Ho Chi Minh – A Klu Klux Klan

Originalmente publicado em 1924, na La Correspondance Internationale.

Trecho retirado do livro “Ho Chi Minh – A Klu Klux Klan, organizado por Marta Elena Alvarez e publicado pela Editora Ática.

Transcrição de Andrey Santiago.


O lugar de origem da Ku Klux Klan é o Sul dos EUA.

Em maio de 1866, depois da guerra civil, alguns jovens reuniram-se em uma pequena localidade do Estado do Tennessee para organizar um clube. Uma questão de matar o tempo. Esta associação recebeu o nome de kuklos, uma palavra grega significando clube. Para americanizar a palavra ela foi mudada para Ku Klux. Então, para mais originalidade, Ku Klux Klan.

Após grandes acontecimentos sociais, a opinião pública fica naturalmente indecisa. Ela se torna ávida por novos estímulos e inclinada ao misticismo. A KKK, com seu estranho garbo, seus rituais bizarros, seus mistérios e seu segredo, irresistivelmente atraiu a curiosidade dos brancos nos Estados do Sul – e se tornou muito popular.

Ela consistia, a princípio, em somente um grupo de esnobes e desocupados, sem propósitos políticos ou sociais. Elementos astutos descobriram nela uma força capaz de servir às suas ambições políticas.

A vitória do governo federal tinha recentemente libertado os negros e os tornara cidadãos. A agricultura do Sul – sem o trabalho escravo – ficou sem braços para o trabalho. Os senhores de terra ficaram expostos à bancarrota. Os “Klansmen” proclamavam o princípio da supremacia da raça branca. Sua única política era contra o negro. A burguesia agrária e escravocrata viu na Klan um agente útil, quase um salvador. Eles lhe deram todo o auxílio que podiam. Os métodos da Klan iam das ameaças ao assassinato. No espaço de três anos ela cometeu tantos crimes e infrações que alguns de seus elementos a abandonaram com horror.

Por volta de 1869, sob a pressão da opinião pública, a Klan foi debandada por seu “imperador”. Ela possuía um imperador, o qual, contudo, tinha uma autoridade puramente nominal. As Klans locais levavam avante suas próprias vidas e seus crimes. O professor MacKlin – a quem devemos estes detalhes – diz que cada página dos trezes grandes volumes contendo as investigações sobre os atos da Klan, em 1871-1872, continha agressões a brancos ou negros. Estes atos de violência eram, muitas vezes, cometidos por puro sadismo. Eles eram uma diversão favorita dos “Klansmen”.

Pode-se obter um melhor conhecimento da Klan e formular um melhor juízo citando-se o discurso do senador Sherman pela Ohio, no Senado, em março de 1871:

“Existe – perguntou Sherman – um senador que possa nomear – pesquisando entre os crimes cometidos através dos tempos – um associação ou bando cujos atos e desígnios sejam mais diabólicos ou criminosos do que aqueles da Ku Klux Klan? A Ku Klux Klan é uma associação secreta, formada sob voto, e cujos membros matam, roubam, pilham, provocam, insultam e ameaçam. Eles cometem estes crimes, não contra os fortes, e os ricos, mas contra os pobres, os fracos, os inofensivos e os sem defesa.”

Todavia a Klan viveu e “trabalhou” por mais de quarenta anos sem muito sensacionalismo.

A nova Klan

Foi em outubro de 1915 que William Joseph Simmons, o novo “imperador” da Klan, junto com 34 de seus amigos, trouxe a KKK de volta à cena norte-americana, outra vez. Seu programa era 100% “Americanismo”, isto é: anticatólico, anti-semita, antioperário e antinegro.

Deve-se notar que foi logo após a Guerra Civil e a emancipação dos negros que a velha Ku Klux Klan viu a luz do dia, sendo seu objetivo impedir o povo recém-liberto de adquirir uma vida social. Durante a Guerra Mundial, os EUA alistaram em seu exército e em sua marinha centenas de milhares de negros, aos quais foram feitas promessas de reformas sociais e políticas; tendo feito os mesmos sacrifícios que os brancos, timidamente reclamara os mesmos direitos, situação que equivalia a uma “segunda emancipação”. Daí a nova Klan floresceu.

