Escrito em Setembro-Outubro de 1969.
Originalmente disponível no site Marxists.
Transcrição por Andrey Santiago.
Aos revolucionários e combatentes antifascistas europeus.
Queridos companheiros:
Faz algum tempo que os camaradas revolucionários brasileiros mantém contato convosco na Europa, por meio dos quais já estão a par das dificuldades que nos encontramos para fazer avançar a revolução no Brasil.
Os companheiros que se encontram na Europa e que discutem convosco os problemas da nossa revolução, são companheiros autorizados e representam junto a vós a nossa organização: Ação Nacional Libertadora.
A luta que levamos a cabo no Brasil é uma luta de libertação nacional, uma luta contra a classe dominante brasileira. É uma luta contra a atual ditadura militar fascista, e neste sentido, é uma luta antifascistas. É uma luta anticapitalista porque está dirigida contra os grandes capitalistas nacionais associados ao capital estrangeiro É uma luta pelo socialismo porque tem como objetivo liquidar as classes que matem a atual estrutura econômica e liquidar o domínio dos grandes capitalistas e latifundiários. E as representam o maior obstáculo para a marcha em direção ao socialismo, e são a base interna do imperialismo norte-americano e do capital estrangeiro no nosso país.
A estratégia da Ação Nacional Libertadora é a seguinte:
1 – O nosso inimigo principal é o imperialismo norte-americano. A nossa luta é anti-oligárquica e de libertação nacional. Dada a natureza dessa luta, o nosso objetivo é a transformação radical da estrutura de classes da sociedade brasileira.
2 – Lutamos pela conquista do poder e da destruição do aparato burocrático militar do estado brasileiro, e a sua substituição pelo povo armado. O nosso principal objetivo é a instauração de um poder popular e revolucionário.
3 – O nosso programa é a expulsão dos norte-americanos do nosso país, a expropriação das empresas de capital privado nacional que colaboram com o capital estrangeiro, a expropriação da propriedade latifundiária, que hoje está na sua maior parte nas mãos dos norte-americanos, e a realização da revolução agrária até as últimas consequências, com a libertação dos camponeses.
E também libertar o Brasil da condição de satélite da política externa dos Estados Unidos para alcançar uma condição de independência frente à política dos blocos militares, mantendo uma política externa de apoio ativo aos países sub-desenvolvidos em luta contra o colonialismo.
4 – O nosso meio de luta é a guerra revolucionária que já iniciamos no nosso país sob a forma de guerrilha urbana. Com a expropriação dos bens dos grandes capitalistas nacionais, latifundiários e dos imperialistas ianques, com a sabotagem e a execução de espiões da CIA, como o capitão Chandler, instrutor de anti-guerrilha no Vietnã e o no Brasil, com a apropriação de armas e explosivos, com as perdas e os danos infligidos às instalações militares e ao potencial de fogo dos gorilas brasileiros.
5 – A nossa etapa presente consiste em passar da zona urbana a luta armada na zona rural contra os latifundiários, passando à guerrilha rural de movimentos, partindo da aliança armada de operários, camponeses e estudantes, até chegar a formação do exército revolucionário de libertação nacional.
A nossa luta é uma batalha de vida ou e morte contra a ditadura militar fascista brasileira.
Muitos companheiros estão encarcerados nas prisões da reação e muitos deles foram atrozmente assassinados pela polícia e exército brasileiro. Nós temos urgente necessidade de que esses crimes sejam denunciados pelos jornais e outros meios aos povos europeus.
Temos necessidade de que os nossos documentos sejam difundidos no exterior para que se conheça a luta que estamos desenvolvendo no Brasil. Necessitamos armas e munições, recursos de qualquer espécie com que os revolucionários europeus possam contribuir como participantes desta luta, que todos os revolucionários sustentam no mundo.
Não vemos distinção entre a luta que conduzimos no Brasil contra o imperialismo norte-americano e a ditadura militar fascista e a luta que vós conduzis na Europa contra a reação fascista, os trusts e o monopólios, contra o imperialismo dos Estados Unidos, contra a guerra no Vietnã, pelo socialismo, pela libertação e pelo progresso. A luta dos revolucionários europeus é a mesma luta dos revolucionários da América Latina.
Com esta apresentação, esperamos que os representantes da Ação Nacional Libertadora possam chegar a resultados favoráveis, indispensáveis para a intensificação da luta revolucionária no Brasil e em todo o continente americano.
Saudações Revolucionárias,
Carlos Marighella.
