Texto originalmente publicado no site Liberation School.
Tradução por Daniel Alves.
Opressão e exploração são características básicas da sociedade capitalista. Trabalhadores recebem salários enquanto os proprietários capitalistas lucram do produto criado por aqueles que trabalham. Esta é a essência da exploração econômica. Quase todos trabalhadores, ainda que não usem a palavra “exploração”, estão cientes disso mesmo assim.
Todos os trabalhadores sob o capitalismo – não importa o quanto eles são pagos – são explorados pelos proprietários. A riqueza criada pelos trabalhadores é entregue para um punhado de banqueiros e proprietários. Todas as leis nas sociedades capitalistas são feitas para reforçar esta desigualdade.
Além disso, a sociedade de classes gera uma rede de opressões especiais que vão além da exploração econômica que define o capitalismo. Há opressão contra a mulher com base no gênero e opressão contra pessoas LGBT com base na orientação sexual, por exemplo.
Uma das principais formas de opressão especial sob o capitalismo é a opressão nacional – exploração de todo um povo com base em sua nacionalidade. Isso é vastamente reconhecido na arena internacional, onde os países imperialistas mais poderosos dominam a totalidade das economias e políticas dos países oprimidos. Trabalhadores e proprietários nos países oprimidos são ambos subjugados por grandes bancos, corporações e governos nos Estados Unidos, Alemanha, Japão e outras grandes potências imperialistas.
Quando os marxistas analisaram esta opressão nacional no início do século 20, eles distinguiram nação e país. Um país é definido por fronteiras geográficas e políticas. Uma nação é definida por relações sociais mais complicadas.
Uma nação usualmente compartilha um território e um idioma comuns. Compartilha relações econômicas em comum e uma cultura em comum.
Conforme o capitalismo se fortaleceu na Europa nos séculos 18 e 19, comerciantes e proprietários de fábricas se agarraram às aspirações das nações que lutavam por independência política e econômica de suas respectivas relações feudais. As novas classes capitalistas deram a liderança política para as revoluções nacionais contra os impérios opressores, como o Austro-Hungaro ou Otomano.
França, Alemanha e Itália são exemplos de nações – que compartilham um território, língua, relações econômicas e uma cultura comuns – que se tornaram Estados.
Algumas das nações que se tornaram Estados no início do desenvolvimento do capitalismo também se tornaram imperialistas depois de colonizarem a maior parte do resto do mundo e enriquecerem através da superexploração de África, América Latina e Ásia. Inglaterra, Bélgica, Holand, França, Alemanha e outras nações extraíram enormes fortunas através de vastos impérios coloniais ao custo da miséria e opressão de centenas de milhões de pessoas nas colônias.
Depois da Segunda Guerra Mundial, as Estados Unidos ocuparam o lugar das antigas potências coloniais como a potência imperialista dominante sob o globo, mantendo as nações de todos os continentes na escravidão econômica.
Conforme o capitalismo se desenvolvia em sua fase moderna e imperialista, os movimentos nacionais nos países oprimidos intensificaram a luta contra a opressão das grandes potências imperialistas. Em alguns casos, como na revolução iraquiana, ou na luta pela independência da ìndia, a classe capitalista nas nações oprimidas conseguiu capturar a liderança das lutas pela libertação nacional. Em outros casos, tais como na China e em Cuba, a classe trabalhadora conseguiu liderar as lutas nacionais contra o imperialismo.
Uma das grandes contribuições do líder revolucionário russo V. L. Lênin para o marxismo foi a sua interpretação sobre as lutas de libertação nacionais. Ele propôs a visão de que todas as lutas de libertação nacional de nações oprimidas contra nações imperialistas e opressoras merecem suporte – independentemente da liderança de tais lutas.
As lutas de libertação nacionais assumem comumente a forma de um países oprimido contra uma potência imperialista. Mas, em alguns casos, muitas nações podem existir dentro de um único país. A Rússia czarista foi um exemplo clássico de uma “prisão das nações”, onde dezenas de nacionalidades viviam sob o domínio dos governantes da “Grande Rússia”.
Hoje, os Estados Unidos são um exemplo desse tipo de “prisão das nações”.
Desde as suas origens, o racismo tem sido uma característica da sociedade norte-americana. Este racismo frequentemente tem disfarçado o fato de a população preta nos Estados Unidos ter emergido com todas as principais características de uma nação dentro das fronteiras dos norte americanas. O racismo contra afro-americanos é uma manifestação da opressão nacional.
Os povos africanos que foram trazidos para os Estados Unidos acorrentados como escravizados tinham línguas, religiões e culturas diferentes. Ao longo de séculos, uma nova nação preta foi forjada dentro dos Estados Unidos pela experiência comum e pela opressão da escravidão. A sua sobrevivência contra péssimas probabilidades e a resistência à repressão brutal também criaram uma formidável cultura e identidade, embora com variações em todo país.
Em relação à sociedade dominada pelos brancos, a Nação Preta é uma nação oprimida, como pode ser visto ao examinar quaisquer indicadores econômicos ou sociais dos Afro-Americanos. Como uma nação oprimida, entretanto, ela contém certas características únicas. Na era moderna, cada nação está dividida em classes: entre ricos e pobres, trabalhadores e patrões, exploradores e explorados. Esse é também um dos traços característicos das nações oprimidas.
A Nação Afro-Americana é esmagadoramente proletária. É parte integrante da classe trabalhadora multinacional dentro dos Estados Unidos. Assim, é natural que a luta pela emancipação nacional contra a opressão racista encontre sua expressão como um movimento essencialmente proletário.
A opressão nacional dos Afro-Americanos foi demonstrada, de forma mais contundente, recentemente, nos danos causados pelo furacão Katrina em Nova Orleans. Embora as vítimas do furacão fossem ambos pretos e brancos, o maior número de vítimas recaiu sobre a comunidade preta da cidade. Um terço da população branca de Nova Orleans, embora também tenha sofrido perdas graves, em sua grande parte conseguiu evacuar a cidade.
Outras nações existem dentro dos Estados Unidos. Os porto-riquenhos nos Estados Unidos mantiveram sua distinta nacionalidade apesar de mais de um século de domínio colonial Norte Americano em Porto Rico. A ilha continua a ser a pátria de uma nação distinta que ainda está lutando pela sua independência política.
Os povos nativo americanos, o povo havaiano e outros têm mantido parte de seu caráter nacional apesar dos esforços para extingui-los como nacionalidades separadas. Os povos asiáticos, árabes e latinos sofrem a opressão nacional nos Estados Unidos, apesar das diferentes heranças e tradições nacionais dentro de cada um destes grupos.
A opressão nacional – nos Estados Unidos e ao redor do mundo – permite à classe dominante capitalista extrair maiores lucros dos trabalhadores destas nações oprimidas. Ela também divide a classe trabalhadora ao promover racismo, rivalidades nacionais e chauvinismo.
Os marxistas se empenham pela unidade multinacional da classe trabalhadora. Isto significa, antes de tudo, dar apoio incondicional ao direito das nações oprimidas à autodeterminação e à luta pela igualdade para todas as nações. Esse é o caminho para combater o racismo que divide a classe trabalhadora, para que então os trabalhadores possam se organizar contra a exploração e a opressão capitalista.