Foi novamente nos Estados do Sul – região de grandes plantadores e antiabolicionistas, o berço da servidão e do linchamento, a terra-mãe da velha Klan – que o “imperador” Simmons fundou o novo “Império invisível”. Para um entrevistador, William Joseph Simmons disse, com referência a seus objetivos:

“Estamos convencidos de que, para preservar a supremacia da raça branca, devemos retirar dos negros as franquias que lhes foram concedidas. A vontade do Senhor é que a raça branca seja superior, e foi por um decreto da Providência que os negros foram criados escravos.”

Logo após a ressurreição da Klan, mais de 80 agressões foram constatadas somente no Estado do Texas, em um ano, e 96 linchamentos.

A Klan floresceu especialmente na Georgia, Mississippi, Texas, Alabama e Arkansas. Nestes Estados as vítimas de linchamentos foram mais numerosas. Em 1919, a Ku Klux Klan queimou vivos quatro negros na Georgia, dois no Mississippi e um no Texas. Ela linchou 22 negros na Georgia, 12 no Mississippi, dez no Arkansas, oito no Alabama e três no Texas.

Ela atacou ou arrombou cadeias a fim de linchar negros que se achavam em custódia, cinco vezes na Georgia, três no Alabama, três no Mississippi, três no Texas e das no Arkansas. Ela linchou 12 mulheres no Mississippi, sete no Alabama, seis no Texas, cinco no Arkansas e cinco na Georgia. Ela queimou, enforcou, afogou ou abateu a tiros nove negros que haviam pertencido às forças armadas. A Klan executou outros linchamentos em outros Estados, mas desejamos citar apenas dados exatos.

O declínio da Ku Klux Klan

A Klan está, por várias razões, ameaçada de desaparecer.

1. Os negros, tendo aprendido durante a guerra que são uma força se permanecerem unidos, não estão dispostos a permitir que seus irmãos de raça sejam agredidos e assassinados com impunidade. Ele estão revidando cada tentativa de violência da Klan. Em julho de 1919, em Washington, enfrentaram a Klan e uma multidão furiosa. A batalha assolou a capital por quatro dias. Em agosto, eles combateram durante cinco dias a Klan e a multidão. Sete regimentos foram mobilizados para restaurar a ordem. Em setembro, o governo foi obrigado a enviar a tropas federais a Omaha para abafar uma desordem semelhante. Em vários outros Estados, os negros defendaram-se não menos energicamente.

2. Como a sua predecessora, a nova Klan tem de tal maneira chocado a opinião pública por seus excessos que aqueles que a principio a aprovavam ou dela faziam parte e estão abandonando. Suas lutas internas, seus escândalos, suas fraudes financeiras acabaram por enjoar até os mais indiferentes e os mais tolerantes. O senado foi obrigado a processá-la. Até jornais burgueses como New York World, o Chicago Defender, etc., atacaram-na.

3. Seu “100% Americanismo” e seu antitrabalhismo a opõe contra 20 milhões de católicos americanos, 3 milhões de judeus, 20 milhões de estrangeiros, 12 milhões de negros, todos norte-americanos decentes e toda a classe operária norte-americana.

No último Congresso das Associações dos Negros, a seguinte moção foi aprovada:

“Nós declaramos que a Ku Klux Klan é um inimigo da Humanidade; declaramos que estamos resolvidas a combate-la até o fim e, e para isto a fazer causa comum com todos os trabalhadores estrangeiros na América, bem como todos aquele que são perseguidos por ela.”

Por outro lado, a emigração de negros do Sul agrícola para o Norte industrial força os plantadores – ameaçados com a ruína, devido à escassez de braços – a aliviar as pensas dos operários e camponeses negros e, consequentemente, a condenar mais os métodos e atos de violência de seu agente: A Ku Klux Klan.

4. Finalmente, a Ku Klux Klan tem todos os defeitos das organizações clandestinas e reacionárias, sem ter suas qualidades. Ela tem o misticismo da maçonaria, as dissimulações do catolicismo, a brutalidade do fascismo, a ilegalidade de suas 568 várias associações, porém ela não tem nem doutrina, nem programa, nem vitalidade, nem disciplina.

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