, Northridge. Ela é autora de vários livros e artigos sobre política afro-americana. Seu livro mais recente é intitulado If We Must Die: African American Voices on War and Peace, publicado pela Rowman & Littlefield (2008). Seus interesses de pesquisa e ensino são a política afro-americana, afro-americanos e assuntos internacionais e a política do hip hop.

Notas da tradução:

[1] Sometimes I wonder about this race

Because we must be blind as hell

2 think we live in equality

While Nelson Mandela rots in a jail cell

Where the shores of Howard Beach

Are full of Afrikan corpses

And those that do live 2 be 18

Bumrush 2 join the Armed Forces

This so called “Home of the Brave”

Why isn’t anybody Backing us up!

When they c these crooked a? Redneck cops

Constantly Jacking us up

Now I bet some punk will say I’m racist

I can tell by the way you smile at me

Then I remember George Jackson, Huey Newton

And Geronimo 2 hell with Lady Liberty (p. 137)

[2] This is for the masses the lower classes

The ones you left out, jobs were givin’, better livin’

But we were kept out

Made to feel inferior, but we’re the superior

Break the Chains in our brains that made us fear yah

Pledge allegiance to a flag that neglects us

Honor a man that who refuses to respect us

Emancipation, Proclamation, Please!

Nigga just said that to save the nation

These are lies and we all accepted…

The war on drugs is a war on you and me

And yet they say this is the Home of the Free

But if you ask me its all about hypocrisy

The constitution, yo, it don’t apply to me

Lady Liberty still the bitch lied to me

[3] Uhh… dear Mr. President

Whas happening?

Ain’t nothin changed

All the promises you made, before you got elected…

…they ain’t came true

…Everybody’s doped up, nigga what you smoking on?

Figure if we high they can’t rain us

But then America fucked up and blamed up

I guess it’s cause we black that we targets

…I know you feel me cause you too near me not to hear me

So why don’t you help a nigga out? Saying you cutting welfare

That got us ni*gaz on the street, thinkin who in the hell care?

[4] Growing up as an inner city brotha

Where every other had a pops and a motha

I was tha product of a heated lover

Nobody knew how deep it screwed me

And since my pops never knew me

My family didn’t know what ta do with me

Was I somebody they despised

Curious look in they eyes

As if they wonder if I’m dead or alive

Poor mama can’t control me

Quit tryin’ ta save my soul, I wanna roll with my homies

[5] “O ódio que você passa pra criancinhas fode com todo o mundo”

[6] Referência aos policiais que vestiam uniformes azuis.

[7] “Operando sob as Thug Laws (Leis dos Bandidos) como Guerreiros”

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