Trecho retirado do livro “Strategy for the Liberation of Palestine”, publicado em 1969 pela Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP).
Disponível originalmente no site PFLP Documents.
Tradução por Guilherme Henrique.
Não basta assegurar a estrutura teórica revolucionária do partido; esta estrutura deve estar em conformidade com a estrutura de classes. O partido revolucionário na Palestina é o partido das classes da revolução, dos trabalhadores e dos camponeses em primeiro lugar. Quando a estrutura partidária é baseada nessas classes, então estamos seguros da firmeza, resistência e capacidade revolucionária do partido e da solidez de suas posições. Entretanto, se a estrutura do partido e sua liderança de base for da classe pequeno burguesa, então este partido, independentemente de seu compromisso com o socialismo científico, refletirá as características desta classe, representadas por sua vacilação e hesitação, suas posturas indecisas e a possibilidade de seu afrouxamento e incapacidade de se manter firme diante dos desafios.
A verdadeira garantia quanto à organização revolucionária está baseada em primeiro lugar, no profundo entendimento e compromisso com o socialismo científico e em segundo lugar, na estrutura essencialmente operária e camponesa do partido.
Tal estrutura de classe do partido não pode surgir espontaneamente, requer uma visão clara e um esforço dirigido de acordo com esta visão. A espontaneidade na organização leva na prática à preponderância da pequena burguesia em virtude da eficácia desta classe e de seu interesse ativo na ação política nesta fase, contra a fraqueza e ineficácia dos trabalhadores e camponeses e a não cristalização de sua consciência política e de classe.
A Frente Popular como organização política atualmente não se enquadra totalmente na estrutura de classe trabalhadora e proletária que constitui a garantia material e concreta do caráter revolucionário da organização, sua perseverança e sua capacidade de continuar com a revolução.
A organização política da Frente constitui, em geral, uma extensão espontânea da organização do Movimento Nacionalista Árabe, de modo que a estrutura pequeno burguesa nela prevalece. A continuação do crescimento espontâneo sem planejamento resultará no confinamento de nossa organização a Amman e às aldeias, com algumas extensões auxiliares nas áreas rurais e nos campos.
Nossos programas organizacionais devem visar colocar nossos elementos mais eficientes de liderança nos campos e aldeias e, portanto, é necessário realizar um levantamento abrangente sobre as áreas rurais e os campos e, em seguida, concentrar-se fortemente nestas áreas. Além disso, é necessário pegar os elementos jovens em ascensão nestes lugares e forma-los solidamente na teoria e organização para que a maioria de nossos líderes tenha uma lealdade revolucionária de classe. A presença de centenas de militantes e líderes nas cidades enquanto não temos conexão com várias aldeias ou com vários campos e concentrações de trabalhadores, por poucas que sejam, indica que nosso crescimento organizacional continua a ser espontâneo, que nossa visão revolucionária das coisas não é clara e que não há planos revolucionários efetivamente dirigidos que emanem desta visão. Estas centenas de membros e líderes devem ser mobilizados efetivamente de acordo com um plano organizado para penetrar nas concentrações verdadeiramente revolucionárias, para que depois de um tempo nos encontremos diante de uma organização política sólida baseada nos pobres, nos trabalhadores e nos oprimidos que estão decididos a se revoltar, a liderar sua revolução e a permanecer firmes diante de cada desafio. Desta forma, estamos certos do caráter revolucionário da nossa organização, da nossa organização política como um verdadeiro suporte para os quadros combatentes, fornecendo-lhes os necessários soldados revolucionários, proporcionando-lhes uma proteção real e efetuando uma integração completa com eles. A organização política baseada na pequena burguesia e nos intelectuais cujas raízes não se estendem às aldeias e aos bairros urbanos pobres não pode fornecer aos quadros combatentes os soldados necessários ou constituir um suporte efetivo. Além disso, podem de fato tornar-se um fardo para os quadros combatentes, procurando através de sua conexão com a luta armada obter privilégios morais, formalidades e posições superiores de liderança, além de forçar sobre a luta armada a manifestação de conflitos e disputas pessoais e táticas que às vezes são ocultadas por trás de conflitos verbais sem conexão com problemas reais da luta.
Naturalmente, não é nossa intenção ter uma organização política fechada face à pequena burguesia, mas ter uma organização cujo material básico venha dos trabalhadores, dos camponeses e dos pobres para garantir a força, a firmeza, a disciplina e a direção prática consciente da organização em relação à luta e aos problemas no combate. Neste caso, tal organização é capaz de mobilizar e recrutar nas suas fileiras os setores revolucionários da pequena burguesia sem cair na hesitação, vacilação, indecisão e falta de aplicabilidade.
Os intelectuais revolucionários constituem um material básico e necessário para a construção do partido e da revolução. Ao definir as forças revolucionárias nos países subdesenvolvidos, o pensamento socialista moderno cita os trabalhadores, camponeses, soldados e intelectuais revolucionários. Os intelectuais dão à revolução uma visão clara, e eles são naturalmente a ferramenta através do qual a consciência política é transmitida às classes trabalhadoras, assim como a capacidade de administração, a organização das coisas e o planejamento para todos os aspectos da ação. Consequentemente, a presença de intelectuais revolucionários e sua integração na estrutura do partido é uma questão básica. Entretanto, o papel dos intelectuais na construção do partido e à serviço da revolução depende de sua verdadeira adesão às massas, combatentes e ação revolucionária e de sua aquisição, através da prática, da capacidade de se manter-se firme e da educação relacionada com os problemas da ação. A presença dos intelectuais no partido fora do alcance da prática e separados das massas e da luta pode expor o partido à manifestação do palavreado que está em conflito com os problemas reais da ação. A vida dos intelectuais entre as massas oprimidas e os combatentes, sua vontade de aprender com eles tanto quanto ensinam, sua capacidade de compartilhar com eles as mesmas circunstâncias de vida, sua modéstia intelectual, seu estabelecimento de relações de camaradagem com os combatentes e os pobres e sua forma de evitar relações de superioridade e privilégios materiais e morais constituem a forma pela qual os intelectuais podem desempenhar sua parte na revolução, e o não-cumprimento ou não-exercício destes assuntos privará os intelectuais de toda a capacidade de ação revolucionária. O combatente revolucionário se recusa a estabelecer relações de superioridade com qualquer pessoa. Os objetivos da revolução incluem igualdade, dignidade humana, cooperação e relações de camaradagem humana, e espera-se que a organização que se prepara para a liderança da revolução personifique este quadro.
Nossa segunda linha estratégica na construção do partido revolucionário é ter o material partidário da classe de trabalhadores, camponeses, operários e intelectuais revolucionários. Naturalmente, a adoção desta linha não é suficiente para garantir este cenário. Um longo período de árduo esforço está diante de nós nesta direção. Quando nossa organização realmente se torna uma organização de trabalhadores, camponeses pobres e trabalhadores assalariados; quando ela realmente se torna uma organização de campos, vilas e distritos urbanos pobres, então podemos ter certeza de que criamos a organização sólida que abastece a revolução com suas exigências e lhe dá proteção e capacidade de continuar e tomar uma posição firme.

O SIONISMO É IRMÃO SIAMÊS DO NAZISMO!